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sábado, 5 de outubro de 2013

Nova vida em Cristo

Leitura: 1 Pedro 4:1-11
Introdução
Há um caminho de transformação espiritual acessível a todas as pessoas. Esse caminho é o caminho de Jesus, nosso mestre divino, mas também humano, que já andou e anda por este caminho diante de nós. Ele nos convida a simplesmente segui-lo. Este caminho conduz as nossas vidas para a eternidade.
O caminho começa onde estamos e como nós somos – não importa quão desesperadora a nossa situação possa parecer aos olhos humanos. Adquirimos entendimento sobre como e por que o caminho funciona e recebemos um poder muito além de nós mesmos quando damos os passos simples de aprendizes confiantes, vivendo em seu Reino – o Reino dos Céus.
O estudo da Nova Vida em Cristo apresenta uma poderosa revelação de quem somos em Cristo - o que significa ser uma nova criação. Produzirá libertação de sentimentos de culpa, condenação, inadequação e inferioridade. Far-nos-á entrar ousadamente numa revelação excitante e transformadora do que significa sermos um com Jesus Cristo.
Com esta poderosa revelação, como crentes começamos a caminhar numa nova e excitante dimensão de liberdade, autoridade, ousadia, poder e vitória na nossa vida e ministério.
A Primeira Epístola de Pedro 1:3 diz: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos”. Toda a obra de Deus na graça foi planeada de acordo com a Sua misericórdia em amor. Sua graça é dirigida por Sua misericórdia, e Sua misericórdia é dirigida por Seu amor. É segundo a Sua grande misericórdia que Deus nos regenerou para uma viva esperança mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos. Assim sendo, tanto a regeneração como a viva esperança estão relacionadas com a misericórdia. Por existir a misericórdia, existe a graça.
Quando ouvimos o Evangelho e o aceitamos, o poderoso Espírito de Deus entra em ação e gera em nós a poderosa natureza de Deus. Por isso, o apóstolo insta-nos a que rompamos definitivamente com o pecado. Assim como o túmulo do Senhor jaz entre Ele e a vida que Ele levou antes da morte, assim também deveria haver um pronto rompimento entre a nossa vida de crentes e a nossa vida anterior no mundo, que era dominada por paixões desenfreadas. Algumas vezes Deus emprega o ácido da perseguição ou do sofrimento para corroer os laços que nos prendem ao passado. Aceitemos ambos com bom ânimo. A única condição para reinarmos em Cristo entronizado é submeter-nos à cruz. Naturalmente importa que morramos para os instintos animais, para os prazeres do mundo e para as tentações do diabo; mas também é muito importante que morramos para o nosso egoísmo, esteja ele vestido de branco ou de preto!
Para experimentar a nova vida em Cristo, suprema esperança de todos os redimidos, precisamos de colocar em prática a nossa confiança nEle e aprender como fazer melhor o que cremos que Ele deseja que façamos. Seu caminho se mostrará verdadeiro para todo aquele que, aberta e persistentemente colocá-lo em prática.
Deus nos conclama a uma vida de oração em praticamente cada página da Bíblia. A decisão de Atos 6:4 precisa de ser a nossa também: “…quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra”. O avivamento não terá prioridade enquanto a oração não tiver prioridade. Mas, para cultivarmos o fervor na oração, devemos ser sóbrios e criteriosos; amorosos; e fieis na mordomia de todos os dons que Deus nos confiou. Cultivemos o firme hábito de tirar os olhos de nosso serviço, seja ele de que tipo for, e pedir a Deus a capacidade de fazê-lo para a glória dEle.
Deus nos dá tudo de que precisamos para termos uma vida profundamente espiritual através do conhecimento de Jesus. As promessas são grandes e preciosas, só temos que nos apropriarmos delas e assimilá-las, se quisermos partilhar da natureza divina através delas. Nossa redenção foi conquistada por nosso Salvador, mas precisamos de crescer constantemente e aumentar os elos de ouro já seguramente ligados pela fé.
Podemos vivenciar isso por fé, em todas as áreas da nossa vida. A operação da fé não é uma caraterística da velha natureza; é uma habilidade que Deus colocou em nosso espírito nascido em Cristo. É com o nosso espírito humano renascido que podemos funcionar na fé, pois a fé é o funcionamento da nossa vida espiritual. É pela fé que podemos viver em Deus, reconhecer Deus em todos os nossos caminhos (Pv. 3:6), e é por ela que praticamos a Palavra de Deus, que significa submetermo-nos à sua soberania em todas as áreas da nossa vida (família, negócios, lazer, espiritualidade), que significa buscar a Deus em primeiro lugar na certeza de que as demais coisas nos serão acrescentadas (Mt. 6:33). Na vida do cristão não há separação entre o sagrado e o profano. Em tudo o que somos e fazemos, Deus é o Senhor soberano e a ele devemos prestar contas.
1.     A Santidade no Amor
Fomos regenerados por uma semente incorruptível, através da bendita Palavra de Deus. Porque esta palavra é viva e eficaz, pois ela é capaz de fazer o que Deus pretende na vida do ser humano. Ela produz efeito e dá bons resultados (Is. 55:11). Diz que é mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, ela entra no homem e age de dentro para for. Ela penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, isto é, age nos nossos sentimentos, pensamentos e mexe com as nossas emoções, no nosso interior.
A Palavra de Deus trás à nossa consciência o que realmente somos. Ela é apta para discernir os pensamentos [desejos] e sentimentos [intenções] (Hb. 4:12-13). Este texto contém a essência de tudo o que a Palavra de Deus pode fazer nas nossas vidas. Isso é algo tremendo e fantástico! Deus através da Sua Palavra gerou em nós a Sua natureza. Ao nascermos de novo, nascemos de Deus, pois a Sua semente nos regenerou no espírito, pelo poder do Espírito Santo. Jesus em João 6:63 disse: “As palavras que eu vos tenho dito são espirito e são vida”. A palavra pronunciada por Deus, sempre se coloca numa posição superior a todas e demais palavras.
Sentimos que o apelo a uma vida santa se torna mais forte se considerarmos o grande preço da nossa redenção bem como a grande esperança que se abre diante de nós. Jesus é a graça de Deus manifesta ao mundo e sob a Sua direção está posta a nossa esperança. Em sua vida está o exemplo de como construir a nossa salvação, trabalhando a cada dia o nosso caráter, construindo uma transformação de mente e coração fundamentados no ensino que Ele nos traz, de maneira a nos expormos ao sol escaldante da santidade de Deus.
Pedro, na sua primeira Epistola, desperta as nossas mentes para sabermos que uma vez nascidos de novo, largamos as coisas do mundo para servir a Jesus. Passamos, também, a contemplar o que isto transcende, o humano, o terreno. Pois a espiritualidade é simplesmente a qualidade holística da vida humana como deve ser, no centro da qual está o nosso relacionamento com Deus. Nós, que temos o privilégio de formar parte dela espiritualmente, somos pessoas eternas, por isso devemos amar a Deus, devemos estar vivos para Ele e devemos estar em comunhão com Ele. E temos de amar os nossos semelhantes, estar vivos para eles como homens e estar em comunicação num nível pessoal verdadeiro com eles. Jesus disse: “Jamais perecerão”. Este maravilhoso acontecimento se insere no plano de Deus para satisfazer-lhe o coração.
Diga não à carne. A carne é como a erva, é como as flores que na primavera nascem, é como os campos que ficam floridos, mas depois vem o sol, vem o verão, seca-se a erva e cai a sua flor, é assim a glória humana é assim a vida de quem não tem Jesus. A glória humana é perecível, corruptível e se destrói (1 Pe. 1:24-25). Mas quando passamos a contemplar a eternidade e a nossa vida presente, do que hoje estamos vivendo aqui, ela ganha uma dimensão eterna quando conhecemos esta palavra.
A cura Bíblica para o mundanismo entre os cristãos é encher o coração e a vida com as bênçãos de Deus, de modo que haverá uma alegre preocupação e um desprendimento das coisas que não são espirituais. Uma folha morta não pode continuar onde um novo broto está desabrochando, nem a mente mundana pode permanecer onde as bênçãos do Espírito estão fluindo.
Na plena redenção da vida, operada por Cristo, a personalidade humana incorporada é aceite e realmente transformada num todo. Quem vive segundo a carne tem a mente voltada para o que a carne deseja; mas quem vive de acordo com o Espírito, tem a mente voltada para o que o Espirito deseja, vive para cada impulso do Espírito Santo de Deus. A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espirito é vida e paz; a mentalidade da carne é inimiga de Deus porque não se submete à Lei de Deus, nem pode fazê-lo. Quem é dominado pela carne não pode agradar a Deus (Rm. 8:5-8).
Renunciar a uma vida impiedosa é algo difícil para a maioria das pessoas. Resistir às tentações, construir uma vida sóbria e piedosa, muitas vezes, nos faz repensar toda a nossa condição e como nos colocamos diante da palavra de Deus que nos exorta a uma mudança em nossa postura. Não se deixe enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá. Quem semeia para a sua carne, da carne colherá destruição. Cinjamos o nosso entendimento para não acontecer que os nossos desejos se deixem arrastar pelas coisas proibidas ou sejam maculadas na lama de estrada. Precisamos de ser santos, como Deus é; e só podemos consegui-lo quando consentimos que Deus através do Seus Espírito Santo se derrame em nossa natureza. Quem semeia para o Espirito, do Espirito colherá a vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, pois no tempo próprio colheremos, se não desanimarmos (Gl. 6:7-9).
O grande valor de sabermos como somos feitos no espírito, através do Evangelho, é sabermos como podemos viver aqui na terra. Temos de tomar muito cuidado no entendimento de quais são as alternativas e o que elas significam. Se eu sei como sou por dentro, em Cristo, saberei que tipo de vida está disponível para mim hoje. Nasci de Deus através do Espírito e da Palavra ao me arrepender e crer em Jesus, e é nesse nível que posso viver através da graça de Deus.
Somos feitos por dentro da Palavra de Deus, nascemos dela, nascemos da semente divina no nosso espírito; a poderosa natureza de Deus foi gerada em nós, pois fomos regenerados por uma semente incorruptível. De facto, como nos diz João, no capítulo 1, versículo 12: “Somos filhos de Deus, em Jesus”, e ainda na primeira carta, o apóstolo João exclamou: “Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que havemos de ser, mas sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é” (3:2). Deixe Cristo entrar em sua vida e, no mesmo instante, terá o direito de ser chamado filho de Deus. Só Deus pode nos transmitir o embrião dessa vida que nós compartilhamos com o próprio Filho.
O filho de Deus cresce para ser igual a seu Pai. Ele odeia o que Deus odeia e ama o que Deus ama. Ele luta contra o pecado e a tentação e, de todo coração, obedece aos mandamentos de Deus. Ele aprende a amar com seu Pai; seu desejo é servir especialmente seus irmãos em Cristo.
Amar como Ele nos amou, é o exemplo que deve nortear o nosso horizonte. Amar sem preconceitos, senões, sem impor nenhuma condição, simplesmente amar, de todo nosso coração, alma e entendimento. Perdoar acima de quaisquer condições, mesmo que todas as evidências sejam contrárias, nossa postura deve ser a de sempre agir com misericórdia e compaixão, pois todos nós somos pecadores e carecemos da graça de Deus. Fixemos os nossos olhos em Cristo, pois Ele é o exemplo que devemos seguir, pois a nossa fé inicia e somente n’Ele se completará.
A nossa salvação foi conquistada ao aceitarmos Jesus. Ela está sendo desenvolvida ao incorporarmos a imagem d’Ele e será concretizada nos últimos dias. Mas precisamos de desenvolver a nossa vida com Cristo todos os dias, construindo a santidade a partir de uma renúncia à impiedade, para que a imagem de Jesus em nós seja manifesta. Construir uma vida sóbria a partir da presença do Senhor em nós, da direção do Espírito Santo e da transformação de atitudes, de posturas e ações que revelam uma natureza decaída e pecaminosa, mas, principalmente, carente da graça de Deus.
O caminho de um homem só pode ser endireitado e purificado pela observância à Santa Palavra de Deus. Porque ela é puríssima, tem o poder de purificação; porque ela é santa, tem o poder de santificação; porque ela é viva, tem o poder de regeneração. Igualmente, digna de inteira aceitação por sua fidelidade é o facto de que esta Palavra “vive e é permanente”. Os céus e a terra um dia passarão, mas esta Palavra não irá passar, daí que todos os que foram regenerados por ela terão vida eterna em Cristo Jesus. Louvado seja o Senhor pela regeneração mediante a sua Palavra que vive e é permanente.
2.     Somos Feitos da Palavra de Deus.
A Palavra de Deus é a espada do Espírito que regenera. Nós aprendemos que, quando ao crermos em Jesus como nosso Salvador e o recebemos em nosso coração, o Espírito Santo age pela Palavra plantada nos corações daqueles que a recebem… e faz produzir no homem uma nova criatura, com uma nova natureza, uma natureza segundo Deus. A Palavra de Deus tem poder! Mas ela só operara a regeneração em nós se permitirmos. Leia a parábola do semeador em Mateus 13 que fala de cada tipo de solo (beira do caminho, entre pedras, entre espinhos e terra boa). O que caiu em boa terra, este deu fruto a cem, a sessenta e a trinta por um. Não há como receber a Palavra de Deus sem experimentar a regeneração, pois a semente é a Palavra. Vejamos o que diz a Palavra de Deus em João 1:12-13: “Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome; os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus”.
Deus quer fazer a Sua Palavra brotar em si, mas a si compete-lhe recebê-la… A semente será plantada em seu coração, e a Sua Palavra se cumprirá. Então poderemos dizer: “Em Cristo, somos regenerados”. Nós nascemos de novo espiritualmente. Paulo diz, em 2 de Coríntios 5:17, que: ”E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura {criatura; ou criação}, as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas”. Portanto se alguém diz ser um cristão mas não é uma nova criatura, ele não é nascido de Deus. Qualquer coisa que contenha vida só pode florescer se abandonar a si mesma em favor do que há além de si, perdendo-se como um ser separado, embora continue vivendo em relação com os outros. A vida é o poder interior de alcançar e viver “além”. Esta é uma das passagens mais lindas da Bíblia. Se Alguém se converte, se alguém tem a sua vida regenerada, se alguém nasce de novo, se alguém é regenerado, o texto diz que é nova criatura. Então o que é ser uma nova criatura? É ser um regenerado, é nascer de novo. Graças a Deus por isso! Isto é um mistério tremendo, é uma revelação tremenda.
Pela Sua misericordiosa graça Deus nos gerou de novo, dando-nos um novo coração, tirando o nosso coração de pedra e dando-nos um coração de carne através de nossa morte e ressurreição em Cristo. “E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne. E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis” (Ez. 36:26-27). Esta profecia foi cumprida plenamente pelo Evangelho de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. “Porque já é manifesto que vós sois a carta de Cristo, ministrada por nós, e escrita, não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas nas tábuas de carne do coração. E é por Cristo que temos tal confiança em Deus” (2 Co. 3:3-4). E através de qual instrumento o Senhor aplica esta obra de regeneração em cada um de nós?
Respondo biblicamente: pela Palavra de Deus. “Porque a palavra de Deus é viva e eficaz, e mais penetrante do que espada alguma de dois gumes, e penetra até à divisão da alma e do espírito, e das juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração.” (Hb. 4:12). Entre todos os instrumentos mais eficazes e poderosos do mundo, nenhum se compara à Palavra de Deus. Ela é o martelo que esmiúça a penha, é a espada do Espírito, é o capacete da salvação, é o poder de Deus que gera vida. Deus criou os céus e todo o exército deles pelo sopro de sua boca. Ele disse: “Haja luz, e houve luz...”. O Senhor criou, cura, regenera, santifica e sustenta pela sua Palavra. Digna de inteira aceitação é a Palavra do Senhor. Também por ela os homens serão julgados diante do tribunal do Justo Juiz e Senhor de todos. A Palavra de Deus tem o poder de realizar tudo aquilo para o qual foi designada. Quando a palavra do Senhor é pronunciada de acordo com a Sua vontade, Ele mesmo vela sobre a mesma para o seu inteiro cumprimento. “E disse-me o Senhor: Viste bem; porque eu velo sobre a minha palavra para cumpri-la” (Jr. 1:12).
O Espírito Santo usa a Palavra de Deus para criar nova vida no coração humano. Uma vez que um ser humano nasce de novo, ele instintivamente clama a Deus pois agora ele é um filho do Pai. Arrependimento, fé e vida piedosa são os sinais de que o cristão está “vivo e bem”. A Bíblia mostra-nos que o Espírito Santo não apenas vem para nos iluminar e mostrar os nossos pecados, a nossa posição perdida e a nossa injustiça diante de Deus e dos homens, mas este Espírito é também enviado de Deus e derramado sobre toda a carne com o propósito de que o homem, em todo o lugar, seja salvo por Sua atuação (At. 2:17-18, 21).
O Apóstolo Paulo explicou quem nós éramos antes de ter Jesus. Efésios 2:1-2 diz: “Ele vos deu vida, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais andastes outrora, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe da potestade do ar, do espírito que agora atua nos filhos da desobediência”. Somos, na realidade, uma nova criação. Não somos mais quem éramos. É essa a expectativa ardente da criação.
O desejo de Deus é que todos tenham comunhão com Ele, mas isto só é possível através da regeneração, ou, novo nascimento. Disse Jesus: “… Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (Jo. 3:3). É impossível alguém dizer que está em comunhão com Deus, mas continua a viver seu modo de vida antigo, sem a experiência da regeneração, ou do novo nascimento.
3.  Somos Feitura ou Seja da Mesma Espécie de Jesus Cristo (Ef. 2:10).
A Epístola aos Romanos apresenta claramente a posição do crente em Cristo Jesus: está colocado além de toda a condenação. Não obstante, não podemos compreender verdadeiramente essa posição sem entender o que é a nova criação. Estamos nEle porque somos criados nEle. “Somos feitura dEle, criados em Cristo Jesus” (Ef 2:10). A velha criação era obra de Deus. Foi criada pelo Filho, mas não criada nEle. O pecado pôde introduzir-se nela, mas jamais entrará na nova criação, porque esta recebe de Cristo a vida e a natureza dEle.
O final de 2 Coríntios 5 mostra que existe estreita relação entre a reconciliação e a nova criação (ver também Ef. 2:15-16). A reconciliação consiste em que todas as coisas fiquem em harmonia com Deus. Isso só é possível por meio de uma nova criação que extraia tudo de Deus, uma criação em Cristo. Contudo, esta não pode ser estabelecida senão sobre uma base justa, depois de ter sido julgado o pecado que marcou a velha criação. A nova criação, como a reconciliação, tem a sua origem no amor de Deus e se fundamenta na justiça dEle.  
Assim como a reconciliação é um dos frutos da obra de Cristo por nós, a nova criação é o fruto da obra de Deus em nós, como demonstra 2 Coríntios 5 e Efésios 2. Todos estávamos espiritualmente mortos, é a mesma comprovação (2 Co. 5:14; Ef. 2:1). Deus nos deu uma vida nova e nos estabeleceu em Cristo; tal é a obra de Deus em nós: “Somos feitura dele”. A nova criação tem como fundamento a ressurreição de Cristo. Deus opera maravilhosamente nos crentes, os quais serão eterno testemunho de Sua justiça (2 Co. 5:21) e da “suprema riqueza da sua graça” (Ef. 2:7). 
A nova criação não é um “remendo” da velha natureza que é baseada no egoísmo, que vive para si mesma. As coisas velhas desaparecem e dão lugar às novas, que são inteiramente de Deus. Fundamentalmente, a nossa vida de crentes tem como centro a Cristo: não vivemos mais para nós mesmos, mas sim para Ele, estando constrangidos pelo Seu amor (2 Co. 5:14-15). Isso é também verdade com respeito a Cristo. Ele se humilhou uma vez nas circunstâncias da velha criação, estando entre nós segundo a carne (Rm. 9:5). No final de Sua vida perfeita e santa, morreu sob a sentença que condenava a velha criação, “o justo pelos injustos” (1 Pe. 3:18). Dessa forma, Ele estabeleceu os fundamentos da nova criação nEle mesmo, ressuscitando dentre os mortos. Adquiriu, assim, um caráter novo e celestial. 
Se aceitou Jesus como seu salvador pessoal e Senhor com certeza muita coisa já mudou em sua vida, todas as coisas se fizeram novas. Uma delas é a de ter sido recebido como filho de Deus. No sentido verdadeiro da Palavra quero dizer que você é um filho de Deus agora, recebeu uma vida de natureza diferente. O espírito de Deus o guiará a toda verdade que está na Palavra de Deus para que possa tomar posse de tudo o que Jesus conquistou para si na cruz do calvário. Através de sua morte e ressurreição. Em Cristo você é mais do que vencedor. O Senhor nos conhece desde antes da fundação do mundo. Ele nos predestinou em amor, nos criou para as boas obras. É isso o que diz em Efésios 2:10: “Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para as boas obras as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas”.
Somos “feitura” de Jesus Cristo e não do diabo; esse é o sentido da palavra grega aqui traduzida como “obra”. Fomos criados para as boas obras, elas foram planeadas para nós, e a nós apenas nos incumbe vivê-las.
Tudo o que existe passou a existir por meio da Palavra de Deus. Deus falou e as coisas foram criadas. Sempre que tomarmos a palavra viva que sai da boca de Deus e nós a recebemos estamos recebendo o próprio Deus dentro de nós, portanto, alguma coisa que não existia passa a existir. Isso é realmente maravilhoso. Deste modo, podemos dizer que o material que Deus usou para nos regenerar foi a Sua Palavra, e o lugar onde fomos criados espiritualmente foi Jesus. Paulo disse que partir e estar com Cristo é muito melhor do que continuar nessa terra amaldiçoada pelo pecado (Fp. 1:23). Ou seja, devemos viver a vida apenas como uma jornada em direção ao céu… para a qual devemos subordinar todas as outras questões da vida. Quando fixamos a nossa mente no céu e vemos o presente à luz da eternidade, mesmo as pequenas escolham tornam-se tremendamente importantes.
Agora percebo que a vida não é apenas tempo nem apenas matéria, que as minhas origens estão muito para além do acaso e da energia, por causa d’Ele. Para mim Jesus é muito mais do que Mestre ou do que um Modelo e Exemplo de vida. Mais do que o Mestre, o Modelo e o Exemplo, Ele é o Salvador, o que me tirou e tira de uma vida sem sentido, vazia e condenada à morte. Ele é a fonte da minha esperança. Acreditemos n’Ele com os olhos abertos e com os olhos fechados. Ele abriu e abre a nossa mente muito para além do que nós podíamos pensar por nós mesmos. Ele dilata os nossos horizontes muito para além do que nós podíamos ver. Ele expande o nosso coração muito para além do que nós podíamos alcançar através do nosso próprio esforço. Ele leva-nos a sentir muito mais do que nós seria capazes de sentir contando apenas com a nossa capacidade. Em Efésios diz que fomos criados em Cristo Jesus – fomos feitos n’Ele. Ele é o lugar da nossa criação no espírito. Somos, de facto, da família de Deus.
Perante Ele não é possível manter a ideia de que a vida é um absurdo, um acidente, produto do acaso, uma viagem do nada para o nada, sob o signo da morte, porque Ele mesmo a Si mesmo se apresentou como a vida. Em Jesus temos a exaltação da vida. Ele é a vida. Ele veio para que tenhamos vida e vida com abundância. Ele é o pão da vida e a água viva que alimenta o esfomeado e mata a sede do sedento. A vida que Ele é e dá, não se restringe ao tempo, é eterna porque é Deus.
Na criação da mulher, lá no Éden, as Escrituras dizem que o Senhor fez cair profundo sono a Adão e, tomando uma das costelas e fechando o lugar com carne, a transformou numa mulher. Ao ver a mulher, Adão disse: “Esta, afinal, é osso dos meus ossos e carne da minha carne; chamar-se-á varoa, porquanto do varão foi tomada”(Gn. 2:23).
Deus veio e tirou Eva de Adão. Eva foi feita de Adão. O material que Deus usou para fazer a mulher estava em Adão, em vez de usar o pó da terra. E quando Deus trouxe a mulher que Ele havia construído para Adão, este ao vê-la, com certeza que vibrou, reconhecendo, que ela afinal era osso dos seus ossos e carne de sua carne. Esse facto estabelece uma analogia linda para o estabelecimento de criação, e formação da Igreja de Cristo, que era para ser a noiva do segundo Adão, Jesus Cristo, pois, da mesma forma que Eva foi criada de Adão, a Igreja foi criada em Cristo. Hoje quando Jesus olha para a igreja, ele pode ter o mesmo sentimento de Adão e dizer: “essa afinal é osso dos meus ossos e carne da minha carne”.
No hebraico, a palavra para ‘osso’ é a palavra “etsem”, e dois dos seus significados são: ‘essência e substância’, que espiritualmente refere-se ao âmago de nosso ser. Ou seja, somos da mesma essência e substância de Jesus, o nosso Senhor. O que Deus nos quer mostrar é como os filhos d’Ele são por dentro, no espírito. Há uma natureza em nosso interior, em nosso espírito humano, que é formada da Palavra de Deus e tem em si a substância da Palavra de Deus. É a natureza de Deus, vencedora contra as doenças...
4.      Permanência em Cristo
A permanência em Cristo é essencial para a oração que agrada a Deus e consegue respostas. Tentar cultivar a oração sem intimidade com Cristo e sem permanência Nele é como tentar cultivar palmeiras na Sibéria. O clima está errado. Permanência quer dizer manter em harmonia a vida que compartilhamos com Cristo, ou seja, tentar ao máximo seguir os Seus passos e obedecer aos Seus ensinamentos; “Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.”
Permanecer em Jesus é essencial para viver e frutificar. “Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer” (15:4-5). Não se trata de duas coisas distintas: de um lado a videira, do outro, os ramos. Não! Videira sem ramos não existe. Nós somos parte de Jesus. Jesus é o todo. Para que um ramo possa produzir fruto, deve estar unido à videira. Só assim consegue receber a seiva. Assim, também, Cristo provê a vida e a força de que precisamos para uma vida de obediência, vida produtiva, e vida de oração eficiente. “Sem Ele não podemos fazer nada”! Para produzir fruto precisamos de manter uma ligação ininterrupta, uma relação ativa e constante com Jesus.
Essa porção do ensino de Cristo fala da necessidade de frutificação, algo que todos os que professam fé Nele deveriam desejar. Esta frutificação está crucialmente ligada à permanência em Jesus Cristo; e é uma das formas de testemunhar de um verdadeiro relacionamento com Deus no poder do Espírito Santo. É desta forma que o cristão fiel é diferido do cristão nominal. Este capítulo traça uma linha bastante clara entre religião cristã (marcada por certos hábitos que pretendem confirmar a fé em Cristo), e relacionamento vital com Cristo (marcado pela prática constante de uma dependência do Senhor e de frutificação Nele).
Assim como um ramo tira a sua fonte de vida da videira, os crentes devem permanecer ligados a Cristo para a sua vida fluir através deles, acendendo neles a chama ardente do desejo pelo maior dom que podemos receber mediante a oração, que é uma experiência mais rica com o próprio Deus, que é experimentar um relacionamento íntimo com o Senhor Todo-Poderoso, e produzir frutos espirituais. Ou seja, nós somos a extensão de Jesus na Terra. Este é a maior dádiva, o maior privilégio de quem é membro de Seu Reino, e de Sua família.
Deste modo, nós precisamos constantemente do auxílio do Espírito Santo para obtermos o entendimento de que estamos nos trilhos com o Senhor. Nós necessitamos do poder do Espírito Santo para a frutificação em nossas vidas. Nós devemos exercitar a salvação que o Senhor nos concedeu e buscarmos em constante dependência e permanência em Cristo, a frutificação que Deus Pai tanto espera. Lembremo-nos da parábola do ‘joio e do trigo' (Mt. 13:36-43). Todos os que se chamam cristãos podem até possuir a mesma aparência, pois o joio é muito parecido com o trigo e vice-versa. Contudo, somente o trigo pode produzir frutos, frutos estes que alimentam e abençoam vidas e que glorificam ao Senhor. Oremos para que o Senhor no ajude neste processo de frutificação, pois este milagre em nossas vidas é resultado unicamente do poder do Senhor agindo em nós (2 Co. 3:5).
Paulo, debaixo desse entendimento, colocou a Igreja como o Corpo de Cristo. Ele é a Cabeça e nós somos o Corpo. Os ramos têm a mesma essência do caule, e o corpo tem a mesma essência da cabeça. Paulo diz, em 1 Coríntios 6:17: “Aquele que se une ao Senhor é um espírito com ele”. Os ramos “vivem e se movem e têm seu ser” (At. 17:28) apenas pela vida da videira.
Permanecer em Cristo significa, portanto, chamar a força sobrenatural da presença do Senhor e caminhar a cada momento na liderança do Seu Espírito (Sl. 62:5). Enquanto cultivamos o nosso relacionamento com Cristo, Ele remodela os nossos pensamentos e desejos para que estejam em harmonia com os Dele.
A permanência em Cristo é baseada na fé, na confiança Nele, para que nos dê força e vitória, direção e eficácia. Significa dependência, ao invés de independência. Paz e descanso Nele no meio das pressões e perturbações que nos assolam. Significa pensar e agir na convicção de que é Ele quem controla, não nós ou as circunstâncias. Se permanecermos Nele não precisamos de empurrar as coisas, nem manobrá-las num auto-esforço frustrante. Permanecer Nele significa dizer não ao desespero e ter a certeza de um desfecho gracioso.
Quando fomos salvos, Deus não apenas nos regenerou e nos deu vida eterna, mas Ele nos fez um espírito com o Senhor. A Primeira Epístola aos Coríntios diz-nos que não somente nos tornamos um espírito com Cristo, mas que também nos tornamos membros do Seu Corpo (12:27). Em 1 Coríntios 6:15 temos a mesma palavra. Essa passagem diz que nosso corpo é membro de Cristo. Assim, quando um incrédulo é salvo, recebeu não apenas regeneração e a vida eterna de Deus, mas ao mesmo tempo é unido ao Corpo de Cristo para se tornar um membro do Corpo de Cristo. A Bíblia diz que nós somos o Corpo de Cristo.
A Bíblia mostra que fomos criados pelo poder criador de Deus, através da Sua Palavra, e a condição da verdade é o nosso ‘habitat’ no espírito. Nascemos de novo e através das Sagradas Escrituras aprendemos que Deus providenciou tudo para desfrutarmos uma vida espiritual rica e plena; entretanto, esse potencial está sujeito a crescer, a desenvolver-se e a amadurecer.
Quando alguém convida o Espírito Santo para assumir e manter o controle da sua vida, está tomando uma posição para se desenvolver espiritualmente, pois passa a receber nutrição espiritual e a viver num ambiente que estimula o seu crescimento. Ele amadurece quando reage positivamente à vontade do Espírito que o leva a ter experiências espirituais mais profundas. Podemos hoje viver espiritualmente do que Deus nos diz, exercendo a fé a cada dia, pois o justo viverá por fé (Hb 10:38). Fé é a condição que Deus deu ao nosso espírito humano de operar n’Ele.
Tudo o que era necessário fazer para a plena e completa restauração do homem, para entrar pela porta da fé na nova vida em Cristo, um novo e mais elevado plano de vida, o Senhor Jesus o fez através da Sua obra redentora na cruz e na ressurreição. Precisamos de nos unirmos a Cristo. Há um reservatório de poder à nossa disposição, e não devemos permanecer na escura, fria e sombria caverna da descrença, ou não seremos alcançados pelos brilhantes raios do Sol da Justiça. Tudo está feito. A obra está consumada, e um dos maiores trabalhos do Espírito Santo é nos conduzir, passo a passo, para dentro da nossa herança em Jesus.
A velha natureza herdada em Adão não tem nenhuma condição de acesso às coisas do Espírito, enquanto não for crucificada e sepultada com Cristo (Rm. 6:6). Ela é, na verdade, contrária ao Senhor. Porém, na nova natureza Deus colocou a fé, que é o caminho de entrada na herança deixada para nós no Evangelho. Quando Jesus morreu, Ele abriu um novo caminho de entrada para o homem, para se unir a Cristo (1 Co. 6:17), para ser como Ele (1 Jo. 4:17), para dentro de Deus, onde tudo é possível.
Nós somos feitos um com Jesus, estamos nele, e ele está em nós. Nós temos a sua natureza, o seu caráter, a sua autoridade, o seu poder e todo Ele dentro de nós. A vida cristã é sobre vivermos o que Deus tem realizado dentro de nós. Isso é o que Paulo queria dizer quando ele disse: “Andai em Espírito, e não satisfareis os desejos da carne. Andai de acordo com a vossa nova natureza. Pensai nas coisas do alto e não nas coisas terrenas; a vossa vida está oculta com Cristo em Deus” (Cl. 3:1-3). Sempre que Deus nos diz para fazer alguma coisa, também é seguido pela vontade de fazê-lo. A parte 'vontade' da equação é a nova natureza que Deus coloca dentro de nós quando nascemos de novo (Ez. 36:25-27).
Há uma herança conquistada para nós na cruz. Quando Jesus pendurado na cruz disse: “está consumado”, Ele completou a obra. Hoje, podemos ter acesso ao descanso que temos no Evangelho em todas as áreas das nossas vidas. Tudo é uma questão de crermos e vivenciarmos a nossa fé no nosso dia-a-dia com a simplicidade da criança que confia no que seu pai afirma. Se Deus diz que está consumado, então está. Em Cristo somos perdoados, sarados, libertos, enriquecidos... e recebemos tudo o que precisamos para servir a Deus em plena vitória.
O amor de Deus nos mostra a provisão de Deus. Se houver somente a necessidade sem a provisão, nada pode ser feito. Mas se existe a provisão sem a necessidade, aquela será desperdiçada. A salvação é cumprida e o evangelho é pregado devido aos dois maiores factos do universo. O primeiro é que o homem pecou e o segundo é que Deus ama o homem. Estes dois factos são imutáveis. São dois factos enfatizados na Bíblia. Se for derrubada qualquer uma das extremidades, a salvação se perderá. Não há necessidade de que ambas as extremidades sejam derrubadas. Uma vez que uma delas se vai, não haverá a possibilidade de a salvação ser realizada. Deus tem o amor e o homem tem o pecado. Por haver estes dois factos, existe a salvação e existe o evangelho.
Quando vemos a cruz, é correto dizer que ela é a justiça de Deus. É também correto dizer que ela é a graça de Deus. A cruz significa a justiça de Deus e ela também significa a graça de Deus. Para Deus, a cruz é justiça; para nós, ela é graça. Hoje quando vemos a cruz, nosso coração descansa, pois sabemos que a graça que recebemos foi recebida mediante a maneira justa de Deus. Sabemos que a nossa salvação é clara, completa, adequada e justa. Nossa salvação não vem mediante contrabando ou fraude. Pelo contrário, ela vem pelo julgamento sobre o pecado. Louvado seja o Senhor! A cruz resolveu o problema do pecado e a ressurreição confirmou que a solução é de facto verdadeira.
O Espírito Santo em nós tem dois aspectos. Por um lado, Deus põe Seu Espírito Santo em nós como selo para provar que Lhe pertencemos; por outro, Deus O coloca em nós como penhor (garantia) a fim de que possamos saber que tudo o que Ele nos dá é garantido. Qualquer pessoa pode ver que esses dois aspectos são diferentes. Por um lado, o Espírito Santo faz com que Deus saiba que pertencemos a Deus; por outro, o Espírito Santo faz com que saibamos que pertencemos a Deus. Já vimos o Espírito Santo como o selo, agora queremos vê-Lo como o penhor.
5.     A bênção do Senhor Enriquece
Tenho pena de quem não consegue se libertar das assolações de Satanás. Ele adora distorcer tudo, fazer com que o ser humano se enfie num poço de vergonha e ainda quer fazer as pessoas acreditarem que com ele estão no melhor caminho. Não sei como ele conseguiu convencer um terço dos anjos do céu a seguirem-no para o inferno. E o pior é que ainda hoje, ele consegue convencer muito de que Jesus não é o melhor caminho para uma vida abundante e completa.
Só há uma forma de vencermos as baixarias de Satanás na família, no emprego, na vida financeira, na vida espiritual, enfim, em todas as áreas da nossa vida: é fazer do Deus altíssimo o protetor das nossas vidas e de tudo o que nos pertence.
A Bíblia é categórica ao ensinar que o povo cristão é um povo abençoado. Fomos abençoados com todas as bênçãos espirituais em Cristo Jesus (Ef. 1:3). Portanto, ser próspero segundo o planeamento de Deus é muito mais do que semear sementes financeiras no seu Reino; é abraçar um estilo de Vida e praticar uma devoção sincera e contínua a Deus. As sementes financeiras fazem parte desse contexto e precisam de ser semeadas por pessoas em devoção e comportamento pautado pelos princípios da palavra de Deus. Dessa forma haverá plena e total prosperidade e o desejo do apóstolo João sobre a vida de Gaio torna-se uma realidade concreta sobre todos os crentes: ” …desejo que te vá bem em todas as coisas, e que tenhas saúde, assim como bem vai a tua alma” (3 Jo. 2).
No Salmo 91 Deus diz que aquele que faz dEle o seu refúgio será guardado pelos Seus anjos, a violência não chegará perto da sua casa, seus pés não serão feridos nas pedras.
Este texto me alegra muito, porquanto podemos estabelecer um padrão a respeito do que é e do que não é bênção do Senhor, porque quando é bênção do Senhor o resultado tem que ser enriquecimento, de qualquer natureza, mas sem que haja desgosto, outra tradução diz: “não traz consigo dores”. Sendo assim, podemos entender que esse enriquecimento não é aquele trazido pelo sofrimento como muitos poderiam sugerir. Basta que exerçamos a fé e nos apropriemos da bênção.
Quando Cristo nos prometeu salvação, ele nos prometeu uma salvação total e completa, em todas as áreas das nossas vidas, seja ela sentimental, material ou espiritual. Fomos comprados na cruz, libertos na cruz, abençoados na cruz, curados na cruz, perdoados na cruz, resgatados do reino das trevas e trazidos para o reino da luz, somente por isso já teríamos motivos de sobra para crer no poderoso amor de Deus. Crer no poder da cruz, é crer no poder sobrenatural desse amor de Deus, é crer que somos o que somos porque Ele nos amou.
O texto de Efésios 1:3 garante-nos que Deus já nos abençoou com toda a sorte (tipo) de bênção (discurso de prosperidade). Ora, isso quer dizer que seja lá qual for a bênção que almejamos alcançar, a boca de Deus já liberou a Palavra necessária para que isso se manifeste em nossa vida. Sua Palavra não volta vazia (Is. 55:11), pelo contrário ele mesmo vela para cumprir a sua Palavra (Jr. 1:12). A palavra de Deus vem para realizar o que lhe agrada e para progredir em todo o propósito para a qual Deus a enviou.
Nosso Deus é um Deus de bênçãos e não de maldições. É um Deus de paz e alegria e não de conflitos e tristeza. O Senhor quer nos estabelecer como filhos e filhas benditos e abençoados na face da Terra, como objetos do Seu louvor onde estivermos. Infelizmente, muitos estão na Igreja de Jesus reclamando constantemente da vida, declarando que eram mais felizes e viviam melhor quando não estavam na Igreja, quando estavam afastados de Jesus. Contudo, é impossível que a presença de Jesus traga infelicidade e dores à vida de alguém.
Servir a Deus é algo muito prazeroso mesmo! Não estou dizendo que não há lutas e provações. Sim, elas existem e, volta e meia, estamos envolvidos em alguma prova de nossa fé. Porém, isso não significa que estaremos frustrados e sobrecarregados na obra de Deus, que barganhemos com Deus, e queiramos que ele nos atenda no nosso tempo. Sim, há momentos de lágrimas, durante os quais o Senhor compartilha um pouco connosco o peso do Seu coração; porém, o sentimento íntimo de satisfação por estar fazendo a vontade de Deus é algo simplesmente incomparável! Afinal, Cristo é a nossa condição aqui na terra, Ele é a nossa habitação celestial para vivermos.
É verdade que o Senhor nos diz que neste mundo teremos aflições, mas que também deveríamos ter bom ânimo, pois, como Ele, venceríamos o mundo (Jo. 16:33). Também é verdade que Ele veio para nos colocar por cabeça e não por cauda e para nos dar vida, e vida em abundância! (Dt. 28:13; Jo. 10:10). Por isso, de certa forma, poderíamos dizer que é inconcebível que alguém possa, ao mesmo tempo, estar com Cristo e com a maldição, ou que, em sendo abençoado por Deus, esteja sofrendo.
Servir a Deus é lançar sobre Ele a nossa ansiedade, e crer que Ele tem cuidado de nós. Soltemos o controle de nossas vidas, porque já que temos controlado até hoje e nada tem dado certo, o que nos resta é confiar na soberania de um Deus que não vemos mas que sabemos que existe, por suas marcas em nossa vida, por suas marcas na história, por suas pegadas e seu rasto que não nos deixa em duvida acerca de quem nos tem sustentado. Solte o controle da sua vida nas mãos do mestre, Ele sabe como parar a tempestade, e simplesmente creia, que pelo poder desse amor, pode chegar muito mais longe do que tem chegado, e receber essa bênção, desse Deus que nunca nos pedirá nada em troca por nos amar incondicionalmente. A obra que Deus planeou para que viva aqui na terra terá todo o respaldo d’Ele e, saiba de uma coisa, a missão que o Senhor tem para si aqui será recheada de muita alegria e contentamento no Espírito Santo. As Escrituras dizem (Pv. 10:22): “A bênção do Senhor enriquece, e, com ela, ele não traz desgosto”.
Nosso Deus, através de Cristo Jesus, nos introduziu no caminho da bênção, da conquista e da vitória, jamais da maldição, do fracasso, da perda. Não é por meio dEle que chegamos às dores e à maldição, senão por nós mesmos. A bênção e a maldição estarão sempre diante de nós e viver uma ou outra é opção nossa, mas a opção de Deus é sempre a bênção para seus filhos e filhas (Dt. 30:19).
Há um caminho para a bênção e outro para a maldição e a escolha do caminho será sempre nossa. Um caminho estreito, difícil, mas com um fim glorioso, de grande bênção e satisfação. A palavra do Senhor nos revela que tanto a bênção como a maldição é oferecida por Deus diante de nós, dando-nos a plena liberdade de escolha, e não há mistério nenhum nisso. Ensina-nos que para vivermos em paz, para recebermos as suas bênçãos aqui na terra e nos dias futuro a vida eterna, a única coisa que precisamos fazer é ouvir a sua voz, guardar os seus mandamentos e segui-lo. Dependendo dos princípios que sustentam a nossa caminhada, poderemos enveredar por um ou por outro caminho. Se cremos em Jesus, que é o caminho para a vida, passamos do caminho largo para o caminho estreito, que é o caminho da obediência e que conduz à vida.
A única coisa que Deus espera de si é que creia e se achegue a ele e receba de graça a paz que dura para sempre, e tudo o mais que Ele conquistou para si na cruz do calvário. Olhe com atenção o que está escrito em 2 Coríntios 8:9: “Porque já sabeis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo que, sendo rico, por amor de vós se fez pobre; para que pela sua pobreza enriquecêsseis”.
Todo o nosso relacionamento com o Senhor é por fé, e é justamente esta fé que nos introduz e consolida nos planos eternos e perfeitos de Deus (leia Rm. 1:17; Hb. 11:3 e 6). As bênçãos do Senhor nos alcançam pela nossa fé neste Deus que nunca falha, porque é Perfeito em toda a Sua essência. Quando de facto cumprimos todas as condições descritas na Sua santa Palavra, o Senhor nos promete que todas as bênçãos nos alcançarão. Se elas nos alcançarão, isso nos mostra que nós estamos correndo mais rápido e no mesmo sentido delas. Então é nisso que nós devemos colocar os nossos olhos, é na bênção de Deus, porque se temos a bênção do Senhor, vamos prosperar, a tempo ou fora de tempo. Em tempo de crise ou em tempo de abundância, vamos ter sempre o nosso quinhão. E não é só isso, vamos ter alegria, vamos ter paz e capacidade de gozar a prosperidade que temos. E a Bíblia diz que isso é dom de Deus.
Muitos simplesmente não recebem as bênçãos de Deus por causa da incredulidade que os visita e afasta do é possível de Deus. Em Hebreus 11 vemos que foi pela fé que nossos irmãos do passado entraram no território da bênção e da providência de Deus. Fé no Senhor é a base principal para nosso relacionamento com Ele.
Em Cristo, todos os propósitos de Deus a nosso respeito se cumprem, as bênçãos de Deus nos alcançam. Ter um propósito firme é fundamental para o nosso sucesso. Em Cristo, somos mais que vencedores, somos feitos filhos do Deus vivo, somos salvos da condenação eterna, vencemos o maligno, a carne, o mundo, o pecado e somos libertos, curados, prósperos e nos tornamos autoridades espirituais na Terra, isto é: agentes proféticos de mudanças, ungidos e comissionados por Deus para atrairmos a Sua glória e manifestarmos o Seu poder entre os homens. Se não entrarmos em aliança com Deus, jamais veremos cumpridos em nossas vidas os Seus propósitos eternos.
Ao ficar pobre lá na cruz, o Senhor Jesus liberou toda a sua riqueza para nós. Fomos enriquecidos em Jesus. Em todas (mas todas mesmo) as áreas das nossas vidas.
Temos uma herança em Jesus. Não existe nenhuma situação adversa que esteja passando que Jesus já não tenha vencido por si na cruz do calvário. Saiba com toda a certeza e convicção: Jesus já venceu essa exata situação que talvez esteja vivendo hoje.
Louvado seja o Nome do Senhor! Linda é a nossa herança no Evangelho, pois no reino de Deus o Senhor preparou tudo o que precisamos para viver em vitória. Não é suficiente ter um grande computador de última geração, se não tiver o programa que faz a máquina operar. O nosso espírito humano hoje, pela operação do Espírito e da Palavra, está habilitado a receber a Verdade de Deus e a operar nela, assim como quando eu instalo um programa no meu computador e ele pode então operar aquele programa específico. Nosso espírito humano está habilitado a receber e a operar na Verdade de Deus, através da obra redentora de Jesus na cruz. E a fé é o ambiente da nova natureza. Quando recebemos a Palavra de Deus em nosso íntimo podemos nos lançar nela, pelo exercício da nossa fé. Podemos viver na dimensão da nova natureza em Jesus pelo nosso andar no Espírito Santo.
6.     Só Há Duas Maneiras de Viver
Em toda a Palavra o Senhor trabalha para fazer uma distinção clara entre a vida no Espírito e a vida na alma. As Escrituras começam por nos apresentar, no primeiro versículo, dois níveis de vida. Ela começa assim: “No princípio, criou Deus os céus e a terra” (Gn. 1:1).
Podemos viver na dimensão celestial ou na dimensão terrena. A dimensão da alma e a dimensão do Espírito são totalmente reais e tangíveis em nosso viver diário. Ambas são alcançadas pela escolha que fazemos. Portanto, a dimensão onde viveremos é escolha de quem nasceu de novo. Há duas maneiras de viver. Isso se tornou possível depois da obra redentora de Cristo. Podemos viver na dimensão da alma ou na dimensão do Espírito. E isso em todas as áreas das nossas vidas. De acordo com o apóstolo Paulo em Romanos 8:13 podemos viver na dimensão celestial, “se pelo Espírito mortificardes os feitos do corpo, certamente vivereis”, ou na dimensão terrena, “se viverdes segundo a carne, caminhais para a morte”.
Porque, enquanto estivermos neste mundo, teremos sempre necessidade do uso de nossa mente, e de expressar nossos sentimentos e emoções, e também de fazer um uso apropriado da nossa razão, que são faculdades da alma, uma vez que enquanto permanecermos neste corpo de carne e sangue, necessitaremos de usar a nossa mente para ajudar o espírito. Não a mente natural e corrompida que herdamos de Adão, mas a mente renovada pelo Espírito Santo e pela Palavra de Deus.
Se a vida eterna, a vida que Deus planeou desde antes da fundação do mundo, para o homem, depende da habitação do Espírito Santo no homem, e da plena comunicação do homem com o Espírito de Deus, então, a conclusão lógica é que não haverá nenhuma vida onde Cristo não estiver habitando pelo Espírito.
A ênfase de Paulo nessa carta é que esse povo exclusivo, que é a Igreja de Jesus Cristo, tenha uma vida santa e piedosa, para que Deus se manifeste ao mundo através de Cristo em nós. Podemos ter a certeza de que Deus tem muitos planos maravilhosos para a nossa vida, porque Ele nos escolheu para sermos parte de um povo especial e frutífero, através de quem Ele se manifesta ao mundo.
No capítulo dois Paulo mostra os padrões para viver como Cristo, e diz que isso envolve humildade, amor e igualdade: “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, cada um considerando os outros superiores a si mesmo” (Fp. 2:3). Paulo não estava falando sobre timidez ou baixa estima, mas sobre um tipo de amor altruísta e sobre a humildade que encoraja outras pessoas.
Pois ser cristão é viver na dimensão celestial, na dimensão da eternidade. Jesus deixou claro que é possível viver numa dimensão espiritual totalmente conectada ao Pai e ao Espírito Santo, sendo assim, cabe a nós vivermos a nova identidade como filhos de Deus, assim o sobrenatural será algo natural em nossas vidas.
Investir, porém, nas coisas invisíveis e espirituais, é investir para a eternidade. Jesus diz que devemos ajuntar tesouros lá no céu, pois o céu é a nossa origem e o nosso destino. O céu é o nosso lar e a nossa pátria. Nosso Senhor está no céu. Muitos dos nossos irmãos já foram para o céu e nós, que fomos remidos e lavados no sangue de Jesus estamos a caminho do céu. Lá está o nosso tesouro. Lá está a nossa herança. É lá que devemos investir o melhor do nosso tempo e dos nossos recursos. Atentar apenas nas coisas que se veem e que são temporais é viver sem esperança no mundo; mas buscar as coisas que os olhos não veem nem as mãos apalpam é viver na dimensão da eternidade, com os pés na terra, mas com o coração no céu!
Antes do novo nascimento, não tínhamos opção; estávamos mortos espiritualmente, e a Palavra do Senhor não podia nos estimular no espírito como ela nos tem estimulado hoje. Antes que o Evangelho entrasse em nós, o nosso espírito humano estava apagado, morto, sem a vida de Deus. A nossa única opção era a vida da alma, e o natural era a nossa vivência diária.
A velha natureza, ligada ao primeiro Adão, é cega, perdida, e está irremediavelmente caída e mergulhada nas trevas; só através do novo nascimento nos libertamos do poder da velha natureza. Mas em Cristo tudo mudou! Ele é tudo em nós; estamos revestidos d’Ele. Ele é a nossa condição! Como precisamos de entrar numa vida no Espírito para que a nossa alma seja ganha para a Verdade! Como está escrito: “A lei do Senhor é perfeita e restaura a alma” (Sl. 19:7).
É possível que a nossa alma fique salva do poder da velha natureza, mas só uma vida no Espírito Santo nos levará a essa condição. Jesus disse: “É na vossa perseverança que ganhareis a vossa alma” (Lc. 21:19).
Em Génesis vemos duas árvores extremamente representativas: A árvore do conhecimento do bem e do mal – representando a vida da alma – e a árvore da vida – representando uma vida no Espírito. Esse padrão segue em vários lugares da Palavra de Deus de uma maneira muito clara. Caim e Abel, Ismael e Isaque, Esaú e Jacó. Todas essas pessoas são sombras que apontam para o facto de que podemos viver na alma ou no Espírito. Hoje, pelo novo nascimento, podemos escolher uma vida em Deus, e não uma vida na carne. A opção é nossa em Cristo Jesus, ou seja, pela graça que nos foi dada n’Ele.
A nova criação, suprema esperança de todos os redimidos, é o último ponto a que o Evangelho nos conduz. Logo será vista concretizada no céu; mas nós já temos o privilégio de formar parte dela espiritualmente. 

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O Derramamento do Espírito


Tem o Seu Preço
Texto: Joel 2:12-17, 28-29.
Introdução
O nome Joel significa “o Senhor é Deus”. É provável que Joel tenha vivido e profetizado em Jerusalém. Teria, assim, em sua mocidade, conhecido Elias e Eliseu. Data provável: 830 anos antes de Cristo, ao tempo do rei Joás.
Joel tem sido chamado de “o profeta do avivamento”. Ele compreendeu que o arrependimento sincero é a base da verdadeira espiritualidade e era para que isto acontecesse com o seu povo que ele se esforçava. O conteúdo básico de seu livro é o apelo ao arrependimento. Estudando com interesse suas grandes lições seremos edificados.
Diz o texto bíblico: “E acontecerá depois, que derramarei o meu Espírito sobre toda carne...”. Esse “depois” é sugestivo, pois significa que depois que acontecer algo, vem o esperado e desejado derramamento do Espírito Santo. Esse algo que, primeiramente, se faz, para que, depois, aconteça o derramamento do Espírito, é o preço a ser pago para que o Espírito seja derramado. Não há derramamento do Espírito sem preço. Mas se houver em nós a decisão e o firme propósito de mudarmos, porque desejamos um reavivamento genuíno, podemos contar com a graça e a provisão de Deus, que nunca desampara quem quer mais da Sua vida. Deus nos disponibilizou o Sangue de Jesus, o Nome de Jesus, a Sua Palavra e o doce Espírito Santo. Aproprie-se dessas maravilhosas “ferramentas” divinas e encerre o ciclo do pousio em sua vida e história.
Avivamento não é algo superficial. Avivamento não é movimento de homens, não é inovação, não é barulho, não é construção de templos, não são conjuntos musicais, não é um programa metódico pré-elaborado. Avivamento é a obra direta do Espírito Santo no coração do crente. Avivamento é a presença do Espírito Santo na Igreja, é o retorno à simplicidade, é o fogo ardendo no altar, é a sarça ardendo no Horebe, é o machado de volta ao cabo, é descer à casa do oleiro, é sentir os lábios queimando como uma brasa viva, é ouvir um som de um vento, é o encher do Espírito! Ele não é dado sem que primeiro haja um sério preparo da igreja. Avivamento é preparar o caminho do Senhor para que ele se manifeste (Lc. 3:4). Avivamento implica mudança radical de vida. Comece agora mesmo. Sonde seu coração. Valorize todo e qualquer pecado. Confesse-os. Arrependa-se. Peça e aproprie-se do perdão. Resolva no mesmo instante não mais pecar. Não pare de sondar-se enquanto não sentir o seu espírito regozijando no Senhor. Faça os acertos necessários. Aplique-se à uma vida devocional ajustada, baseada na oração, jejum, meditação na Palavra de Deus, discipulado eficiente. Decida prestar contas de sua vida com vistas ao crescimento no caráter cristão. Nunca espere que Deus aja miraculosamente no seu coração, sem a sua conivência. Você tem participação ativa! Faça a sua parte!
Uma Igreja morta espiritualmente é ultraje ao Evangelho de Cristo, O avivamento é a vida ideal para o povo de Deus. A necessidade do avivamento sempre se fez sentir na igreja de Cristo. Quando os ventos do Espírito Santo sopram sobre o povo, sobre as brasas recobertas de cinzas, reascende os carvões que se avivam e ardem a dão calor, Deus revela toda a sua misericórdia e grandeza, e fica suficientemente demonstrado que o único caminho para os homens é o filho de Deus o qual vive para todo o sempre.
Eu creio que o livro de Joel é um referencial para nós sobre o que é o derramamento do Espírito e o seu verdadeiro preço. Se queremos ver as torrentes de Deus caírem sobre a igreja, não podemos con­tornar esse caminho, escapar por atalhos ou remo­ver essas marcas. Então, vejamos o que Joel nos ensina sobre o preço do derramamento do Espírito Santo:
1. O Derramamento do Espírito é Precedido de uma Consciência de Crise.
Esta mensagem irá abalar seu coração, pois seu transmissor foi um profeta de nome Joel. Fortes palavras irão inundar a sua vida, pois a boa e agradável palavra de Deus tem que causar um efeito em nossas vidas. Não podemos ouvir, ou ler uma mensagem vinda da parte de Deus e ficarmos da mesma maneira que estávamos. Precisamos de nos deixar sermos impactados com o poder desta palavra milagrosa.
Quando o profeta Joel pregou suas mensagens, a situação económica era desesperadora, em razão de um ataque de gafanhotos sem igual. Ele parte deste facto para alertar o povo para a prática da santificação, do quebrantamento, e de maior submissão ao Senhor (1:14), mensagens que tornam o livro muito atual. Joel também anuncia o dia do Senhor e previne sob a iminência de um ataque militar que viria por parte de uma nação estrangeira e termina o livro com a preciosíssima mensagem sobre o derramamento do Espírito Santo.
Joel está descrevendo uma crise avassaladora que sobreveio a Israel, como consequência do juízo de Deus sobre o pecado do povo. Essa crise é descrita de três formas:
1) Vieram quatro bandos de gafanhotos (Jl. 1.4).
Dentre as mais de 80 variedades de gafanhotos, Joel diz que quatro: o cortador, o migrador, o devorador e o destruidor, haviam devastado a terra de Israel. “O que deixou o gafanhoto cortador, o gafanhoto migrador comeu; o que o migrador deixou, o gafanhoto devorador comeu; o que o devorador deixou, o gafanhoto destruidor comeu”. O povo calou-se, em sinal de tristeza. Tudo secou e o campo nada produzia. Esses agentes do juízo de Deus devastaram as plantações, deixando um rasto de desolação e morte.
Em todo o período do Antigo Testamento, Israel era economicamente uma nação agrícola. Qualquer desastre natural que destruísse a colheita era devastador para o povo em quase todos os níveis da sociedade. A capacidade da praga de gafanhotos de devorar toda a safra de uma área de dezenas de quilómetros quadrados é bem documentada, não só no Antigo Oriente Médio, mas na atualidade ao redor do mundo. A economia seria arruinada por, no mínimo, dois anos, resultando em toda espécie de dificuldade. Portanto não constitui um mistério o facto de essas pragas serem popularmente consideradas como juízo divino.
A notícia de tal calamidade deveria ser passada de geração a geração (v. 3), porque se refere a um tempo de juízo do Senhor em que os prazeres da vida foram retirados e houve um lamento geral. Até os bêbados lamentaram porque os gafanhotos devoraram as videiras (v. 5), e não tinham mais o vinho; destroçaram a figueira, arrancando-lhes as cascas (v. 7). Por causa dessa miséria até os jovens choraram (v. 8).
2) Veio uma seca implacável (Jl. 1.10-18).
Assolou todo o país, deixando uma marca indelével de fome, miséria e pobreza. Todo o cereal se perdeu e os lavradores ficaram envergonhados e desorientados vs. 10-11), porque o juízo veio através de um inimigo pequeno, mas em grande número e sábio (Pv. 30: 27:1-3. Veio o cerco de um inimigo numeroso (Jl. 1:6; 2:1-11). Esmagou o povo impiedosamente, espoliando e arruinando a nação.
Com a destruição das pastagens e das lavouras, até os sacerdotes lamentavam porque não havia nem elementos para os sacrifícios ao Senhor (v. 9). Assim como a calamidade era geral, o pecado também havia devastado todos os domínios da vida.
Quando a igreja experimenta um flagelo de tal natureza, engolfada em confusões, pecados e enfermidades que devastam famílias após famílias (I Co. 11:30-32), o ensino bíblico para resolver tal situação é que ministros e povo retornem ao Senhor com a mesma sinceridade, intensidade, arrependimento e interesses descritos em Joel 1:13-14; 2:12-17; Dt. 4:30-31). É nessa hora que diz o Senhor: “Lamentai, sacerdotes”. Se queremos um derramamento do Espírito, precisamos, primeiro, compreender que estamos em crise e colocar nosso rosto no pó.
2. O Derramamento do Espírito é Marcado por uma Volta para Deus.
A catástrofe que acomete Israel nos tempos de Joel leva a nação, politicamente, ao caos. Toda aquela tragédia era resultado do pecado do povo. Só a volta para o Senhor poderia reverter aquela amarga situação. É no âmago dessa crise dolorosa, no meio desse cenário de dor e desonra que Joel levanta a sua voz para convocar os sacerdotes e exortar o povo ao arrependimento (v. 13), e que este retorne humildemente ao Senhor, não com as mãos vazias, mas com sacrifícios de pranto e lamentação genuínos, jejuns e súplicas pelas misericórdias de Deus (v. 12). Para isso, deveriam proclamar uma assembleia solene (2:15-17). Ninguém deveria faltar; nada de desculpas vs.15-16). E os sacerdotes iriam orar com todos, clamando: “Poupa o teu povo, oh, Senhor” (v. 17).
A igreja via de regra, tem crescido para os lados, mas não para cima nem em profundidade; tem sido muitas vezes superficial, rasa, imatura e mundana; tem extensão, mas não profundidade; tem números mas não tem vida; é grande, mas não causa impacto; cresce, mas não amadurece; tem quantidade, mas não tem qualidade, é como a igreja de sardes: tem nome de que vive, mas está morta (Ap. 3:1). Há um vácuo, um hiato, um abismo entre o que os crentes professam e o que vivem, entre o que falam e o que fazem. A integridade, a santidade não tem sido mais o apanágio da vida de muitos crentes. Eles estão caindo nos mesmos pecados vis que condenam nos ímpios.
Por causa do baixo nível espiritual do povo de Deus, é necessário hoje um Derramamento do Espírito.
Qual é o processo dessa volta para Deus?
O profeta Joel convocou a nação de Israel a se voltar para Deus. Antes do derramamento do Espírito, o pecado precisa de ser tratado. Antes dos céus se abrirem, o povo precisa de acertar a sua vida com Deus. Antes do derramamento do Espírito, o caminho para Deus precisa de ser preparado.
O caminho do avivamento é aberto quando voltamos as costas para o pecado e a face para o Senhor. Não há derramamento do Espírito sem retorno para Deus. Não é apenas um retorno à igreja, à doutrina, a uma vida moral pura, mas uma volta para uma relação pessoal com Deus. A maior prioridade da nossa vida é voltarmo-nos de todo o nosso coração para o Senhor; é gozarmos da intimidade de Deus. Jesus, quando constituiu os doze apóstolos, determinou-lhes, prioritariamente, que estivessem com Ele; só depois os enviou a pregar (Mc. 3:14-15). O Deus da obra é mais importante que a obra de Deus. O Senhor está mais interessado na nossa relação com ele do que em nosso activismo religioso.
Muitos hoje estão como Pedro no Getsêmani, seguindo a Jesus de longe. Não querem se comprometer, não querem se envolver. Deus não tem sido o centro das atenções e das aspirações do seu povo. Cada um corre atrás dos seus próprios interesses, como nos dias do profeta Ageu (Ag. 1:9), e deixa o senhor de lado. É por isso que precisamos desse derramamento do Espírito. “...convertei-vos a mim...” (Jl. 2:12).
E Joel em 2:12-16, 28 diz que essa volta para uma relação pessoal com Deus precisa de ser:
1) Profunda – ou seja, de todo o coração. Não adianta fingir e nem adianta tocar a trombeta. Deus não se impressiona com a majestade de nossos gestos e com a eloquência de nossas palavras. Ele não aceita promessas vazias, votos tolos, compromissos pela metade.
2) Com quebrantamento para Deus “... com choro e com lágrimas...” (Jl. 212) – ou seja, com lágrimas e pranto. Deus não despreza o coração quebrantado. As lágrimas de arrependimento não são esquecidas por Deus. Os que choram por seus pecados são bem-aventurados. É impossível ser cheio do Espírito sem antes nos esvaziarmos de todo o entulho que entope a nossa vida. Essa faxina é dolorosa, mas precisa de ser feita, ainda que com lágrimas.
O povo de Deus anda com os olhos enxutos demais. Muitas vezes desperdiçamos nossas lágrimas, chorando por motivos fúteis demais. Outras vezes, queremos anular as emoções da nossa experiência cristã. Achamos que o choro não tem lugar em nossa vida. É por isso que estamos tão secos. Se compreendemos o estado da igreja e a nossa própria situação e não choramos é porque estamos endurecidos.
Temos chorado como Jacó chorou no Jaboque, buscando uma restauração da sua vida? (Os. 12:4). Temos chorado como Davi chorou ao ver sua família saqueada pelo inimigo? (I Sm. 30:4). Temos chorado como Neemias chorou ao saber da desonra que estava sobre o povo de Deus? (Ne. 1:4). Temos chorado como Jeremias chorou ao ver os jovens da sua nação desolados, vencidos pelo inimigo, e as crianças jogadas na rua como lixo? (Lm. 1:16; 2:11). Temos chorado como Pedro, por causa do nosso próprio pecado de negar a Jesus muitas vezes por covardia? (Lc. 22:62). Temos chorado como Jesus, ao ver a impenitência da nossa igreja e da nossa cidade? (Lc. 19:41).
Conhecemos o que é chorar numa volta para Deus? Nosso coração tem-se derretido de saudades do Senhor? Há tempo de rir e de chorar (Ec. 3:4), Creio que este é o tempo de chorar, não de desespero, mas de arrependimento.
O Senhor está a chamar-nos para que nos dirijamos a Ele com jejuns, com choro e lamentações. Devemos render os nossos corações e não as nossas vestes. Este é o momento de voltarmos dos nossos caminhos perversos. Deus quer arrependimento verdadeiro. A não ser que faça a sua parte arrependendo-se você continuará a fazer parte da Igreja adormecida. Poderá dizer: “Mas ninguém sabe se eu estou ou não a fazer o meu trabalho.” Deus sabe.
As pessoas que prosperarão no seu ministério são aquelas que deixam os seus caminhos perversos.
3) Com diligência para Deus “...e isto com jejuns...” (Jl. 2:12) – ou seja, com jejum. Precisamos de jejuar para que Deus dobre o nosso coração e o torne sensível. Precisamos de jejuar para que Deus nos dê percepção da malignidade do nosso pecado e da pureza da santidade divina. Precisamos de jejuar para que todas as desculpas que arranjamos para não voltarmos a Deus caiam por terra. Quem jejua está dizendo implicitamente que a volta para Deus é mais importante e mais urgente que o sustento do corpo.
O jejum é instrumento de mudança, não em Deus, mas em nós. Leva-nos ao quebrantamento, à humilhação e a ter mais gosto pelo pão do céu do que pelo pão da terra.
Jejum não é greve de fome, regime para emagrecer ou ascetismo. Também não é meritório. Ele sempre se concentra em finalidades espirituais. Nosso jejum deve ser para Deus: “...Quando jejuastes... acaso, foi para mim que jejuastes, com efeito, para mim”? (Zc 7:5). Deve também provocar em nós uma mudança em relação às pessoas à nossa volta (Is. 58:3-7). Se o nosso jejum não é para Deus e se não muda a nossa vida em relação às pessoas que nos cercam, então fracassamos.
O jejum é uma experiência pessoal e íntima (Mt. 6:16-18). Há momentos, porém, que ele torna-se aberto, declarado, colectivo. Joel conclama o povo todo a jejuar nesse processo de volta para Deus (Jl. 2:15). O rei Josafá, numa época de profunda agonia e de ameaça para o seu reino, convocou toda a nação para jejuar, e o Senhor lhe deu o livramento (2 Cr. 20:1-4, 22). A rainha Ester convocou todo o povo judeu para jejuar três dias, e Deus reverteu uma sentença de morte já lavrada sobre os judeus exilados (Et. 4:16). Em sinal de arrependimento, toda a cidade de Nínive voltou-se para o Senhor com jejuns (Jn. 3:5-10). Certamente o jejum é uma bênção singular.
Temos jejuado? Aqueles que aspiram a uma vida mais profunda com Deus não podem prescindir do jejum. Os homens que andaram com o Senhor e triunfaram sobre o inferno foram pessoas de oração e jejum.
4) Com sinceridade para Deus “...de todo o vosso coração...” (Jl. 2:12) – ou seja, rasgando o nosso coração. No passado, as pessoas tinham o hábito de rasgar as vestes na hora do desespero. Deus, contudo, não se contenta com actos exteriores. Nessa volta para Deus, não adianta usar o subterfúgio da teatralização. O Senhor não aceita encenação. Ele não se impressiona com os nossos gestos, nossas palavras bonitas, nossas emoções sem quebrantamento. Diante dele não adiante usar fachada e fazer alarde de uma piedade forjada, como o fariseu (Lc. 18:11-14), empostar a voz, gritar, gesticular, pois esses gestos não o impressionam. Ele vê o coração (I Sm. 16:7). Diante dele não adianta “rasgar seda”: é preciso rasgar o coração. Ele quer um coração rasgado, sincero, autêntico, determinado a voltar-se para ele. Para Deus não é suficiente apenas estar na igreja (Is. 1:12) e ter um culto animado (Am. 5:21-23), mas é preciso ter um coração rasgado, quebrado, arrependido e transformado.
Quando a trombeta soou, o povo foi convencido a voltar-se para Deus, do sacerdote à criança de peito, e houve restauração e perdão. Como resultado, veio a gloriosa promessa: “…e acontecerá depois que derramarei o meu Espírito sobre toda a carne” (Jl 2:28). Veja que o derramamento do Espírito vem depois e não antes do acerto de vida com Deus. Buscar avivamento sem antes tratar com o pecado é leviandade, pois é querer que Deus compactue com o erro. É preciso preparar o caminho para que Deus se manifeste. “Rasgai o vosso coração e não as vossas vestes...” (Jl. 2:13).
Como é triste constatar que há pessoas que passam a vida toda na igreja e nunca se humilham diante do Senhor. Outros representam o tempo todo um papel que não vivem da verdade. Esbanjam santidade, mas no coração são impuros. Fazem alarde da sinceridade, mas interiormente são hipócritas. Advogam fidelidade, mas no íntimo são infiéis.
São muitos aqueles que, num momento de forte emoção, após um congresso, um encontro, um retiro espiritual ou uma mensagem inspirativa, fazem promessas lindas para Deus, comprometem-se a orar com mais fervor, a ler a Palavra com mais avidez, a testemunhar com mais ardor. Outros derramam lágrimas no altar do Senhor, fazem votos solenes de que andarão com ele em novidade de vida, mas todo esse fervor desaparece tão rápido como a nuvem do céu e o orvalho que se evapora da terra; e já no pátio da igreja, antes mesmo que o sol desponte, anunciando um novo dia, tudo já caiu no esquecimento. Os crentes hoje são muito superficiais. Não levam Deus a sério. Falam com frivolidade. Prometem o que não desejam cumprir. Honram a Deus só de lábios, negam-no com sua vida e não se voltam para ele de todo o coração.
Há aqueles que só andam com Deus na base do aguilhão. Só se voltam para ele no momento em que as coisas apertam. Só se lembram do Senhor na hora das dificuldades. Não se voltam para ele porque o amam ou porque estão arrependidos, mas porque não querem sofrer. A motivação da Busca não está em Deus, mas neles mesmos e no que podem receber dele. Para estes, o Senhor é descartável (Os. 5:1-5; 6:14).
Deus não tolera uma religiosidade assim. Ele não aceita o coração dividido. Somos ou não somos totalmente dele.
3. A Urgência da Volta para Deus.
“Ainda assim, agora mesmo...” (Jl 2:12).
A despeito da calamidade, da crise, da seca, da fome, da devastação provocada pelo inimigo, agora e não amanhã é o tempo de voltarmos para Deus.
A crise não deve nos empurrar para longe de Deus, mas para os seus braços. A frieza da igreja e o endurecimento dos corações não devem ser motivos desanimadores, mas impulsionadores para buscarmos o derramamento do Espírito. Os avivamentos sempre aconteceram em tempos de crise. É quando os recursos da terra esgotam que as comportas do céu se abrem. Por isso, ergamos o nosso clamor como o profeta Oseias: “…é tempo de buscar ao Senhor, até que ele venha, e chova justiça sobre vós” (Os. 10:12).
O tempo de voltar para Deus é agora. Nada é mais urgente do que esse encontro com o Senhor. Deus nos quer agora. Avivamento é para hoje. O tempo de Deus é agora, a despeito da crise. Não podemos agir insensatamente como Faraó. Quando o Egipto estava atormentado pela praga das moscas, ele pediu a Moisés para orar a Deus, para que a terra fosse liberta daquela calamidade. Moisés lhe perguntou: Quando é que quer que eu ore? Ele respondeu: amanhã (Êx. 8:8-10). Muitos cristãos também estão deixando para amanhã a sua volta para Deus. Estão protelando sua entrega total ao Senhor. Estão deixando de usufruir das bênçãos de hoje, por negligência e dureza de coração.
O acerto de vida é urgente. Joel ordena: “Tocai a trombeta em Sião…” (Jl 2:15). A trombeta só era tocada em época de emergência. Mas estejamos atentos ao facto de que a trombeta é tocada em Sião e não no mundo. O juízo começa pela casa de Deus (I Pe. 4:17). Primeiro a igreja precisa de voltar-se para o Senhor, depois o mundo o fará. O avivamento começa com a igreja e, a partir dela, atinge o mundo. Quando a igreja acerta a sua vida com Deus, o céu brota a cura para a terra (2 Cr. 7:14).
Uma grande calamidade tem caído na Igreja porque a Igreja tem recusado a Sua graça e misericórdia. Mas Deus diz: “Chegai-vos a mim e eu me chegarei a vós.” Tiago 4:8 diz: “Se se chegar a Deus Ele se chegará a si”.
4. O Encorajamento da Volta para Deus.
“...porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em ir ar-se, e grande em benignidade...” (Jl. 2:13). Podemos esperar um derramamento do Espírito com base na infinita misericórdia do Senhor. Avivamento, segundo o profeta Habacuque, é Deus lembrar-se da sua misericórdia, na sua ira (Hc. 3:2). Segundo Isaías, avivamento é Deus afastar de nós a sua ira e voltar para nós o seu rosto (Is. 64.7-9). Se houver arrependimento em nosso coração, temos a garantia de que o Senhor usará de misericórdia para connosco e restaurará a nossa sorte. Ele trará a Sua bênção e fará com que a Palavra e o louvor voltem para a Igreja.
Quando as pessoas se arrependem, a Palavra Viva tronar-se-á viva no meio deles. O Espírito Santo tornar-se-á a mover novamente.
5. Quem Deve Voltar-se para Deus.
“...congregai o povo, santificai a congregação...” (JI. 2:16).
“...chorem os sacerdotes, ministros do Senhor...” (Jl. 2:17a).
Ninguém deve ficar de fora dessa volta para Deus. Todo o povo deve ser congregado. Toda a congregação deve ser santificada. Todavia, o profeta começa a particularizar os que devem fazer parte dessa volta:
a) Os anciãos.
A liderança precisa estar à frente, na vanguarda daqueles que desejam um derramamento do Espírito. Os líderes são os primeiros que precisam de ter pressa para acertar a sua vida com Deus. Os anciãos são os primeiros que devem colocar o rosto em terra (Js. 7:6). A igreja é o retrato da liderança que tem. Ela nunca está à frente dos seus líderes. Os líderes devem ser os primeiros a comparecer às reuniões de oração e às noites de vigílias, colocando-se na brecha da intercessão pelo povo. A liderança precisa ser modelo para o rebanho (1 Pe. 5:1-4).
b) Os filhinhos, os jovens.
Faraó quis reter na escravidão a juventude, achando que o lugar do jovem é no Egito (Êx. 10:10-11). Muitos hoje acham que o jovem tem mais é que curtir a vida e desfrutar dos manjares do mundo, pois a juventude passa e eles precisam de ter prazer na mocidade. Por isso, muitos jovens estão sendo profanos, como Esaú, trocando o direito de primogenitura por um prato do guisado do mundo (Hb. 12:16-17). Outros, como Sansão, estão quebrando os votos de consagração que fizeram a Deus, envolvendo-se em relações pecaminosas e escorregadias que poderão levá-los à falência espiritual (Jz. 16:1, 4, 18-25).
Se queremos mesmo um derramamento do Espírito, precisamos de ter uma juventude com a fibra de José, que prefere ser preso a ir para a cama com uma mulher que não é a sua esposa (Gn. 39:12). Precisamos de ter uma juventude do timbre de Daniel, que resolve firmemente no seu coração não se contaminar, ainda que isso seja um risco para o seu sucesso (Dn. 1:8).
O lugar de jovem crente ter prazer não é nos antros do pecado, nos subúrbios dos vícios, nas camas dos motéis ou na roda dos escarnecedores, mas na presença de Deus, pois só aí há plenitude de alegria (Sl. 16:11). O lugar dos jovens crentes é no altar de Deus, buscando esse revestimento do poder do céu.
c) As crianças.
Até as crianças em fase de aleitamento precisam de estar com a sua mãe, nesse processo de busca. Nossos filhos precisam de amar os altares de Deus, desde a mais tenra idade. Nossas crianças não podem ser entregues à baba eletrónica, mestre de nulidades e perversões, as mais aberrantes. Nossas crianças precisam de amar ao Senhor. Nós, pais, devemos inculcar a Palavra de Deus na mente de nossos filhinhos (Dt. 6:4-9). Precisamos de ter o mesmo zelo de Joquebebe, que aproveitou a infância do seu filho, Moisés, para plantar no seu coração as gloriosas verdades de Deus; e isso determinou, mais tarde, o curso de sua vida e da história do povo israelita (Hb. 11:23-29). Precisamos de ter o mesmo compromisso que Loide e Eunice tiveram com Timóteo, ensinando-lhe as sagradas letras desde a infância (2 Tm. 1:5; 3:14-15).
d) Os noivos no dia do casamento.
Voltar-se para Deus e acertar a vida com ele é mais urgente do que se casar no dia do casamento. Não há compromisso mais vital e mais permanente do que esse. Nada mais pode ocupar a primazia da sua agenda.
e) Os sacerdotes e ministros.
Os sacerdotes e ministros são convocados a chorar e a orar em favor do povo. Nossos pastores andam secos demais, pregam com os olhos enxutos demais, oram pouco demais. Um dos maiores obstáculos, para o avivamento, têm sido os pastores. Estão tão acostumados com o sagrado que já não são mais impactados pela Palavra de Deus. Estão tão confiados no seu intelectualismo que já não dependem mais do Senhor.
C.H. Spurgeon dizia para seus alunos que se os pastores não forem homens de oração, seu rebanho será digno de pena. Entretanto, quando o pastor se humilha diante de Deus e começa a buscar avivamento, a congregação toda é contagiada. Quando ele vai para a casa do Senhor e ali chora, derramando lágrimas em favor da igreja, o Espírito começa a mover-se no meio do povo.
Quando olhamos para a história do povo de Israel, constatamos que, sempre que líderes piedosos estavam à frente, o povo andava com Deus. Porém, quando os líderes se desviavam, o povo todo se afastava do Senhor.
Quando o ministro não leva Deus a sério, em vez de bênção, ele traz maldição para o rebanho (Ml. 2:2). Quando o ministro se aparta do Senhor, o povo passa a ser destruído (Os. 4:6-10). Quando o ministro deixa de andar com Deus, em vez de guia espiritual, ele passa a ser um laço e uma armadilha perigosa para o povo (Os. 5:1-2).
É tempo dos pastores colocarem o rosto no pó e de os ministros se angustiarem por causa da sua sequidão e esterilidade. Também é tempo de os sacerdotes chorarem pelo povo de Deus e clamaram por socorro até que o Senhor restabeleça nossa sorte.
6. O que Acontece Depois da Volta para Deus.
Quando a igreja se volta para Deus e acerta sua vida com ele, ele se compadece do seu povo (Jl. 2:18-27); ao invés de fome, há fartura (vs. 2:19, 24); ao invés de opressão do inimigo, há libertação (v. 20); ao invés de tristeza e de choro, há alegria (v. 21); ao invés de seca, há chuvas abundantes (v. 23); ao invés de prejuízo, há restituição (v. 25); ao invés de vergonha, há louvor (v. 26); ao invés de lamentação e de solidão, há a plena consciência de que Deus está presente (vs. 26-27).
Deus responde quando nós clamamos a Ele. Ele restaurar-nos-á. Não mais pereceremos fracos e sem poder aos olhos das nações. Nós sabemos o que fazer, por isso devemos fazer a nossa parte.
Muitas coisas acontecerão quando fizermos aquilo que sabemos que é necessário fazer. Contudo, nada acontecerá a não ser que comecemos a agir. Nós somos responsáveis por seguir as Suas ordens.
Se orarmos, se fazermos jejum, se fizermos com que as pessoas examinem as suas vidas e se arrependam, Deus operará para nosso bem (pela sua família).
Vejamos agora o que acontece depois da volta e da restauração:
1) O derramamento do Espírito.
“E acontecerá depois que derramarei o meu Espírito...” (Jl. 2:28.)
Haverá um banquete da Palavra de Deus. A alegria voltará à Igreja. Haverá bons pastores. Este é o reavivamento da Igreja. Haverá um grande movimento do Espírito de Deus. Estamos prestes a chegar a esse tempo onde haverá um grande movimento do Espírito de Deus na Igreja e no mundo inteiro. Haverá uma grande ceifa espiritual de muitas pessoas as quais receberão o Novo Nascimento. Haverá um movimento dinâmico e grande do Espírito Santo – como um dilúvio.
Um exemplo prático disso nos dá o profeta Joel no capítulo 2, nos versículos 28 e 29, em que afirma que o Espírito Santo seria derramado sobre toda carne. Com Israel, em seus dias, a profecia começou a cumprir-se, mas parcialmente. Com a Igreja do Novo Testamento ela se cumpriu também de forma parcial no dia de Pentecostes, quando como um vente impetuoso o Espírito do Senhor derramou-se sobre eles no cenáculo.
Lembremo-nos de que Pedro, naqueles dias, para explicar o que havia acontecido ali, argumentou com base na profecia e promessa de Deus dada através do profeta Joel. Ainda que se tenha cumprido ali esta profecia, foi apenas parcial, foi um cumprimento restrito à região geográfica da terra santa. Obviamente, então, ficou para o nosso tempo o cumprimento universal desta profecia.
O Espírito não será derramado apenas em Jerusalém ou somente na Judeia, mas em todas as nações do mundo, ao mesmo tempo. Portanto a promessa dada por Deus de restaurar e restituir não apenas se referia a Israel, ou à igreja primitiva, mas principalmente tinha a ver com a Igreja do nosso tempo, a Igreja do terceiro milénio, na qual a possibilidade de cumprimento é bem mais ampla, transcendente, rápida e universal.
A promessa divina de restituir o que a obra de Satanás havia destruído com o correr do tempo, figurada através da metáfora da destruição feita pelo gafanhoto, pela locusta, pelo pulgão e pela lagarta, está para acontecer em nossos dias, quando haverá a “restituição” ou “devolução” do que se perdera, do que havia sido roubado da Igreja pelo diabo. Isso se dará neste terceiro milénio, sem dúvida nenhuma. Para tanto era necessário que primeiramente Deus trouxesse ao Corpo de Cristo a restauração da verdade perdida. Essa restauração das verdades apostólicas produzirá uma maravilhosa “reforma apostólica” que, por sua vez, trará da mão amorosa do Espírito Santo a “restituição do que se havia perdido”.
É tempo de a Igreja acordar. O reavivamento coloca o corpo de Cristo numa posição em que as pessoas pregam ousadamente acerca de Jesus Cristo. Nós estamos às portas da ceifa (Lc. 10:2) e do arrebatamento da Igreja. A Igreja deve estar pronta para receber a ceifa. O verdadeiro crescimento da Igreja vem da Ceifa.
Com elevada adoração, Deus desce e move-se entre nós; seus anjos manifestavam-se de um modo espectacular, e o Espírito Santo guia-nos em todos os passos que damos. A igreja primitiva foi uma igreja evangelizadora, de milagres, de poder pentecostal e de fé em Deus. A glória derramada pelo Pai e que a cobria era temida por pagãos e judeus. Deus demonstrou através da sua Noiva, literalmente, o poder do seu trono. As pessoas tremiam diante da demonstração da sua força na Igreja.
Esse poder apostólico e profético foi comunicado a outros, em várias gerações posteriores pelos primeiros cristãos. Com a profecia fluindo e a imposição de mãos de presbíteros ungidos, a unção foi transferida. Essa igreja, com as características do projecto divino, mudou o mundo nos dois primeiros séculos da sua existência. Encheu o mundo conhecido com o evangelho e abalou o império romano, o maior da terra. Amem.
Infelizmente, nos anos subsequentes, a Igreja sofreu a infiltração de políticos religiosos e também deixou crescer em seu meio falsos mestres que desestabilizaram seus passos e, no século IV em diante, a apostasia e o poder babilónico romano tomaram o controle do movimento cristão. Constantino, imperador romano, adoptou o Cristianismo como religião do estado e assim prostituiu a Casa de Deus. O resultado foi o surgimento da Igreja Católica Romana, e Satanás conseguindo extinguir o mover profético e apostólico do Espírito Santo.
Apesar de tudo, porém, Deus mantinha e guardava para si um remanescente fiel. Aleluia! Após séculos de escuridão religiosa, de idolatria e de sincretismo enganoso, o mundo viu uma nova luz de restauração divina com a transformação feito por Martinho Lutero tendo como base as suas teses bíblicas. Deus iniciou então, a partir de 1517, um processo restaurador que não foi interrompido até aos nossos dias, acelerando-se mais nestes últimos tempos.
O Espírito Santo restaurou com Lutero a verdade da salvação pelo sangue de Cristo. Mediante outros que seguiram, foram restaurados também: o baptismo adulto nas águas em 1535, e no século XVII a doutrina da santidade, de João Wesley. No século XIX a Europa encheu-se com a mensagem da santidade divina, com a qual entrou no século XX, o século da grande Restauração.
O derramamento do Espírito não acontece antes, mas só depois que a igreja se volta para Deus, se arrepende do seu pecado e acerta a sua vida com o Senhor. Orar por avivamento sem tratar do pecado é ofender a Deus. Buscar o derramamento do Espírito sem se voltar para Deus e abandonar o pecado é atentar contra a santidade do Senhor.
2) A quebra de preconceitos.
O Espírito de Deus nos afasta do pecado e nos aproxima das pessoas. Onde o Espírito de Deus domina, reina o amor, quebram-se as barreiras, rompem-se as cadeias dos preconceitos e triunfa a comunhão. Vejamos mais detidamente a aborda­gem do profeta Joel:
a) Quebra do preconceito racial.
“...derramarei o meu Espírito sobre toda a carne...” (Jl. 2:28).
“Toda a carne” aqui não é quantitativamente falando, mas qualitativamente. O Espírito de Deus é derramado sobre todos aqueles que se voltam para o Senhor em todas as raças, povos, tribos, línguas e nações. Essa bênção não é apenas para os judeus; é também para os gentios. A descendência de Abraão sobre quem Deus prometeu o derramamento do Espírito (Is. 44:3), não é segundo a carne (Rm. 2:28-29); todo aquele que crê em Cristo é filho de Abraão e herdeiro dessa gloriosa promessa (Gl. 3:29; At. 2:38-39). Agora já não há judeu nem grego (Gl. 3:28). Agora a parede de separação e o muro das inimizades já foram derrubados (Ef. 2:14). Agora todos os que creem são concidadãos dos santos e membros da família de Deus (Ef. 2:19). Por isso, quando o Espírito foi derramado na casa de Cornélio, Pedro não teve dúvidas de batizá-los e recebê-los na comunhão da igreja (At. 10:34-35, 40-48).
b) Quebra do preconceito sexual.
“...vossos filhos e vossas filhas profetizarão...” (Jl. 2:28).      
O Espírito é derramado sobre filhos e filhas. Não há distinção. Não há separação. Não há acepção. Na igreja de Deus não há espaço para marginalização das mulheres. Elas também falam em nome do Senhor, conforme os oráculos de Deus, e podem profetizar, como profetizaram as filhas de Filipe (At. 21:8-9).
c) Quebra do preconceito etário.
“...vossos velhos sonharão e vossos jovens terão visões” (Jl. 2:28).
Deus usa o velho e o jovem. Ele não se limita à experiência do velho nem apenas ao vigor do jovem. Ele torna o jovem mais sábio que o velho (Sl. 119:100) e o velho mais forte que o jovem (Is. 40:29-31).
Onde Deus derrama o Seu Espírito, os velhos recebem novo alento. Como Calebe, deixaram de viver apenas de lembranças e começaram a ter sonhos na alma para olharem para a frente, buscando novos desafios (Js. 14:6-14).
d) Quebra do preconceito social.
“Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias” (Jl. 2:29).
O Espírito de Deus não é elitista. Ele vem sobre o rico e o pobre, sobre o doutor mais ilustrado e o analfabeto. Quando o Espírito Santo é derramado sobre as pessoas, elas podem ser rudes como os pescadores da Galileia, mas, na força do Senhor, revolucionam o mundo. “…Deus escolhe as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar os fortes; e Deus escolheu as coisas humildes do mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” (I Co. 1:27-29).
Mesmo que tenhamos limitações na cultura e formação intelectual, o Espírito Santo pode usar-nos ilimitadamente. A obra de Deus não avança com base na nossa sabedoria e força, mas no poder do se Espírito (Zc. 4:6).
Estes versículos foram citados pelo Apóstolo Pedro no dia de Pentecostes. Pentecostes foi o início; há muito mais para vir. O tempo no qual agora vivemos é uma concretização destes versículos.
Por diversas vezes o movimento do Espírito Santo tem estado sobre o mundo de uma forma poderosa. Isto também acontecerá para os judeus quando eles vierem a conhecer aquele que crucificaram.
Este é o tempo de milagres inigualáveis; sinais e maravilhas na terra como também no céu. Esta é a grande ceifa que se segue ao reavivamento da Igreja. “Até sobre os servos e sobre as servas derramarei o meu Espírito naqueles dias” (Jl 2:29)
A obra de Deus não avança com base na nossa sabedoria e força, mas no poder do seu Espírito (Zc. 4:6).
 








domingo, 1 de setembro de 2013

Ainda Há Esperança, se Ouvires a Voz de Deus!

“E será que, se ouvires a voz do Senhor teu Deus, tendo cuidado de guardar todos os seus mandamentos que eu hoje te ordeno, o Senhor teu Deus te exaltará sobre todas as nações da terra. E todas estas bênçãos virão sobre ti e te alcançarão, quando ouvires a voz do Senhor teu Deus; Será, porém, que, se não deres ouvidos à voz do Senhor teu Deus, para não cuidares em cumprir todos os seus mandamentos e os seus estatutos, que hoje te ordeno, então virão sobre ti todas estas maldições, e te alcançarão” (Dt. 27:1-2, 15).
Introdução
Este estudo é de inquestionável importância diante do que temos visto e ouvido no meio evangélico e em nossa sociedade. Atualmente a palavra obediência parece andar um tanto esquecida. Fala-se muito em bênçãos e prosperidade, todavia, muitos se esquecem de que as bênçãos são decorrentes da obediência aos princípios divinos. Obedecer a Deus não é um fardo, mas uma alegria, pois o amamos. A obediência é uma prova viva de amor ao Pai Celestial.
Havia uma nova geração de israelitas que ainda não havia experimentado o milagre no Mar Vermelho ou escutado a Lei dada no Sinai, e que estava prestes a entrar na Terra Prometida, uma nova terra com muitos perigos e tentações. O resultado real do estado de Israel diante de Deus era triste.
Deus usou Moisés, que foi deixado por sua mãe num cesto no rio para que fosse encontrado pela filha de Faraó quando ela fosse tomar banho, e que cresceu, comendo do bom e do melhor, e que recebeu uma educação de acordo com os ensinamentos hebraicos, para que ele fizesse a diferença no tempo certo.
Para promover o respeito às autoridades designadas, Moisés associou a si mesmo, nesta hora solene, os anciãos de Israel e os sacerdotes, e enumera extensamente as maldições da parte de Deus pela desobediência e as bênçãos pela fidelidade. Eles estavam no terreno da lei... as suas bênçãos iriam depender de sua obediência! Avisos funestos foram dados sobre os temíveis resultados da infidelidade. Se Israel, como seu povo santo, continuar a dar ouvidos à voz do Senhor, seu Deus, receberá maravilhosas bênçãos, e todos os povos da terra verão que o nome de Deus é invocado sobre ele. Se, ao contrário, deixar de fazer isso, Deus enviará “a maldição, a confusão e a reprimenda”. Portanto, Deus é bom e quer nos abençoar integralmente. Entretanto, Ele também é justiça. A justiça do Pai, assim como a sua bondade, atinge todas as áreas de nossas vidas.
1.     Deus Fala e Quer Ser Ouvido.
Moisés chama a atenção do povo para a necessidade de se “ouvir a voz do Senhor”, como condição indispensável para um viver próspero. Isto porque as bênçãos do Senhor são fundamentadas em sua Palavra e qualquer promessa deve estar condicionada àquilo que ela diz. No discurso de Moisés, há uma extensa lista de bênçãos que viriam em virtude de uma resposta positiva à Palavra de Deus (Dt. 28:1-14). Através da observância da Palavra de Deus, Israel poderia experimentar a verdadeira prosperidade. A condição para tal pode ser resumida na frase encontrada várias vezes no Pentateuco: “Se ouvires a minha voz e, guardares os meus estatutos” (Êx. 15:26; 19:5; Lv. 26:14; Dt. 28:1).
Temos aqui o oferecimento sincero ou de graça divina ou de juízo divino. O facto de que Deus chega a revelar essa proposta de relacionamento constituiu graça, pois seres humanos não possuem meio algum de discernir a vontade de Deus sem direção claramente dada por Ele. Por isso a oportunidade de os israelitas receberem bênçãos por fazer o que devem fazer como povo de Deus representa uma graciosidade ampliada e inesperada. Rejeitar a graça traz catástrofe certa. O juízo de Deus sempre acompanha a graça rejeitada. Israel só pode merecer castigo por rejeitar a lei mosaica quanto, em anos futuros, os escritos proféticos e de sabedoria baseados naquela lei. Cada nova geração deve aprender os resultados de reagir a Deuteronómio 27 e 28. ”Mas por causa da graça e do amor de Deus, Ele enviou um Salvador, o qual levou a maldição por nós e nos introduziu na posição de completa bênção” (Leia Rm. 6:15).
Na verdade, Deus quer que escutemos a Sua voz! Ele não fala connosco através de um frio no estômago ou por meio de vibrações ou médiuns. Ouvir a voz de Deus é tão natural quanto ouvir o melhor amigo conversar consigo. Além do mais, podemos ouvi-lO todos os dias e não apenas em ocasiões especiais ou ao recitar encantamentos especiais. Ele fala connosco nos momentos naturais da vida. Quer ouvir a voz de Deus? Então tem que estar pronto para escutá-la.
Ele quer que nossos ouvidos estejam abertos e prontos a ouvi-lo ao falar connosco por meio de Sua Palavra. Às vezes, porém, nossos ouvidos espirituais podem estar bloqueados pelo ruído de fundo da cultura ao redor ou pelas canções de sereias da tentação e pecado.
Que nós possamos, inclinar os nossos corações para o Senhor em total devoção, mantendo os nossos ouvidos abertos para que sejamos sensíveis à Sua voz. Deus ao falar, colocará a Sua Palavra em nossos corações e nós aprenderemos dele para com grande alegria nos deliciarmos com a Sua vontade (Sl. 40:8).
Deus ama-nos tanto que não só quer falar connosco através da Sua Palavra escrita, em tempos passados, contida na Bíblia, como também quer comunicar-Se com cada um de nós pessoalmente, hoje! Ele quer falar consigo, para que tenha a oportunidade de experimentar a Sua infinita sabedoria e amor, ajudá-lo a crescer passo a passo, a conhecê-lO e a compreendê-lO melhor.
Deus é como uma estação transmissora, transmitindo todo o tempo. Assim, como as ondas invisíveis da rádio, que estão à nossa volta neste exato momento, o Espírito de Deus está sempre presente, esperando que faça o contato.
A mão da esperança sintoniza com expectativa, buscando a frequência na qual Deus está operando e, de repente, a Sua grande estação transmissora irrompe com volume e potência tremendos e positivos, fazendo com que as mensagens cheguem a si em alto e bom som!
Aquilo que ouvir com os ouvidos do seu espírito vem do Senhor. Apenas abra o seu coração e deixe a luz do sol entrar! Deus quer que queiramos ouvi-lo, que nos escondamos dos homens, dos sons da terra, das preocupações da vida, para ouvi-lo. Queiramos falar com Deus, mas queiramos muito mais ouvir a sua voz. Ele insistirá até que queiramos ouvir.
O nosso Deus continua falando, através da sua Palavra maravilhosa, através de seus servos e diretamente ao nosso espírito. Desligue-se um pouco dos sons da terra, dos compromissos exagerados, das ambições terrenas, dos cuidados deste mundo. Busque um “cantinho de oração”, um tempo especial com Deus, um lugar onde conversar com Ele, diariamente.
Procuremos ouvir a voz do Senhor Jesus nos dizendo: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt. 11:28-30).
Lembremo-nos de Marta e Maria. Duas irmãs, ambas amavam ao Senhor, no entanto uma escolheu a boa parte. Segundo o próprio Senhor Jesus a atitude de Maria, em se postar aos seus pés e ouvir os seus ensinamentos era a boa parte e isto ninguém poderia tirar dela (Lc. 10:42).
Por fim meditemos na letra de uma antiga música (A voz de Jesus) que nos inspira a ouvir a sua doce voz a cada momento. A espiritualidade cristã está atrelada ao acto de ouvir Deus e em respondê-Lhe com obediência.
A profissão de fé judaica inicia com “Ouve Israel”. A resposta a este ouvir é a obediência a Deus. Tanto no hebraico quanto no grego e há quem diga que no português também a palavra obediência está ligada etimologicamente ao verbo ouvir.
Deus não apenas fala, mas quer ser ouvido! Um relacionamento com Deus inicia-se a partir do momento em que respondemos àquilo que Ele fala. É importante falarmos com Deus, é importante orarmos a Deus, mas também é importante ouvirmos a Sua voz. Ouvir o Senhor é ouvir a Jesus, pois Ele é a palavra de Deus que se fez carne.
O Deus da Bíblia é ativo, é vivo e não é mudo. Ele falou, fala e ainda falará... Ainda hoje Deus quer comunicar-se com os que estão dispostos a ouvi-lO (Hb. 3:7). Certamente Deus quer falar consigo hoje, agora. Abra os seus ouvidos e coração e atente para aquilo que Deus lhe quer dizer. Deus quer ser ouvido! O dia é hoje, o momento é agora. O problema não é que Deus não nos fale, nós é que não o ouvimos.
2.     A Bênção é um Instrumento de Proteção.
Deus prometeu completa segurança ao povo de Israel (Dt. 28:7), mas isto não descartava a possibilidade de a nação eleita passar por situações conflituosas. Aliás, muitas são as adversidades daqueles que desejam viver piamente em Cristo (2 Tm. 3:12). Mas há promessas de proteção e segurança para o crente. As promessas de hoje tratam da pátria celestial onde temos nossa cidadania (Fp. 3:20-21). É só confiar! Nós somos a propriedade particular de Deus (1 Pe. 2:9). A ideia de um povo santo, separado e consagrado ao Senhor permeia toda a Escritura.
Durante a trajetória do povo de Israel, encontramos um homem que muito se destacou por sua fé, este homem foi Abraão considerado por todos como “pai na fé”. Nós não sabemos a razão pela qual Deus o escolheu, mas de uma coisa nós podemos ter a certeza, de que foi pela graça, (favor não merecido).
Quer ser abençoado? Então, reconheça os seus limites e consagre-se inteiramente a Deus.
Quando Deus chamou a Abraão na cidade de Ur disse-lhe: “…Sai-te da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei” (Gn. 12:1).
Quando Abraão recebeu o chamado de Deus, ele simplesmente obedeceu, pois, tinha a convicção que a voz que tinha ouvido era a voz de Deus. Ao cumprir a determinação de Deus, Abraão não sabia para onde iria, e esta longa jornada também não foi fácil seguir, pois, além de se ter privado de sua parentela, houve momentos de fome, sede, perseguição de povos inimigos. Mas durante esta jornada Deus cuidou de Abraão e de sua família nos mínimos detalhes. Quando Sara foi cobiçada para ser uma das esposas de Faraó, Deus castigou toda a cidade por causa de seu escolhido. Quando Deus tem um propósito a cumprir na vida de uma pessoa, ai daquele que tocar na vida do escolhido do Senhor, porque o fogo vai descer e consumir aquele que se levantar contra os propósitos de Deus.
A promessa de Deus não depende da posição do homem, Deus poderia ter aniquilado Adão e Eva, após ambos terem pecado contra Deus, mas Ele em sua infinita misericórdia, os perdoou e lhes fez uma promessa, que da mulher nasceria uma semente que esmagaria a cabeça da serpente.
Deus não julga e não vê como o homem vê, Ele olha diretamente para o coração, pois só o que está no nosso interior que importa para Ele, por isso Ele conhece os nossos motivos, intenções, o nosso caráter e o nosso íntimo, onde começam os nossos sentimentos, as nossas emoções. Assim como Deus poderia ter destruído Adão e Eva, Ele também poderia ter destruído a cidade onde Abraão morava, pois, aquele povo era idólatra, mas alguma coisa chamou a atenção de Deus em Abraão.
Abraão não viu a terra prometida com os olhos físicos, mas foi com os olhos da fé que ele creu na promessa. Ele não precisou de ver a terra para poder crer em Deus. “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb. 11:1). Ele creu no invisível. Esta promessa atravessou a geração de Isaque, Jacó, José, Moisés, Josué e Calebe. O que aprendemos até aqui? Existem promessas que talvez não se cumpram aqui, mas irão se cumprir nos céus.
José foi perseguido por seus irmãos, foi vendido, preso e foi no calabouço que Deus o exaltou levantando-o como governador do Egito. O que podemos aprender com mais este ensinamento? Existem lutas e dificuldades que passamos devido às escolhas erradas que fazemos, mas existem as lutas pelas quais passamos que possuem a permissão de Deus, para exaltar o seu poderoso nome, para nos fazer lembrar de onde Deus nos tirou.
Certa vez Moisés, viu a Deus numa sarça-ardente que não se consumia, onde Deus disse que o povo hebreu estava padecendo e o enviaria até Faraó para que libertasse todo o povo daquela escravidão. Depois daquele momento, Deus estabeleceu uma aliança com Moisés, enviou as dez pragas como sinal, estabeleceu as leis e guiou todo o povo de Israel pelo Egito por quarenta anos, o Senhor esteve com aquele povo sem que nada faltasse, enviou maná, coluna de fogo durante a noite para aquecê-los, e durante o dia sombra para protegê-los do calor do deserto, nem as roupas envelheceram.
Mas Moisés, num momento de luta e ira contra aquele povo rebelde, desobedeceu a Deus, ferindo a rocha ao invés de apenas tocá-la. O que podemos aprender até aqui?
Não é porque estamos passando por lutas e provações que devemos irar-nos, por mais que estejamos padecendo e sofrendo, não devemos retroceder. Por lutas todos nós passamos, mas quando o cristão está alicerçado na rocha que é Cristo, ele pode sair de uma luta, entrar noutra, mas os olhos não saem do alvo que é Cristo. Devemos ser como fechas, direcionados ao nosso alvo, pois, virão as lutas, os conflitos, as crises espirituais, noutros momentos passaremos pelo vale da sombra da morte, mas não nos abalaremos, não perderemos o foco, o nosso alvo.
Moisés saiu para orar, demorou um pouco mais que o de costume e logo o povo logo se desesperou e procurou construir um deus feito com as próprias mãos. Israel naquele momento se fragilizou e se abalou e a caminhada deles que deveria durar apenas quarenta dias, durou quarenta anos por causa da desobediência.
Deus quer nos tratar, mas nós fugimos, pensamos que estamos certos quando na verdade Ele quer nos mostrar que as coisas não são como nós queremos. Moisés aconselhou o povo, e hoje Deus tem falado connosco, mas muitas vezes não estamos dispostos a ouvir, apenas a pedir e pedir mal.
“Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; serei exaltado entre os gentios; serei exaltado sobre a terra” (Sl. 46:10).
Existem momentos em nossas vidas que precisamos de nos calar para ouvir a voz de Deus, precisamos de refletir, deixar a capa da desculpa e assumir quem realmente somos na visão de Deus. Ele não nos chamou para estarmos estagnados na mesmice ou vivendo de “movimentos”, mas Ele nos chamou para sermos constantes em Sua presença, nos chamou para cumprirmos os seus preceitos.
Precisamos de entender que a obra precisa de homens e mulheres compromissados, existe muitas pessoas que poderiam se esforçar, mas estão cheias de desculpas, mentem para si mesmas, enganam-se achando que Deus irá se compadecer de suas histórias.
 “Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração; prova-me, e conhece os meus pensamentos” (Sl. 139:23)
Porque é que não conseguimos sair de determinadas situações? Porque muitas vezes nós queremos que o Senhor faça as coisas à nossa maneira. Existem muitos crentes independentes fazendo as coisas do modo que querem e como querem. Deus conhece as verdadeiras ovelhas de seu pasto.
O que está faltando em nosso meio é um relacionamento íntimo e sincero com Deus, pois com Ele podemos tudo, não há limites. Para muitos a palavra de vitória já foi decretada por Deus, mas infelizmente alguns não conseguem tomar posse da vitória porque o coração está amargurado, Deus quer te abençoar, mas é preciso mudar, ouvir a voz de Deus, mas para isso necessário dar liberdade para que Ele possa trabalhar. Pense nisso!