Número total de visualizações de páginas

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

O CORAÇÃO NOVO

“Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração, porque dele procedem as fontes da vida” (Pv. 4:23).
No estudo anterior (O Novo Espírito) descobrimos que a nova aliança nos transmite a esperança de sermos capazes de obedecer aos mandamentos do nosso Senhor. Isto em virtude de duas mudanças fundamentais: a do espírito e a do coração.
1. O Coração Novo
“Dar-vos-ei coração novo... tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne” (Ez. 36:26).
Esta é a mensagem do evangelho, e se perguntar por que precisamos de um novo coração, a resposta é que o versículo 25 nos diz que o nosso coração está impuro e o versículo 26 nos diz que é difícil, e portanto frio. Em troca, Deus oferece-nos um coração limpo, carinhoso, verdadeiro e quente. Repare que ele não oferece para consertar o velho coração (2 Co. 5:17). 
É óbvio que o profeta estava falando sobre tomar para fora a arma do ser humano, tendo a dureza fria de desrespeito pelos outros e toda a Criação, e substitui-lo com um amor quente e envolvente para o mundo que certa vez disse sobre o transplante de corações: “Isso é bom”! 
O “coração novo”, descrito em Ezequiel 36:26 tem referência primária para um coração que é dedicado a Deus e com poderes para obedecer à Sua lei através da habitação do Espírito Santo.
Através do profeta Ezequiel, Deus toma a iniciativa de mudar a situação, tirando o coração recalcitrante do povo e colocando em seu lugar um coração transformado, propenso a cooperar com Deus.
Para descrever a efusão do Espírito Santo está sendo largamente usada hoje a palavra “renovação”. Alguém faz esta pergunta: Estas pessoas “renovadas” são realmente tornadas novas pela ação do Espírito, ou estão simplesmente refazendo o que já existia?
A dinâmica do Espírito é fazer-nos completamente novos; novos em relação ao que éramos antes. A Vida Cristã é uma caminhada em movimento, capacitada pelo Espírito Santo de Deus em nossas vidas (At. 1:8). A base dessas transformações é o que acontece em nosso coração: o que era de pedra é removido, e em lugar dele é colocado um coração de carne. Tal conceito é logicamente um conceito simbólico. Passemos a ilustrar tal transformação.
2. Um Coração Incapaz De Obedecer
Leia o Salmo 119:97-104.
O Salmista Davi deleita-se na lei do Senhor. Na leitura destes versículos podemos depreender quão profundo é o seu amor pelas coisas de Deus. Em virtude dos mandamentos do Senhor, Davi:
a) medita o dia todo nas palavras do Senhor
b) torna-se mais sábio do que seus inimigos
c) vive permanentemente com a lei de Deus
d) compreende melhor do que seus mestres
e) é mais sábio que os anciãos
f) desvia os seus  pés da vereda do mal
g) não se aparta dos juízos do Senhor
h) acha as palavras de Deus doces ao paladar
i) recebe entendimento dos preceitos de Deus
Davi ansiava realmente por ser aquela pessoa que ele descreveu e cantou neste Salmo. Mas ele não podia: seu coração não o permitiria. Ao afirmar que “as palavras do Senhor são doces”, descobriu serem mais doces ainda as palavras de Bate-Seba. Não porque não conhecesse a vontade de Deus, mas por não possuir o tipo de coração apropriado à Sua Palavra, seu colapso moral aconteceu.
Em sua oração de confissão e arrependimento, no maravilhoso Salmo 51, sentindo o problema, assim ora Davi: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável” (Sl. 51:10).
Valor algum haverá em possuirmos as leis, os mandamentos e as promessas de Deus, se não tivermos também um coração que obedeça ao que o Senhor pede de nós. Este novo coração só pode ser encontrado na nova aliança, sob a dispensação da graça divina.
3. A Razão Para o Coração Novo
Todos nós já ouvimos falar em pedra nos rins ou em pedra na vesícula. Claro que sim! Mas, eu tenho a certeza que muitos poucos tem conhecimento da existência de pedra no coração, é isso mesmo, pedra no coração. É assim que o “doutor” Ezequiel diagnosticou a enfermidade do povo de Deus em seus dias. Eles estavam sofrendo dessa terrível e sóbria doença: pedra no coração, ou antes, um coração de pedra, um coração de granito. Quais são as sintomatologias?
a) Insensibilidade Diante das Maravilhas de Deus
“Diz o néscio no seu coração: Não há Deus” (Sl. 53:1). “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das Suas mãos” (Sl. 19:1), mas o coração de granito não vê nada disso. Ele olha para o céu e só vê nuvens negras. O profeta Ezequiel está rodeado de pessoas com um coração de granito. Por isso eles estavam cegos para verem as maravilhas de Deus na história de suas próprias vidas. Israel atravessou o Mar Vermelho a pé enxuto, mas isso não diz nada ao coração de granito. Israel é sustentado durante 40 anos no deserto, mas isso nada diz ao coração de granito. Seus corações estavam pedrados e embrutecidos para perceber as maravilhas de Deus em favor de Seu povo.
b) Insensibilidade diante da maravilha do amor de Deus
Em João 3:16 e Romanos 5:8, o Espírito Santo falando por meio de Seus servos João e Paulo, respectivamente, nos diz que por amor, Jesus enfrentou a cruz, sofreu as terríveis e cruentas realidades do calvário. Sorveu o triste e acre cálice do sofrimento – sofrimento repulsivo, sofrimento moral e físico, Mas o coração de granito não percebe os espinhos em Sua fronte, os pregos em Suas mãos e pés. Não se dá conta do alto preço que o Filho de Deus teve que pagar para que nós, miseráveis criaturas, pudéssemos receber o favor de Seu amado Pai. Nada da história de Jesus lhes toca, lhes impressiona, e isto, por uma simples razão - seus corações estão obturados, duros como pedra – são corações de granito.
c) Insensibilidade Diante da Gravidade do Pecado
Uma característica de nossa geração é a sua indiferença para com o pecado. Nada pode ser pior para uma sociedade do que isso. Zombava-se do pecado antes de Noé. Resultado: Dilúvio. Zombava-se do pecado em Sodoma e Gomorra. E estas cidades foram varridas do mapa. Zombava-se do pecado nos Reinos do Norte e do Sul. Resultado: o do Norte, levado cativo para a Assíria, e o do Sul, levado cativo para a Babilónia. Zomba-se do pecado hoje em Portugal... Se falamos do pecado, as pessoas riem-se, a televisão ironiza, os intelectuais pigarreiam. Resultados? Os principais jornais estão aí para denunciar a loucura de tal ato: “O salário do pecado é a morte”. Como portugueses, crescemos numa cultura em que somos condicionados a crer que sempre há um desenrascanço à parte para lidar com todas as situações rígidas. E assim pensamos em referência ao pecado. Por isso, muitos de nós cristãos, nos achamos muito espertos, pensamos que podemos zombar do pecado sem pagar o preço que isso exige. Mas a Palavra de Deus diz tácita e categoricamente: “Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará” (Gl. 6:7). Nunca em nosso meio tivemos tantos casos de pedra no coração.
d) Insensibilidade diante da maravilha da Palavra de Deus
 Palavra que “para sempre permanece no céu”. Para o coração de granito, a Bíblia é mais um livro no mercado editorial. Quando muito, é um livro de bolso, de prateleira. Não atentam para sua importância. Deixam-na por qualquer programa supérfluo, esquecendo-se das maravilhosas palavras do Senhor Jesus “Errais, não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus” (Mt. 22:29). Negociam-na por qualquer valor. Desprezam-na não percebendo que ela é a única forma de nós permanecermos firmes servindo ao Senhor.
e) Insensibilidade Diante da Urgência da Salvação
 Outro sintoma do coração de granito é ir prorrogando o dia de sua salvação. Lemos: “Portanto, como diz o Espírito Santo: Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais os vossos corações” (Hb. 3:7, 8). Mas o coração de granito não atenta para o tempo que passa. Ele ignora que cada minuto sem Jesus é um crime contra a própria alma. Alguns anos atrás, um avião caiu no aeroporto de Orly, em Paris. Cento e vinte e duas pessoas morreram. A amargura foi maior quando as autoridades revelaram que apenas um minuto e meio seriam suficientes para a aterragem e consequente salvamento das vítimas. Só um minuto e meio. Sim, o tempo é muito importante.
Montaigne, conta uma história que retrata bem isso: “O rei Arquias, de Tebas, estava num banquete quando um mensageiro lhe entregou uma carta, enviada por um amigo. Por fora estava escrito: Leia logo. É muito importante. Mas Arquias disse aos amigos: Ora essas, coisas importantes ficam para amanhã. Guardou a carta para ler no outro dia. Na manhã seguinte encontraram seu cadáver, crivado de punhaladas. Ao lado estava a carta. Alguém a abriu e leu: Meu caro, conjuro-te a sair depressa de casa porque aí te espera o punhal de um assassino”.
Oh! Homem de coração de granito, não brinque com o tempo. Como diz a Bíblia, “você não sabe o que vai acontecer amanhã” (Pv. 27:1b, BLH). Convide Jesus a fazer em si uma cirurgia no seu coração e entre o ano com um coração novo. Ele vai arrancar o seu coração de pedra e no lugar porá um de carne. Mas faça isso, hoje, agora mesmo! 
Mais duas passagens são suficientes para nos mostrar a razão por que o coração do homem deve não só ser transformado como substituído por outro completamente novo:
Jeremias 17:9 diz: “Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto, quem o conhecera”?
Meditando neste versículo chegamos à conclusão de que ele não descreve simplesmente uma pessoa muito má, mas o próprio coração humano. Qualquer coração é capaz de tal corrupção. Quem poderá lutar contra esse inimigo aninhado em seu próprio peito?
Mateus 15:19-20 diz: “Porque do coração procedem os maus desígnios, homicídios, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos, blasfémias. São estas as coisas que contaminam o homem”.
Vemos novamente o perigo de vivermos sem um coração que possa responder à voz de Deus. Em nada nos surpreende o facto de estar a sociedade à nossa volta tão contaminada por essa maldade descrita por Mateus. As pessoas estão simplesmente correndo atrás, de seus impulsos e instintos, e dessa forma o mundo mais e mais se corrompe.
4. Os Efeitos Do Coração Novo
Dentre a grande quantidade de passagens que se referem a este assunto, escolhemos algumas como exemplo. Novamente lhe recomendamos que consulte a chave bíblica, para ali - procurando referências da palavra “coração” - encontrar exemplos da plenitude de transformação ocorrida pela ação divina do Espírito. Você descobrirá informação suficiente para que se coração se regozije!
a) O coração iluminado - Efésios 1:17, 18
O coração iluminado nos permite aprender a crescer como uma flor, a ver com novos olhos, e a ouvir com novos ouvidos, e a lidar e a trabalhar com novas mãos, e a andar com novos pés, e a viver uma nova vida, a conhecer os segredos do mar divino.
O sentido da palavra “revelação” indica a importância do pedido de Paulo em favor dos efésios. Revelação significa tirar o véu sobre alguma coisa obscura ou escondida. É ter uma revelação espiritual, isto é, uma visão espiritual dos valores espirituais. É a visão que penetra no conhecimento de Deus. Há um conhecimento inacessível ao homem natural — o conhecimento das coisas divinas: só pelo “espírito de revelação” será possível conhecer essas coisas. O “espírito de revelação” é dado pelo Espírito Santo. Não significa uma nova revelação além daquilo que já está revelado nas Escrituras, mas diz respeito a uma iluminação da parte do Espírito Santo no espírito do crente para que ele possa ver claro as verdades espirituais. Não significa aquela iluminação natural e gradual que pode acontecer com o estudante da Palavra de Deus, mas importa num conhecimento pleno e profundo dos mistérios espirituais escondidos na Bíblia Sagrada.
A iluminação do coração, ou do entendimento, não é a simples descoberta ou acuidade intelectual, mas é a ação do Espírito Santo fazendo penetrar sua luz radiante sobre as grandes verdades divinas. Aquilo que a mente natural não pode perceber, a alma pode ter olhos que vejam, mediante o Espírito Santo.
Não nos devemos deixar perturbar com as expressões do Novo Testamento alusivas ao coração, aparentemente estranhas para nós. Cada uma delas abre uma nova janela para a completa compreensão daquilo que o coração na realidade faz. Aqui a expressão “os olhos do coração” nos revela simplesmente ser possível “ver” de um modo novo através do novo coração que sob a nova aliança nos é entregue. 
b) Obediência à vontade de Deus - Ef. 6:6
O desejo de santidade certamente nos faz renunciar a direitos e por amor submeter nossa vontade à autoridade de outros. A obediência nasce de uma verdadeira conversão. Antes de ser um dever, a obediência é uma graça, liberta-nos de nós mesmos, faz-nos semelhantes Àquele que amamos e a quem servimos. “Não servindo à vista, como para agradar a homens, mas como servos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus”.
A obediência a Deus é essencial à vida: Deus tem primazia na obediência de todas as suas criaturas. Elas, de direito, devem-lhe obediência implícita como seu Criador, a Fonte da qual a vida se deriva e de quem depende a vida (Sl. 95:6-8). Por ser o Deus Todo-sábio e Todo-poderoso, o que Ele diz merece o máximo de respeito e atenção.
Alguém já disse que as pessoas não agem como “deveriam agir”, mas como “querem agir”. O que é verdade. É o coração que comanda a conduta. Não obstante conhecermos as consequências e os danos de procedermos de certa forma, fazemos exatamente o que em nosso coração desejamos (comer demais, por exemplo).
O que é que nos induz a “querer fazer as coisas”? Os desejos que vêm do coração, fonte de todas as nossas emoções. Por que obedeceremos ao Senhor? Simplesmente por existir, no âmago de nossos corações, um propósito, um desejo de fazer a Sua vontade. Vemos então que aquelas coisas que um dia almejamos, já não queremos mais; aquelas outras que detestamos, agora amamos. E por quê? Por causa de um novo coração que agora luta por nos tornar à Sua imagem e semelhança.
c) Um novo senso de valores - 2 Co. 9:6, 7
São os motivos que governam a vida, e não as ações isoladas.
Para Cristo, o que importava eram os motivos que impulsionavam o homem a uma ação qualquer. Isso ele deixou claro no Sermão do Monte (Mt. 5:27-48). Por isso considerou que a viúva pobre deu mais do que os fariseus, mesmo que do ponto de vista exterior sua oferta fosse uma insignificância. O valor da oferta, para Jesus, estava, portanto, na proporção em que ela fosse expressão de verdadeiro amor a Deus.
O crente deve contribuir, não porque é membro de igreja, nem porque o pastor pregou sobre o assunto, nem tampouco porque se acanha de não contribuir, mas porque ama a causa de Deus, ama o seu Senhor, e quer ajudar na propagação do evangelho. O motivo supremo nos atos do crente, inclusive o de contribuir, deve ser o amor. Paulo disse que ainda que alguém distribuísse toda a fortuna para o sustento dos pobres e ainda que entregasse o corpo para ser queimado, e não fosse impelido pelo amor, isso de nada aproveitaria (1 Co. 13:3).
Se o motivo verdadeiro existir no coração do crente, ele contribuirá liberalmente. O amor se expressa em dar. Quanto maior o amor, tanto maior a dádiva. Quando Deus amou ao mundo, não enviou um anjo ao mundo para consolar a raça decaída, porém deu seu próprio Filho, seu Unigénito, o máximo que poderia ter dado, para remir a humanidade. Aquele que era supremamente rico, se fez pobre, para que pela sua pobreza fôssemos nós enriquecidos (2 Co. 8:9). Tal é o amor. Ele se despoja de tudo por amor da pessoa amada, ele se entrega sem reservas ao serviço do amado em necessidade. Amar e dar formam uma sequência inevitável. Quem muito ama, muito dá. A mordomia da contribuição é, por conseguinte, a mordomia do amor. Nossa contribuição está na razão direta do amor que temos ao Salvador, e é uma prova de nossa devoção e lealdade à causa.
A contribuição é um ato de vontade esclarecida. Não deve ser feita impensadamente, sem o senso da responsabilidade de quem dá e sem o senso da importância da obra a que se destina. Sobretudo, a questão de dar deve ser um ato do coração. As dificuldades de muitos, é que só dão com a bolsa, e não com o coração. A oferta não deve ser um ato frio e calculado, mas praticado com viva emoção e como expressão da nossa responsabilidade.
“Aquele que semeia pouco, pouco também ceifará; e o que semeia com fartura, com abundância também ceifará. Cada um contribua segundo o que tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a quem dá com alegria”.
A mentalidade de esmola é predominante nos corações da grande maioria das pessoas do mundo. Infelizmente, um considerável número delas se encontra na própria igreja. Suas contribuições para as obras de caridade e para a obra de Deus são mínimas, visto que seu coração não compreende os verdadeiros e reais valores do Reino de Deus.
Quantos não se sentem tristes ao dar para as obras da Igreja? Dos que se dizem crentes – meros religiosos apenas - muitos ainda não chegaram a compreender a natureza da abundância pelo simples facto de ainda não possuírem o novo coração.
Mas para Paulo há dois tipos de doadores: o que semeia pouco, com tristeza e por obrigação e que, por isso, pouco ceifará; o que semeia em abundância, com alegria e confiança em Deus e que, por isso, muito ceifará. A suficiência permite transferir o dom de Deus para os necessitados. A comunidade não deve demonstrar pequena fé ao dar, mas olhar para Deus, que tem muitos recursos. Ele pode dar o necessário para a própria subsistência e ainda o suficiente para transbordar em favor de outros (Fl. 4:19).
Dar com alegria, abrirá para nós um mundo de riquezas interiores e de retornos de bênçãos que são apenas o fruto da própria semeadura feita como generosidade na forma de dinheiro ou bens.
Para ofertar adequadamente basta agir conforme o Espírito Santo ensina através do Apóstolo Paulo em 2 Coríntios 9:6, 7, porque Deus ama a quem dá com alegria!

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O NOVO ESPÍRITO


        “O qual nos habilitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas dos espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co. 3:6).
Todo o sistema judaico caducou. Agora estamos diante de um novo sistema em que Deus toma toda a iniciativa. Deus age pelo Espírito e não fica condicionado por uma letra. Ao novo sistema da nova aliança corresponde uma nova forma de evangelização, um novo ministério, uma nova maneira de servir.
No ministério da letra, trata-se de impressionar ou intimidar os ouvintes para que aceitem entrar no sistema e entregarem-se cegamente ao sistema de leis e prescrições que constituem um escrito, imutável. O que se pede é a submissão total - numa palavra, uma escravidão – e ao aceitar torna-se escravo da lei.
Por outro lado temos o Espírito. Aí tudo é dom de Deus. Tudo é orientado por Deus. O que se pede aos ouvintes, é que se abram para Deus. Não há nada predeterminado, não há nenhum sistema fechado. O Espírito conduzirá os novos crentes. Por isso, a adesão à graça de Deus não traz consigo nenhuma subordinação a um sistema humano, nenhuma escravidão, também nenhuma escravidão em relação aos ministros da aliança.
1.     O Livro Da Aliança
Nesta comparação, vamos compreender melhor a afirmação de Paulo: “a letra mata, mas o espírito vivifica” (2 Co. 3:6). É muito significativo o contraste estabelecido por Paulo entre as duas alianças: uma da letra, outra do espírito. A primeira ministrando “morte, gravado com letras em pedras”, que foi dado aos israelitas através de Moisés (3:7, 3); a outra ministrando vida - o “Espírito” que representa a nova aliança de Cristo. O apóstolo Paulo demonstra que os cristãos eram a carta de Cristo (2 Co. 3:3), carta esta ministrada pelos apóstolos e escrita com o Espírito do Deus vivo. Ele destaca que os cristãos, na condição de cartas, não foram redigidos com tinta, antes, com o Espírito. Não em tabuas de pedras, mas no coração (2 Co. 3:3,4, 6, 8).
Vale destacar que, com as palavras tinta, tábuas, pedras, coração, etc., o apóstolo Paulo criou uma alegoria para demonstrar que o ministério da lei dada ao povo por intermédio de Moisés era transitório e da morte, uma vez que as letras foram gravadas com tinta em pedras, e não no coração dos homens (2 Co. 3:7).
Hoje, a habitação de Deus é espiritual. O conceito do templo ou santuário de Deus é usado no Novo Testamento em dois sentidos, ambos espirituais. Coletivamente, a igreja é o santuário de Deus (1 Co. 3:16). Individualmente, o cristão é a habitação de Deus (1 Co. 6:19-20; Jo. 14:23).
O livro da aliança a que Moisés fez referência em Êx. 24:7 continha as leis de Deus, ou sejam instruções a respeito da justiça. O livro, entretanto, não produziu o que a aliança prometera.
A Palavra de Deus escrita, que contém as divinas promessas da nova aliança, salvação através do sangue de Jesus Cristo, é segurança de vida eterna - inteiramente vã há-de ser se o leitor não responder com espírito e coração abertos.
Hoje, a presença de Deus não depende da nação em que nascemos. Depende da nossa decisão de servir a Jesus, servir aquele que pegou as chaves do diabo, as chaves do inferno e as chaves da morte. Que com o poder da vida divina, ele subiu e entrou novamente em seu corpo. Que não deixou o corpo de lado para voltar direto para o Céu. Mas que reassumiu o corpo porque era esse o propósito de Deus desde que criou os Céus e a Terra. O plano de Deus sempre foi, ainda é e sempre será viver dentro de um grupo de seres humanos que têm corpos físicos no planeta Terra. Não importa se gosta ou não desse plano; é o que Deus quer e o que vai fazer!  Ele disse: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; e meu Pai o amará, e viremos para ele e faremos nele morada” (Jo. 14:23).
E isto o homem pecador só alcançará com a ajuda do Espírito Santo. Sem ela as coisas de Deus lhe serão meras e simples loucuras (1 Co. 2:14).
2.     O Espírito Do Homem
O Espírito é o Lugar Santíssimo do templo, e o Espírito de Deus vem habitar no espírito do homem. Somos o santuário de Deus, “Não sabeis vós que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós” (I Co. 3:16)? É no espírito do homem onde repousa o Espírito de Deus (Ez. 36:26-27). É no espírito do homem onde o Espírito de Deus comunica o que Ele é, o que quer, o que aprova, o que desaprova. O escritor de Provérbios disse que o espírito do homem é a lâmpada do Senhor: “O espírito do homem é a lâmpada do Senhor, a qual esquadrinha todo o mais íntimo do corpo” (Pv. 20:27). Poderíamos dizer que a terra é a capital do universo, que o homem é a capital da terra e que o espírito é a capital do homem.
Para Deus o espírito é muito importante. Há várias passagens na Bíblia onde se fala de adorar a Deus, de servir a Deus, de cantar a Deus, etc. Mas quando lemos essas passagens nos esquecemos de alguns detalhes, algumas pequenas frases importantes.
Lemos em Romanos 1:8 -9: “Primeiramente, dou graças a meu Deus, mediantes Jesus Cristo, com respeito a todos vós, de que vossa fé se divulgue por todo o mundo. Porque minha testemunha é Deus, a quem sirvo no meu espírito no evangelho de seu Filho, de que sem cessar faço menção de vós sempre em minhas orações”.
A frase curiosa é a que aparece destacada por nós. Paulo poderia dizer: “... minha testemunha é Deus a quem amo com todo o coração, a quem louvo todos os dias...”, mas diz: ... “no meu espírito...”. Não disse somente “a quem sirvo”, senão “a quem sirvo em meu espírito”. Não é o mesmo servir, que servir em espírito. Deus quer que nós exercitemos nosso espírito. Para Deus, o espírito do homem é a parte mais importante, por isso necessitamos conhecer o que é e quais são as funções do espírito, conhecê-lo doutrinariamente pela Bíblia, e também experimentalmente. Temos que distinguir o mover do Espírito de Deus em nosso espírito, porque se nós não andamos no espírito, seremos levados pela nossa natureza carnal e nosso serviço a Deus será um serviço natural, carnal, mas não como diz Paulo: “em espírito”.
O espírito do homem é o lugar onde este opera junto com Deus. Sabemos disso porque há uma testificação. O Espírito de Deus habita em nosso espírito, e os dois juntos dão testemunho. Amém.
O espírito é o elemento no homem que dá a ele a capacidade de ter um relacionamento íntimo com Deus. O “espírito” é a visão vertical do homem com Deus. O espírito é o elemento no homem que dá a ele a capacidade de ter um relacionamento íntimo com Deus. Sempre que a palavra “espírito” é usada, se refere à parte imaterial do homem, e à caminhada do homem com Deus.
Das três partes que integram a personalidade humana - corpo, alma e espírito - este é delas a mais elevada. Sendo Deus espírito, é nessa condição de espírito que o homem mais perto se encontra dEle - mais próximo à Sua imagem e semelhança (Jo. 4:24).
Espírito em grego é pneuma, que traz uma conotação quase poética, transcendental, de vento invisível, poderoso. Significa ainda “respiração”; Foi com “pneuma” que soprando sobre Adão Deus fez dele uma alma vivente (Gn. 2:7).
Inteiramente vaga e imprecisa seria qualquer definição que tentássemos aplicar ao “espírito”, pois nem sequer podemos dizer o que realmente é. Sabemos possuir ele alguns dos atributos da alma. Não foi assim que se expressou Maria: “O meu espírito se alegra em Deus” (Lc. 1:47)?
Em Hebreus 4:12 vemos que o espírito e a alma de um homem estão de tal forma intimamente relacionados, que impossível se faz isolá-los um do outro, ou dividi-los.
Não obstante a impossibilidade de uma definição precisa, sabemos com total segurança que o espírito é a força propulsora, motivadora, do interior do homem. Nele são formuladas as diretrizes da existência humana. Lembre-se de que foi por causa de um espírito errado que o povo de Israel não alcançou obedecer às condições da velha aliança. Mas agora elas são diferentes: temos a promessa de vir o Espírito do Senhor habitar dentro de nós.
3.     O Novo Espírito
Deus prometeu por intermédio do Profeta Isaias que haveria de vivificar o espírito dos abatidos, e vivificar o coração dos contritos fazendo neles morada. Quando Deus dá a Isaías esta mensagem Ele faz menção de pessoas abatidas de espírito e contritos de coração.
Deus visa primeiro em renovar o espírito obscurecido do homem, comunicando-lhe vida, porque é no espírito que Deus originalmente determinou que o homem recebesse sua vida e tivesse comunhão com Ele. O propósito de Deus, em seguida, é partir do espírito para permear a alma e o corpo humano. Essa regeneração concede ao homem um novo Espírito, e também vivifica seu espírito morto.
Em sua profecia sobre a nova aliança, o profeta Ezequiel revela o segredo da obediência que faltava sob as leis da velha aliança: “Dar-vos-ei coração novo, e porei dentro de vós espírito novo; tirarei de vós o coração de pedra e vos darei coração de carne. Porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, guardeis os meus juízos e os observeis” (Ez. 36:26, 27).
 Quando a vida de Deus entra em nosso espírito humano, este desperta do seu estado de coma. Aquilo que estava separado da vida de Deus volta agora a viver novamente. O espírito que herdamos de Adão é morto. O que recebemos em Cristo na regeneração é um espírito que foi vivificado, como o novo espírito da vida de Deus. Este espírito é algo que Adão nunca possuiu. Na Bíblia, a vida de Deus é sempre chamada de “vida eterna”. A palavra “vida” aí, no grego, é zoe, indicando uma vida superior, ou do Espírito. É isso que todo o cristão recebe na regeneração. Qual é a função dessa vida? Jesus, em sua oração, disse: E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste (Jo. 17:3).
4. A Natureza Do Novo Espírito
O Senhor prometeu colocar o Seu Espírito dentro de nós, sob a nova aliança. Que significara exatamente isto? É o que explica muito claramente Isaías. Vejamos como ele define o Espírito do Senhor. Isaías 11:2:
“Repousará sobre ele o Espírito do Senhor,
o Espírito de sabedoria;
o Espírito de entendimento;
o Espírito de conselho;
o Espírito de fortaleza;
o Espírito de conhecimento;
o Espírito de temor de Deus”.
5. As Consequências Do Novo Espírito
a) Vida eterna - Romanos 8:9, 10
“Vós, porém, não estais na carne mas no Espírito, se de facto o Espírito de Deus habita em vós. E se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dEle. Se, porém, Cristo está em vós, o corpo, na verdade, está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça”.
Paulo diz que Cristo vivia nele através do Espírito Santo. Algo precioso que veio do céu para ficar na terra e produzir fruto para Deus foi encomendado aos santos da parte de Deus o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Então, a igreja deve tomar consciência de que ela é um vaso depositário de um conteúdo riquíssimo. Esta habitação do Espírito de Deus nos permite ser fiéis. Christ's faithful mind is imparted to us and becomes part of our mind. A mente de Cristo fiel é comunicada a nós e se torna parte da nossa mente. If we provided the faith to obey God, it would be self-righteous.
O Espírito Santo nos livra da morte e nos leva ao dom da vida eterna. We inherit mortal life through Adam, but God gives His Spirit to endow eternal life on His faithful and obedient children. Nós herdamos a vida mortal através de Adão, mas Deus dá o Seu Espírito para dotar da vida eterna os Seus filhos fiéis e obedientes. Since the Spirit is God's gift, neither are we born with it, nor can we earn it.
A filosofia secular nos diz que há em cada ser humano uma centelha divina, a qual precisa apenas ser inflamada através de boas obras. Isto é uma mentira. O Espírito de Cristo, nosso na nova aliança, é que nos dá vida eterna. Ele é a única “centelha divina”. Esta bendita esperança possuem-na tão-somente aqueles que são nascidos de novo no Espírito de Deus. Todos os demais, a despeito de quaisquer filosofias em torno de “centelha divina”, irão morrer nos seus próprios pecados.
a)    A menta de Cristo - I Cor. 2: 14·16
Ter a mente de Cristo significa passar a dar prioridade às coisas espirituais, olhar para as coisas que são de cima, e entender que vivendo em relação espiritual com o Criador, automaticamente a vida material é tocada por Deus, de acordo com sua vontade.
Ter a mente de Cristo nada mais é do que a Pessoa do Espírito Santo em nós ensinando-nos e revelando-nos as coisas de Deus.
Ter a mente de Cristo significa que Ele nos dotou com a mesma disposição, portanto, nascidos de novo pelo seu Espírito, seremos capazes de conhecer a sua mente e receber os ensinamentos do seu Espírito.
Neste capítulo a respeito do “homem espiritual”, ou seja aquele que recebeu o Espírito do Senhor, encontramos a fonte da revelação e da iluminação. A pessoa que não possui o Espírito de Cristo não tem qualquer possibilidade de compreender a natureza das coisas espirituais. No fecho do capítulo, o apóstolo Paulo se rejubila no facto de que “nós, porém, temos a mente de Cristo” (v. 16). Tal acontece exclusivamente porque temos dentro de nós o real Espírito de Cristo.
b)    Uma personalidade transformada - 1 Pedro 3:4
“Seja, porem, o homem interior do coração, unido ao incorruptível de um espírito manso e tranquilo”. Ou seja, um corpo transformado com o poder de suplantar limitações... uma personalidade que não faz parte do corpo.
1 Pedro 2 fala de pedras vivas, sacerdócio real, que proclamarão as virtudes daquele que nos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.
No meio da variedade de “coisas novas” características da pessoa que está em Cristo Jesus (2 Cor. 5:17), sobressai a atitude nova, diferente, as novas reações ante os inúmeros problemas da vida - maravilhosa condição descrita por Pedro como “um espírito manso e tranquilo”.
Quantas e quantas pessoas não têm sido consumidas, destruídas mesmo, por se deixarem possuir por um espírito violento e amargo! Da única maneira possível elas estão reagindo, pois não conhecem o milagre do espírito tranquilo de Cristo para ajudá-las.
 1 Coríntios 15 fala de apenas dois homens, o primeiro Adão e o segundo Adão. Um foi alma vivente; o outro, espírito vivificante. Jesus falou que se um cego guiar outro cego, os dois cairão no barranco. “O discípulo não está acima do seu mestre; todo aquele, porém, que for bem instruído será como o seu mestre” (Lc. 6.40). “E, assim como trouxemos a imagem do que é terreno, devemos trazer também a imagem do celestial” (1 Co. 15.49). Se não formos como Jesus, seremos apenas almas viventes, cegos guiando outros cegos, sempre caindo no barranco. Precisamos de trazer em nós a imagem do celestial, proclamando as virtudes daquele que nos chamou. Como isso acontece?
Jesus disse que se o grão de trigo, caindo em terra, não morrer, fica ele só. As igrejas estão cheias de grãos de trigo hoje - almas viventes. Precisamos de deixar a casca de trigo romper para nos tornarmos espíritos vivificantes e, assim, produzirmos muito fruto. No mesmo capítulo 12 de João, Jesus diz: “E eu, quando for levantado da terra, atrairei todos a mim mesmo”. A única forma de atrair os outros é Jesus ser levantado em nossas vidas. Este é o testemunho do sangue: a casca do grão de trigo se rompendo, a nossa vida natural morrendo e Jesus sendo levantado.
Recomendamos que você use a “chave bíblica” e através dela descubra a grande quantidade de referências do Novo Testamento a essa radical transformação daquele que recebeu o novo espírito de Cristo em sua vida. Procure a palavra “espírito”.
Tudo quanto uma pessoa chegou a ser veio do Espírito: desejos, sonhos, ambições, valores, gosto, sensibilidade, reações, recursos, hábitos, linguagem, inclinações, etc. Estas coisas agora diferentes por causa da bendita promessa da nova aliança, quando Deus nos diz: “Porei em vós um novo espírito... porei o meu Espírito dentro de vós”.
Este é o segredo da nova vida em Cristo. 

O SANGUE DA ALIANÇA


         A oração final da epístola aos Hebreus diz: “Ora, o Deus da paz, que tornou a trazer dentre os mortos a Jesus, nosso Senhor, o grande Pastor das ovelhas, pelo sangue da eterna aliança vos aperfeiçoe em todo o bem, para cumprirdes a sua vontade, operando em vós o que é agradável diante dele, por Jesus Cristo, a quem seja a glória para todo o sempre. Amem” (Hb. 13: 20, 21).
O âmago desta bênção é a expressão “pelo sangue da eterna aliança”. É o sangue que torna válida a aliança! O sangue de Jesus proporciona a contínua ação do poder reconciliador e purificador na vida do salvo, à medida que este se aproxima de Deus por meio do único mediador entre Deus e o Homem, Jesus Cristo, o “Único mediador da Nova Aliança”.
Os profetas do Antigo Testamento profetizaram acerca da futura existência desta aliança. Isaías regista as palavras de Deus “à alma desprezada, ao que a nação abomina, ao servo dos que dominam… te guardarei, e te darei por aliança do povo” (49:7-8, ver também 42:6). Esta é uma clara referência ao Messias, Jesus Cristo. Através de Isaías Deus também predisse “firmarei em verdade a sua obra; e farei uma aliança eterna com eles” (61:8)·
Jeremias também falou sobre isso. “Eis que dias vêm, diz o Senhor, em que farei uma aliança nova”, que não será “conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão para os tirar da terra do Egito” (Jr. 31:31-32). Isso é novamente referido como ‘uma aliança eterna’ (32:40).
Ezequiel aponta para a natureza reconciliatória desta aliança. Ele observa, no famoso capítulo da Bíblia “ossos secos”: “E farei com eles uma aliança de paz; e será uma aliança perpétua” (37:26).
1. A Vida Está No Sangue
O livro de Levítico contém as leis recebidas por Moisés para o governo de Israel. Nele encontramos os regulamentos que governam as ofertas (de paz, pecado, transgressões, carne) e as leis (a respeito de nascimento, conduta pessoal, saúde, pestes e lepra, profanações, juramento, o sábado e o sacrifício).
Eis o que declara a lei a respeito de ofertas de sangue: “Porque a vida da carne está no sangue. Eu vo-lo tenho dado sobre o altar, para fazer expiação pelas vossas almas: porquanto é o sangue que fará expiação em virtude da vida” (Lv. 17:11).
Desde o início, e em todo o lugar, o sangue parece ter sido encarado como eminentemente representativo da vida, como, aliás, em um sentido peculiar, a própria vida. Esta Escritura fala do sangue de animais, que foram sacrificados para cobrir temporariamente os pecados do povo no Antigo Testamento, até que o Messias viria oferecer o sacrifício perfeito de si mesmo a Deus Pai.
a)    A palavra “expiação” significa “purificação”.
Mas não é o sangue de si mesmo que faz a expiação, mas, sim, o sangue, na medida em que a vida é contida nele. A expiação, portanto, não depende do sangue, mas, sim, da vida, que é sustentada pelo sangue  (Lv. 17:13-14).
A carne é alimentada pelo sangue e todos os processos dos sangue representam o nosso espírito em relação ao Espírito. A oxigenação é a principal. O sangue representa a vida ou seja o espírito. Deus nos derramou do seu Espírito, ou seja, o seu sangue que nos purifica.
Reconhecendo o facto de que a vida da carne está no sangue, foi então estabelecido que o sacrifício de sangue se tornaria na evidência do perdão: a entrega de uma vida no lugar de outra. Este é o significado da lei dos sacrifícios: sangue inocente vertido para expiar (purificar) os pecados do povo. A expiação dos pecados somente aconteceria mediante derramamento de sangue.
1.  O Sangue Da Antiga Aliança
O sacrifício de Abel foi um sacrifício de sangue, aceito consequentemente por Deus, ao ser rejeitada a oferta de seu irmão, Caim (Gn. 4:4). A aliança com Abraão foi ratificada com o sangue de animais inocentes (Gn. 15:9-10).
Desde o princípio da Bíblia, quando Abel e Caim ofereceram sacrifícios, Deus mostrou que sua aceitação do homem era baseada no cordeiro. Ele aceitou o cordeiro de Abel porque prefigurava Jesus Cristo. Outra figura de Cristo era a festa da páscoa (Êx. 12:1-30). A páscoa era a primeira festa do ano dos judeus e era uma das bases principais da Antiga Aliança. Seu rito central era o sacrifício de um cordeiro. Deus ordenou que cada família do povo de Israel matasse um cordeiro, colocasse o sangue nos umbrais das portas e comesse a carne no interior da casa. Quando o anjo da morte passasse por toda a terra do Egito matando os seus primogénitos, na casa onde havia sangue não haveria juízo. Note bem que cada família era protegida do juízo de Deus, não pela sua própria justiça, mas porque estavam crendo na sua palavra de que o sangue do cordeiro era suficiente para livrá-los.
No pátio externo do tabernáculo no deserto, havia dois elementos: a bacia de bronze, que guarnecida de espelhos e cheia de água, representava a Palavra de Deus - na qual as pessoas podiam mirar-se e ser reveladas; envolvia também o aspeto da purificação “pela água da Palavra”.
O outro elemento a ser encontrado era o altar dos sacrifícios, sobre o qual se derramava o sangue dos animais. Ninguém podia entrar no lugar santo, nem no santo dos santos, sem primeiro passar pelo lugar dos sacrifícios.
Quando em Êxodo 24 Moisés descendo do Monte Sião entregou ao povo a lei de Deus, duas ofertas foram feitas ao Senhor - queima e paz. Metade do sangue era aspergida sobre o altar (v. 6) e a outra metade sobre o povo, com as seguintes palavras: “Então tomou Moisés aquele sangue e o aspergiu sobre o povo, e disse: Eis aqui o sangue da aliança que o Senhor fez convosco a respeito de todas estas palavras” (Êx. 24:81).
Nessa ocasião o sangue dos bois sacrificados tornou-se no “sangue da aliança”.
Uma promessa foi feita. Deus desejando que o povo conhecesse as Suas sérias intenções, pediu um sacrifício de sangue.
2.    As Limitações Do Sacrifício De Sangue
No Antigo Testamento não havia aperfeiçoamento e sim repetição. O próprio facto da Antiga Aliança precisar de sacrifícios era uma prova da sua ineficácia. As pessoas ofereciam sacrifícios, mas estes não purificavam as suas consciências do pecado. A paz não era duradoura porque logo eles pecavam de novo, manchando a consciência novamente. O sentimento de condenação impedia-os de se chegarem a Deus. Infelizmente, isto ainda retrata a nossa situação hoje. Mas Paulo está dizendo que o processo de lembrar pecados, pedir perdão, tomar a ceia e  cometer pecado de novo faz parte do Antigo Testamento, quando os sacrifícios não tinham poder para aperfeiçoar ou tirar o pecado da nossa consciência..
Apesar do sangue do sacrifício animal ser impotente para libertar o povo de Israel de seus pecados, um efeito imediato ele possuía, e isto muito significava.
Podemos perceber isto em Hebreus 9:13: “Portanto, se o sangue de bode e de touros, e a cinza de uma novilha, aspergida sobre os contaminados, os santifica, quanto à purificação da carne... “
O máximo que se podia fazer através desse sacrifício de sangue era a “purificação da carne”, nunca a purificação do espírito e da alma.
Os capítulos 9 e 10 de Hebreus tratam extensamente do assunto do sangue na antiga e na nova alianças. Vemos aqui ser “impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados” (Hb. 10:4). Este era o problema. O pecado poderia ser encoberto na antiga aliança pelo derramamento de sangue, mas não poderia ser perdoado, ou removido.
Prova disto é o sacrifício contínuo de animais; esta “cobertura de pecados” era temporária e o sacrifício pelo pecado tinha que ser constantemente repetido.
3.  O Sangue De Jesus - Mediador Da Nova Aliança
O Sangue de Cristo vertido na cruz do calvário é agora o sangue da nova aliança entre Deus e o homem, já que a antiga aliança foi desfeita pela incapacidade do homem em cumprir a Lei Divina. Os sacrifícios de animais já não eram mais agradáveis ao Senhor, Deus já não tinha mais prazer nesses sacrifícios, a purificação pelos pecados havia se tornado mais um cerimonial religioso, um ritual mecânico, o homem pecava e não se arrependia verdadeiramente em seu coração, seu sacrifício era vão, e pela lei do Senhor só pode haver remissão de pecados com derramamento de sangue, e o único sangue capaz de atender completamente a essa exigência foi o sangue de Cristo. Podemos considerar que este foi a maior transfusão de sangue já realizada no mundo.
Para que a Igreja desfrute de plena proteção, vida espiritual e comunhão com Deus é necessário que saiba utilizar esse recurso extraordinário que o Senhor colocou à sua disposição: o sangue de Jesus. O sangue de Jesus tem sido frequentemente apenas uma doutrina na qual a Igreja crê, mas não tem sido uma doutrina vivida. Por não viver essa doutrina, a Igreja tem deixado de receber muitas bênçãos que são concedidas apenas mediante o poder do sangue do Senhor Jesus.
O sangue de Jesus não só nos purifica do pecado, é também o batimento cardíaco da vida, a Palavra de Deus ativa. É o fio que percorre toda a Bíblia, amarrando-o em um todo abrangente. A vida está no sangue. Que este estudo da Bíblia possa levá-lo mais profundamente na fonte de limpeza.
Vamos agora examinar algumas das muitas referências ao sangue da nova aliança, e vejamos como a salvação do pecado vem por este meio:
“A seguir tomou (Jesus) um cálice e, tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos; porque isto é o meu sangue, o sangue da nova aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados” (Mt. 26:27, 28).   
“Não por meio de sangue de bodes e de bezerros, mas pelo seu próprio sangue, entrou no Santo dos Santos, uma vez por todas, tendo obtido eterna redenção... muito mais o sangue de Cristo que, pelo Espírito eterno, a si mesmo se ofereceu sem mácula a Deus, purificará a nossa consciência de obras mortas para servirmos ao Deus vivo” (Hb. 9:12, 14)!
 “... sabendo que não foi mediante coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados do vosso fútil procedimento que vossos pais vos legaram, mas pelo precioso sangue, como de cordeiro sem defeitos e sem mácula, o sangue de Cristo ...” (1 Pe. 1:18, 19).
 “... e da parte de Jesus Cristo, a fiel testemunha, o primogénito dos mortos, e o soberano dos reis da terra. Aquele que nos ama, e pelo seu sangue nos libertou dos nossos pecados...” (Ap. 1:5).
Aqui nós conseguimos entender que o sangue de Jesus nos aproxima de Deus em duas etapas progressivas, nós estávamos longe do caminho da salvação e pelo sangue de Cristo fomos levados até à presença de Deus, pelo seu sacrifício de sangue fez com que o véu do templo se rasgasse, quebrando a barreira entre homem e Deus. Agora temos total liberdade e comunhão através do sangue de Cristo, não existem mais barreiras, o sangue de Cristo rompeu-as todas.
Em tudo o que existe no universo, não há nada mais poderoso e edificante que o poder no “Sangue de Jesus”, o Filho amado de Deus. O sangue de Jesus tem o poder para tirar o pecado que nos prendia à sentença de morte, nos deixava derrotados e fadados ao mal, à expectativa da destruição e à condenação! Desde o primeiro homem (Adão), que contaminou toda a humanidade com o seu pecado original, nenhuma substancia conseguiu restaurar o universo e em especial o homem, a não ser o Sangue de Cristo, que foi crucificado, morto e ressurreto ao terceiro dia. Somente Ele é capaz de restaurar vidas, lares destruídos, curar enfermidades.
4.  O Ministério Do Seu Sangue
Somente o Espírito Santo nos pode revelar o profundo significado das palavras do apóstolo João referentes à carne e ao sangue do nosso Senhor. Pondere-as cuidadosamente:
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes vida em vós mesmos. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeira comida, e o meu sangue é a verdadeira bebida. Quem comer a minha carne e beber o meu sangue, permanece em mim, e eu nele” (Jo. 6:53-56).
Na Antiga Aliança o cordeiro apontava para Jesus que ainda estava para vir, mas na Nova Aliança comemos o pão lembrando-nos de Jesus que já veio, e com expectativa daquela grande ceia que haverá no reino de Deus. A expectativa do povo de Deus deve ser a vinda do reino de Deus para a terra. Somos um povo que ainda não entrou plenamente na sua herança, mas que está caminhando para tomar posse dela. Por isso devemos comer do pão e beber do vinho em memória de Cristo.
Devemos confessar que a sua obra na cruz (passada, “em memória”) é suficiente para nos prepararmos para a vinda do seu reino (futuro, “expectativa”). Observe que Jesus não estabeleceu nenhuma frequência para a celebração da ceia. Ele apenas disse: “Fazei isto em memória de mim”. Agora já não é uma vez por ano como acontecia na páscoa. Na medida da revelação podemos fazer isto a toda hora, ou todas as semanas ou todos os meses. A Antiga Aliança acabou, agora estamos na Nova Aliança.
Portanto, o requisito para se tomar a ceia não é a perfeição, é crer que estamos num processo de aperfeiçoamento. Na medida em que temos a revelação de Jesus e da sua obra estamos caminhando para alcançar esse alvo. A perfeição é o alvo e não a condição.
É especialmente nesta passagem que a Igreja Católica Romana baseia a grande ênfase que empresta à Eucaristia. Seu erro está na interpretação literal, ao afirmar que o simples ato de comer e beber da refeição pascal garante a vida eterna e ressurreição. Em consequência disso, através dos séculos pagãos e não crentes têm sido enganados pelo ritual da Missa, deixando-se dominar pela crença de que os elementos da Eucaristia são por si mesmos suficientes para garantir o perdão dos pecados.
Esta falsa interpretação das Escrituras é para nós abominável. Sem fé ativa por parte do participante, o “sacramento” (coisa sagrada) não transmite de forma alguma aquilo que ele representa. Esta é uma declaração fundamental para a teologia reformada, evangélica.
O Espírito nos diz que o apostolo João se refere à nossa identificação com a vida (carne) e com a morte (sangue) do nosso Senhor Jesus Cristo como garantia de vida eterna. Tomar vinho (como na Santa Ceia) não é “beber sangue”. Este ato de comer e beber tem um significado muito mais profundo e eterno do que qualquer ato físico possa expressar.
Recomendamos a cada um que estude o que a Bíblia diz a respeito do sangue de Cristo. A graça salvadora de Deus é contínua, operando diariamente em nossas vidas.
Atente para o tempo do verbo nesta passagem: “Se, porém, andarmos na luz, como Ele na luz está, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (I Jo. 1:7).
O sangue de Cristo, derramado no Calvário, é a nossa garantia da promessa da aliança de vida eterna. É também a nossa herança, e como qualquer herança, ela não passa para o recetor até à morte de quem fez a vontade, ou convénio. É a n Our inheritance of forgiveness and eternal life is brought about through the power of the shed blood of Jesus Christ.ossa herança de perdão e vida eterna que é obtida através do poder do sangue derramado de Jesus Cristo. É aí que faz o "testamento", através da morte dAquele que fez a promessa (Hb. 9:15-18).
Numa ação contínua de purificação, o sangue de Cristo nos torna merecedores da salvação eterna. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

O Partir do Pão


“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações” (At. 2:42).
Introdução
O livro de Atos conta a história da Igreja Primitiva e da direção fiel de Deus ao descobrirem e viverem sua fé nas situações de todos os dias. Nos versículos que levam ao segundo capítulo de Atos, encontramos os discípulos esperando numa casa em Jerusalém pelo Espírito Santo prometido (At.1:4-5).
A Igreja Cristã nasceu dez dias mais tarde quando o Espírito Santo veio. Com aquele nascimento, veio a mudança que surpreendeu tanto os discípulos quanto os habitantes de Jerusalém. Deus começou a fazer coisas miraculosas através do ministério daqueles líderes da igreja primitiva que agora estavam cheios do Espírito Santo. Este estudo destaca algumas das atividades dos primeiros cristãos logo após a vinda do Espírito Santo e chama a atenção para a forma como a Igreja se organizou nos anos seguintes. O que a igreja primitiva tinha que atraía as pessoas a ela? O que tinham aqueles primeiros cristãos que falavam aos corações de seus amigos e vizinhos? O que poderia ter persuadido pessoas comuns para arriscarem a sua vida como parte dessa nova fé?
Nossa futura utilidade no reino de Deus depende de abraçarmos essa identidade como Igreja e essa fé como povo cristão. Saber no que acreditamos e por que acreditamos é essencial ao nos encontrarmos na arena global de nossos dias.
A leitura do livro de Atos dos Apóstolos, no Novo Testamento, na Bíblia Sagrada, dá uma diretriz precisa sobre a importância de os cristãos terem um grupo de comunhão para compartilhar, encorajar-se mutuamente, motivar-se para a missão e orar uns pelos outros. Na verdade, nos cinco primeiros capítulos, tal importância já é revelada com clareza. A comunhão regular com irmãos e irmãs de fé numa mesma comunidade é parte imprescindível da caminhada com Jesus.
O autor de Atos, que é Lucas, descreve como a igreja primitiva era e ele nos diz que as pessoas eram atraídas a ela. Havia algo sobre aqueles crentes que fazia com que outros quisessem arriscar as suas vidas para serem parte da comunidade. Havia algo tão diferente, tão real e tão autêntico sobre a fé deles que atraía novos crentes todos os dias, o que é bem impressionante, considerando que as autoridades estavam fazendo todo o possível para exterminar esse novo cristianismo.
Logo no capítulo 1, v. 14, lemos que “todos eles (apóstolos e discípulos de Jesus) se reuniam sempre em oração”. A prática da oração coletiva é um dos privilégios que podemos desfrutar nesses encontros regulares. Quando as pequenas brasas do coração de cada um se juntam, o resultado é o aquecimento geral das nossas emoções e a intensificação do clamor. Porque o resultado mais importante é a certeza de que Deus está atento ao que se diz naquele lugar, de maneira ainda mais especial.
Em Atos 2:1, somos informados que os discípulos “estavam todos reunidos num só lugar”. E no v. 42, sabemos que “se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações”. Em 2:44, 46, está registado que eles “todos os dias, continuavam a reunir-se no pátio do Templo, e partiam o pão em suas casas...” Percebe-se então que eles eram muito próximos. Eles se reuniam todos os dias no templo com um mesmo coração. Eles eram de uma mesma mente, a mente de Cristo. Eles viam Cristo uns nos outros e se amavam uns aos outros. Eles partiam o pão em casa, e em algumas versões é dito que eles partiam o pão de casa em casa. Toda a vez que tinham uma refeição eles se lembravam do Senhor partindo o pão. Eles recebiam o que o Senhor lhes dava com ações de graças. Eles se lembravam do Senhor a cada refeição. Eles eram pessoas que louvavam a Deus. Eles eram um povo adorador, e tinham favor de todos.
Em Atos 2:42-47, conseguimos ter uma visão da igreja primitiva, que nos ajuda a entender porque tantos estavam dispostos a se tornarem novos crentes mesmo que às vezes isso custasse tudo. Era autêntico, uma amizade que cuidava uns dos outros. Era uma “família” da forma que deve ser. E era um cristianismo honesto.
Agora vejamos o que diz o capítulo 4, versículo 32: “e a mente e alma da multidão daqueles que criam era uma, e ninguém dizia que aquilo que possuía era seu, mas tinham todas as coisas em comum. E com grande poder os apóstolos testemunhavam da ressurreição do Senhor Jesus. E havia grande graça sobre todos”.
Então, vemos desde o início que aqueles que creem no Senhor Jesus vivem uma vida de igreja. Eles vivem como um corpo. Eles são membros uns dos outros. Eles amam uns aos outros. E eles cuidam uns dos outros. Eles são um. Isso é a vida da igreja. Isso é vida do corpo. E isso é a vida que Deus quer que nós vivamos.
O livro de Atos dos Apóstolos e as cartas de Paulo trazem lindos relatos de como os cristãos eram unidos, de como se preocupavam uns com os outros... A Palavra diz que eles permaneciam na doutrina dos apóstolos, que era a mesma doutrina de Cristo, anunciando a mensagem da cruz que é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus (1 Co. 1:18). Em cada alma havia temor; e muitos prodígios e sinais eram feitos por intermédio dos apóstolos. Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum. Vendiam as suas propriedades e bens, distribuindo o produto entre todos, à medida que alguém tinha necessidade.
Também perseveravam juntos em encontros de oração, tanto no pátio do templo judaico, local de reuniões inserido na cultura da época, e, todos os dias, de casa em casa, partiam o pão e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração, louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo. Enquanto isso acrescentava-lhes o Senhor, dia a dia, os que iam sendo salvos (At. 2:42-47). Uma coisa muito interessante que comumente vemos acontecer no meio evangélico são os ensinamentos de como que se deve perseverar, ensinando a viver uma perseverança com cheiro de esforço humano, justiça própria, ignorando as palavras do apóstolo Paulo: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co. 15:10).
A compaixão é um atributo básico da igreja de Cristo; esta não pode existir onde a obediência fiel às Palavras de Jesus não esteja presente; nem tampouco pode existir, a menos que a compaixão abunde como uma expressão do próprio coração de Cristo. Cristãos verdadeiros têm um amor fraterno ativo, o qual é gerado pelo amor de Deus que habita em seus corações. João escreveu: “Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus” (1 Jo. 3:17)?
Dá para notar como era o convívio, a comunhão e a harmonia... Claro que aqui e ali havia alguns ajustes a fazer. Mas era um tipo de relacionamento que impactava até mesmo as pessoas que não faziam parte daquela comunidade cristã. Aqueles discípulos tinham realmente aprendido com Jesus sobre o amor ao próximo e sobre unidade. Devemos seguir este exemplo e agradecer a Deus pelo que eles demonstraram ser possível acontecer, e orar para que, cada vez mais, consigamos manter este tipo de comunhão, na prática, em nossas comunidades e igrejas hoje.
1)    Eles sabiam no que criam.
Não era um jogo. Aqueles cristãos eram da pesada. A escolha e a fé deles significava sacrifício, então eles tinham que saber, ao estarem se envolvendo, que Jesus era real. O versículo 42 diz que: ‘eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos’ e nós percebemos isso por todo o livro de Atos. A palavra-chave nesse texto é perseverar, que nos traz a ideia de continuidade, permanência e persistência. Os primeiros cristãos permaneciam na doutrina dos apóstolos, que era a mesma doutrina de Cristo, anunciando a mensagem da cruz que é loucura para os que perecem, mas para nós que somos salvos é o poder de Deus (1 Co. 1:18). Eles conheciam a história da morte, enterro, ressurreição, ascensão e retorno de Jesus; Sua história é contada e recontada no livro de Atos. Outra parte da ‘devoção ao ensino dos apóstolos’ era a determinação de contar a história de Jesus onde quer que eles fossem. Aquela mesma mensagem foi levada para a Palestina e para o Império Romano pelos discípulos que contavam os mesmos factos em lugares diferentes. Eles fizeram isso sob circunstâncias perigosas e a maioria deles teve morte de mártires.
O Espírito Santo, através da obediência dessas pessoas ao evangelho e ao ensino dos apóstolos, concedeu aos membros da igreja de Cristo uma unicidade de mente. Lucas disse: “Todos os que creram estavam juntos e tinham tudo em comum” (At. 2:44). E depois acrescentou: “Diariamente perseveravam unânimes no templo, partiam pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração” (At. 2:46).
Uma coisa muito interessante que comumente vemos acontecer no meio evangélico são os ensinamentos de como que se deve perseverar, ensinando a viver uma perseverança com cheiro de esforço humano, justiça própria, ignorando as palavras do apóstolo Paulo: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã; antes, trabalhei muito mais do que todos eles; todavia, não eu, mas a graça de Deus comigo” (1 Co. 15:10).
A perseverança do cristão está baseada no que ele é, e não, no que ele faz. Está baseada na ação de Cristo no cristão e não na ação do Cristão. O apóstolo Paulo expressa no texto acima primeiro o que ele é pela graça, depois o que ele faz por meio da graça. A perseverança está diretamente ligada ao que somos. Permanecer na doutrina dos apóstolos é tarefa para novas criaturas, para filhos genuínos, gerados pela Palavra. A perseverança dos santos está diretamente ligada à santificação, que é o processo pelo qual o Espírito Santo torna os eleitos cada vez mais semelhantes a Jesus Cristo em tudo o que fazem, pensam e desejam.
Mas, quotidianamente, o que vemos, infelizmente, são movimentos contrários à verdade, pastores que são verdadeiros lobos em pele de cordeiro, advogados do diabo. Todos os dias, no rádio, na TV, e na internet os vemos pregando o evangelho da marcha ré. Quando não é assim, aparecem os “super-crentes”, filhos “maduros”, com corpos suados de tanto desempenharem os ativismos da madureza, pregando que a palavra da cruz é somente um detalhe, e o que importa realmente é a “maturidade”. Mas sobre isso o apóstolo Paulo também já nos advertiu: “Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos e se apartem da simplicidade que há em Cristo” (2 Co. 11:3).
Não devemos deixar que as divisões do mundo cristão confundam a simplicidade de seguirmos a Cristo como Sua igreja. A igreja não é um corpo feito por mãos humanas. Ela é um grupo de pessoas que se submeteram à mensagem do Espírito Santo e, em obediência ao evangelho, foram unidas pelo Espírito Santo na igreja de Cristo. Pertencem somente a Cristo. Não olham para uma liderança humana, mas são guiadas pela cabeça do corpo, Cristo, através de Sua Palavra revelada. Veem como sinal de fidelidade a Cristo a submissão à Sua Palavra inspirada. A Bíblia guia a adoração dos cristãos, seu trabalho como mãos de Cristo no mundo e seu viver diário por Cristo.
É a crença de que só Jesus tem o poder de nos salvar e porque Ele morreu, nós podemos ter o tipo de relacionamento que precisamos com Deus. É a crença de que o sangue verdadeiro que jorrou de marcas verdadeiras de um Jesus real, que realmente viveu, que de alguma forma paga a dívida de todas as pessoas desagradáveis e más e de suas ações em nosso mundo. E paga a dívida das coisas que talvez nem sejam consideradas pecado de verdade, como a piadinha que eu contei ou a prova que colei. Isso não só envolve perdão, mas adoção na família de Deus e na herança que sobressai a qualquer coisa que o mundo possa tentar oferecer. E essa fé, essa crença, carrega a mensagem real de que o bónus não chega só no final quando morremos e vamos para o céu. O bónus é para agora – o bónus é ver circunstâncias mudadas, vidas mudadas e um planeta mudado hoje.
2)    Eles eram unidos.
Não era simplesmente um monte de pessoas que criam na mesma coisa. A unidade que eles tinham era quase irreal, porque ela unia pessoas de diferentes grupos sociais e económicos. Naqueles dias, os escravos nunca se assentavam na mesa com um mercador rico, mas eles o faziam nessa nova comunidade de fé. Todos eram tratados com igualdade. As barreiras que separavam as pessoas foram destruídas. Mais barreiras caíram quando eles começaram a olhar para as necessidades materiais uns dos outros. Os versículos em Atos nos dizem que eles realmente vendiam suas coisas para poder cuidar daqueles que tinham necessidade.
Ao contemplarmos a bela unidade que existia na igreja edificada por Jesus, recordamos a importância deste primeiro quadro da igreja. Este quadro nos apresenta o resultado da vida e morte de Cristo na terra. Que tipo de igreja Cristo veio estabelecer ou criar? Seria uma grande organização com muitos corpos designados por diferentes nomes, vivendo segundo credos diferentes e sem comunhão uns com os outros? Ou Ele criou um corpo unido sobre o qual ele reina como cabeça? Em Atos 2, vemos a imagem mais nítida de, talvez, todo o Novo Testamento, do que Jesus quer que a sua igreja seja e de como Ele quer que ela viva no mundo. Esse quadro, indubitavelmente, revela que a unidade de mente e de vida caracterizava a igreja. Hoje também é isso o que Cristo deseja para a Sua igreja. A divisão que prevalece por todo o mundo religioso é um sinal certo de que o homem, em sua sabedoria terrena, deixou a igreja de Cristo e fabricou igrejas por sua própria conta.
A unidade da igreja do Senhor pode ser ilustrada pelo casamento. Um homem e uma mulher, que são diferentes nas experiências de formação e na vida familiar, tornam-se um no matrimónio (Ef. 5:31). Após a celebração do enlace, emergem como uma nova família. Agora, pertencem um ao outro, e adquirem uma nova natureza. As ambições egoístas e os objetivos pessoais morrem; novas ambições e objetivos para o bem da nova família ganham vida. Coabitam em unidade, sendo um em alma e coração, trabalhando juntos em prol da manutenção, do amor e do futuro de seu lar. Como conseguiram obter essa unidade? Foi através do mútuo consentimento de entrarem no casamento e do cumprimento da lei matrimonial. Como mantêm essa unidade? Amando um ao outro, cuidando um do outro, perdoando um ao outro, honrando os votos de núpcias e honrando o abençoado estado civil de casados.
Isso não é verdadeiro quando aplicado à igreja? Como tomamos parte da unidade da igreja? Por consentimento pessoal, decidimos entregar nossas vidas ao evangelho de Cristo e entrar no Seu corpo, a igreja. Ao entrarmos nesse corpo, somos unidos pelo Espírito Santo a Cristo e a cada membro. Com uma só mente e coração, começamos a amar, servir e viver como Seu corpo. Como mantemos essa unidade? Mantemos a unidade intacta amando e nos perdoando mutuamente e honrando a Palavra de Cristo na adoração, no serviço e no viver diário.
Uma característica inegável da igreja de Cristo é a unidade. A verdadeira igreja de Cristo não pode existir onde há divisão. Recebemos essa unidade do Espírito Santo, quando entramos no corpo de Cristo; e, à medida que vivemos como Seu corpo, ou a mantemos ou a destruímos. Divisão no corpo de Cristo deve ser algo inadmissível para todo o cristão. Segundo a ilustração do Espírito Santo, o único lugar onde se pode encontrar unidade neste mundo é no corpo de Cristo.
3)    Eles comiam juntos.
Não parece extremo dizer que eles simplesmente ‘comiam juntos’, conversavam sobre Deus e faziam outras coisas juntos. A Igreja de Cristo não é uma religião. É uma comunhão sincera entre irmãos, que pertencem a um mesmo Corpo e Senhor, sem sectarismos, dissensões, denominacionalismos, institucionalismos, vaidades pessoais e os rituais e conceitos próprios das grandes religiões. Os versículos em Atos chamam isso de ‘partir o pão’ e eles estavam realmente falando de duas atividades diferentes. No versículo 42 o ‘partir o pão’ é a Santa Ceia. Novamente, o rico tinha privilégios especiais, então compartilhar qualquer atividade com um escravo era um absurdo. Também era algo radicalmente perigoso de se fazer. Pense nisso.
A Santa Ceia, o mais importante de todos, pois a Santa Ceia é uma celebração em memória da morte do Senhor e Salvador Jesus Cristo que derramou seu sangue para nos salvar, parece bem normal para nós, mas era absolutamente nova para a Igreja primitiva. Jesus disse para eles fazerem isso bem antes de morrer. As pessoas ficaram horrorizadas quando ouviram que esse novo grupo chamado de ‘cristãos’ ou ‘seguidores de Cristo’ estavam comendo o corpo e bebendo o sangue de Jesus. Os cristãos do primeiro século eram chamados de ‘canibais’ e as pessoas acreditavam em coisas bem nojentas sobre eles. Mais tarde, o versículo 46 fala sobre outro tipo de ‘partir o pão’ e ‘comer junto’ e se refere a ter refeições juntos. Com esse versículo, nós sabemos que eles passavam tempos de socialização juntos também. Novamente, isso era um passo radical, num século onde ninguém cruzava linhas sociais, étnicas e económicas.
4)    Eles oravam juntos.
Orar era algo muito diferente antes da vinda de Jesus. A partir de Atos sabemos que eles oravam juntos como grupo e suas orações eram espontâneas e vinham diretamente do coração, porque eles sabiam que estavam falando com Jesus, seu amigo, que tinha andado nas mesmas ruas e comido as mesmas comidas, e falado a mesma língua. Aqueles primeiros seguidores de Cristo passavam um tempo significativo em oração e ela era eficaz. Pense sobre todo o temor e a incerteza que poderia estar presa ao que eles estavam fazendo. Eles estavam se envolvendo em coisas perigosas e precisavam saber o que fazer. Eles precisavam de proteção. Eles precisavam de conforto e coragem. Eles oravam e pediam que seu amigo Jesus providenciasse isso para eles.
Ao ler o livro de Atos, pode ter uma ideia de que a oração era uma grande parte da vida dos primeiros cristãos, pois era poderosa e eficaz. Eles oravam juntos nas salas superiores e Espírito Santo veio e fez algo muito além do que eles imaginariam que poderia acontecer. (At. 1:14). Pedro e João oraram juntos em Atos 3:1 e então curaram um homem. Os discípulos queriam mais tempo para oração, então eles designaram outros para ajudarem com as atividades diárias, dando a eles mais tempo para orar (At. 6:4). Eles se dedicavam a isso, se empenhavam nisso, e o Espírito Santo enriquecia os relacionamentos produzindo experiências tremendas como a de Pedro que foi libertado da prisão e imediatamente procurou os irmãos que oravam por ele (At. 12:12-17).
Orar é falar com o Pai, e como temos livre acesso a Ele por meio de Cristo, oramos sem cessar. Falamos com Ele a todo momento, a todo instante, pois Cristo afirmou: “e eis que eu estou convosco todos os dias, até à consumação dos séculos. Amém” (Mt. 28:20b)! Perseverar nas orações é falar com o Pai sobre tudo, Ele é Deus e é Pai. Muitas vezes tratamos o Pai como alguém distante que está lá no céu ocupado com todas as orações da humanidade, mas na verdade, Ele é um Pai presente que está a todo o momento connosco, guiando-nos, consolando e fortalecendo, fazendo-nos seguir em frente e, principalmente, revelando-se a nós com toda a Graça e Verdade. Comparo estes quatro aspectos de Atos 2:42, com uma cadeira que tem quatro pernas, estas pernas tem que ser idênticas e do mesmo tamanho, pois se assim não forem gera desconforto a quem nela se assenta.
O Padrão da Igreja é Cristo em nós, Cristo que é a nossa vida e o único meio pelo qual podemos manifestar Cristo ao mundo. Ele é a única forma de perseverarmos como o que somos: novas criaturas, filhos de Deus, gerados em Cristo Jesus para as boas obras, que Ele mesmo as fez para que andássemos nelas. Cristo em nós nos faz permanecer na doutrina dos apóstolos (a Palavra da Cruz), viver a verdadeira comunhão dos santos, desfrutar do partir do pão com o próximo e orar sem cessar. Pois Ele mesmo é tudo em todos. É o padrão da sua Igreja, padrão que jamais será quebrado, pois vive e permanece para sempre. Amém!
1.     Quais foram os resultados desse novo cristianismo?
Algumas das maiores mudanças que estavam acontecendo eram as mudanças dramáticas na vida das pessoas, milagres aconteceram e, apesar do perigo, as pessoas estavam felizes em deixar sua antiga vida pela fé que lhes trazia diferenças radicais. O versículo 43 em Atos 2 diz que ‘todos estavam cheios de temor, e muitas maravilhas e sinais eram feitos pelos apóstolos’. Talvez, pela primeira vez, eles encontraram o que era real o suficiente, profundo o suficiente, completo o suficiente, que apesar de qualquer custo, eles queriam ter isso em suas vidas.
Jesus, em suas sandálias, nos mostrou o que realmente significa viver. O Jesus compassivo que chamou pelo morto, que valorizou relacionamentos e amizades, exemplificou a ‘vida real’. E do Seu exemplo, os primeiros cristãos descobriram que a vida verdadeira era o que mais importava, mesmo que fosse curta. Eles não iriam se conformar com o tédio ou o normal, ou o confortável ou o ‘status quo’.
Em Efésios 4:11-13, Paulo diz que todos nós temos uma tarefa a cumprir. Cada um de nós tem um dom e cada um de nós é chamado para ser usado para fazer a diferença nesse planeta. Esses dons não nos fazem ricos nem populares. Os dons são para ação; eles nos ajudam a viver de maneira que nos traga o resgate e a transformação em nossa família, escola, vizinhança e no mundo.
Embora tenhamos algum dom e sejamos chamados, precisamos uns dos outros. Nenhum de nós consegue fazer isso sozinho. Estamos ligados e somos dependentes, uns dos outros e de Deus para que possamos trabalhar juntos como um corpo. Ele quer que sejamos um; um corpo unificado pela nossa fé e nosso conhecimento de Cristo. Unidade nos leva à maturidade e reflete a imagem de Cristo. Quando somos um corpo, então parecemos com Cristo para o mundo. E é nesse processo de tornar-se um, de conhecer a Cristo mais profundamente, de usar os dons para cumprir com o chamado que ele nos deu, que realmente começamos a ‘viver’.
É essencial que entendamos que Deus nunca quis dar o mundo para cristãos individuais. Na nossa individualidade, podemos somente refletir uma pequena parte da imagem de Cristo. O plano de Deus é dar a Igreja para o mundo – um corpo que na sua unidade reflete a imagem de Cristo. Foi um grupo de cristãos do primeiro século que mudou não somente o seu mundo, mas também o nosso mundo. É na disposição deles de serem unificados, na vida que viviam como seguidores de Cristo, no sangue que eles derramavam ao comunicarem sua fé viva, que cristãos dos últimos dois mil anos têm sido abençoados. Por causa da obediência deles em sacrificar suas próprias identidades e suas próprias vidas, temos uma imagem da Igreja como Cristo planejou.
2.     Qual o propósito da Igreja nos dias de hoje?
Se a Igreja é o corpo de Cristo, então é na Igreja que estão Seus braços, mãos, pés, ou seja, os membros desse Corpo. Nós somos esses membros. É por meio da Igreja que Cristo se move e se revela ao mundo. Então o propósito da igreja de Cristo hoje, é “duplicar” e “dedicar”. Aquelas pessoas ouviram a Palavra de Cristo pregada por Pedro e clamaram: “Que faremos?” Ao que Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados...” (At. 2:38). Através da fé neles plantada pela Palavra, arrependeram-se e foram batizados para o perdão dos pecados, e o Senhor acrescentou-os à Sua igreja. Essa é a maneira de Jesus formar Seu povo. Quando alguém hoje segue essa maneira, Cristo faz por essa pessoa o que ele fez pelos judeus no dia do Pentecostes. Ele ama a cada um de nós, assim como os amava; Ele morreu por nós, assim como morreu por eles.
O quadro da igreja do Novo Testamento descrito pelo Espírito Santo revela três atributos impressionantes, que colocam a igreja de Cristo à parte de todos os outros corpos religiosos em todos os tempos. Em primeiro lugar, Sua igreja é um grupo de pessoas que obedecem à Sua Palavra inspirada e nela permanecem. Em segundo lugar, Sua igreja é caracterizada pela compaixão entre os membros, uma preocupação amorosa que considera um irmão necessitado de muito maior importância do que quaisquer preocupações ou tesouros materiais. Em terceiro lugar, cada pessoa que entra na igreja de Cristo por intermédio do evangelho torna-se uma com Cristo e com todos os demais membros pelo Espírito Santo, e mantém essa unidade amando e sendo fiel à Palavra de Cristo diariamente. A igreja é retratada como uma família com um só coração e uma só vida!
Nos dias atuais, com uma infinidade de “modelos de igreja”, às vezes até nos perguntamos: Qual é o nosso padrão de igreja? Ou até: Qual é o padrão da Igreja do Senhor Jesus? Antes de começarmos esta viagem em busca de respostas devemos considerar alguns aspectos: O que é um padrão? Padrão é um modelo a ser seguido, é um padrão de unificação (unidade), que gera em nós o exemplo de vida, o gabarito da estrutura, o nível de qualidade, as balizas da caminhada. O padrão de Igreja é uma comunidade focada em ajudar as pessoas a se conectar com Deus. Que tem como visão glorificar a Deus sendo uma igreja saudável, acessível a todos, a começar por aqueles em nossa esfera de influência. De uma forma filosófica ou académica é assim que podemos explicar.
O mais intrigante de tudo isso é que se vivemos o verdadeiro padrão, nós não deveríamos nos questionar desta forma em relação à “igreja”, ou seja, não estaríamos fazendo a nós mesmos estes questionamentos nos dias de hoje, se a “igreja” se tivesse mantido no alvo, desde o princípio. O problema central desses novos e modernos modelos de igreja é que não há espaço para o que era natural anteriormente, e não estou falando de alguns anos atrás, mas do princípio de tudo. Justamente pelo que era importante ter sido deixado para trás, é que esses novos modelos se tornaram o foco principal de tudo e de todos, não havendo mais espaço para o evangelho da Graça, pois este evangelho não dá espaço para a graça do homem.
O texto de Atos 2:42 nos remete para quatro aspectos simples e naturais da vida da nova criatura, que norteiam a caminhada rumo à plenitude de Cristo. Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura completa de Cristo (Ef. 4:13). Essa medida é o padrão de Cristo em nós.
Atos 2:42 pode ser considerado como a “frase-propósito” para a igreja: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações”. Então, de acordo com esta Escritura, os propósitos ou atividades da igreja devem ser: (1) o ensino da doutrina bíblica, (2) providenciar um espaço de adoração para os crentes, (3) observar a Ceia do Senhor, e (4) oração.
A igreja deve ensinar a doutrina bíblica para que possamos ter os alicerces de nossa fé. Efésios 4:14 nos diz: “Para que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam fraudulosamente”. A igreja deve ser um lugar de comunhão, onde os cristãos possam se devotar uns aos outros e honrar uns aos outros (Rm. 12:10), instruir uns aos outros (Rm. 15:14), ser benignos e misericordiosos uns com os outros (Ef. 4:32), encorajar uns aos outros (I Ts. 5:11), e principalmente, amar uns aos outros (I Jo. 3:11).
A igreja deve ser um lugar onde os crentes possam observar a Ceia do Senhor, lembrando-se da morte de Cristo e Seu sangue derramado em nosso favor (I Co. 11:23-26). O conceito de “partir o pão” (A. 2:42) também carrega a ideia de refeições compartilhadas. Este é outro exemplo da igreja promovendo a comunhão. O propósito final da igreja, de acordo com Atos 2:42 é a oração. A igreja também deve ser um lugar que promova a oração, ensine a oração e pratique a oração. Filipenses 4:6-7 nos encoraja: “Não estejais inquietos por coisa alguma; antes as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus pela oração e súplica, com ação de graças. E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus”.
Uma outra “comissão” (tarefa) dada à igreja é proclamar o Evangelho de salvação através de Jesus Cristo (Mt. 28:18-20; At. 1:8). A igreja é chamada a ser fiel em compartilhar o Evangelho através de palavras e ações. A igreja deve ser um “farol” na comunidade: mostrando às pessoas o caminho para o nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. O verdadeiro propósito da igreja na terra deve ser o de promover tanto o Evangelho de Salvação que, só pode ser conquistada através de Jesus Cristo (Mc. 16:15), quanto deve ser o de preparar os seus membros para proclamar o Evangelho (I Pe. 3:15).
Tiago 1:27 nos dá alguns propósitos finais da igreja: “A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo”. A igreja deve ministrar àqueles que estão em necessidade, a todos os tipos de necessidades: espiritual. Isto inclui não somente compartilhar do Evangelho, mas também providenciar pelas necessidades físicas (comida, roupas, abrigo), quando necessário e apropriado. A igreja deve também equipar os crentes em Cristo com as ferramentas de que necessitam para vencer o pecado e permanecerem livres da contaminação do mundo. Cabe à Igreja, com o auxílio do Espírito Santo, estabelecer as normas necessárias para que o culto se faça com reverência e ordem. Isto é feito pelos princípios dados acima: ensino bíblico e comunhão cristã.
Então, dito tudo isso, qual é o propósito da igreja? Gosto da ilustração em I Coríntios 12:12-27. A igreja é o “corpo” de Deus: somos Suas mãos, boca e pés neste mundo. Devemos fazer as coisas que Jesus Cristo faria se Ele estivesse aqui na terra, fisicamente. A igreja deve ser “cristã”: “como Cristo” e “seguidora de Cristo”.
Vamos obedecer à Palavra de Cristo e nos dedicar a viver como Sua igreja. Temos que aprender de Jesus, porque com sua vida, com suas obras e suas palavras, nos ensinou o que temos de fazer para salvar-nos e como o temos de fazer. Ele mesmo disse: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo. 14:6). A devoção a Deus forja os alicerces e a estabilidade espiritual que ajudam a família e os indivíduos a enfrentarem as complexidades da vida. A vida da igreja enriquece a nossa vida pessoal e a nossa vida familiar. De acordo com a descrição de Atos 2, isso deve ser feito guardando-se a Palavra de Cristo, vivendo-se com o coração de Cristo e preservando-se a unidade dada pelo Espírito Santo à Igreja em Cristo Jesus.
Agora que sabemos como é a igreja de Cristo, vamos tomar a decisão de ser a igreja do Senhor Jesus Cristo.
Desde o início de sua existência, a Igreja, como uma entidade viva e ativa, ao cultuar o Senhor Jesus Cristo, valorizou todos os meios pelos quais ela pudesse realizar a presença do Senhor vivo. O momento mais querido dentro da vida e comunhão dela era aquele momento quando foi garantida a presença do Salvador vivo. Tal momento a Igreja primitiva realizava na Festa do Pão e do Vinho. É responsabilidade da igreja em todas as congregações particulares mediante as quais ela se torna visível, praticar a unidade, o amor e cuidado de um modo que mostre que Cristo vive verdadeiramente naqueles que são membros do seu corpo, de sorte que a vida deles é a vida de Cristo neles. De todos os lados, os estudiosos mais respeitados reconhecem esta verdade.
3. O Ponto Central do Partir do Pão
“E perseveravam na… na comunhão, e no partir do pão…” (At. 2:42).
No que se refere à verdade nós devemos receber o ensino dos apóstolos, e receber a comunhão dos apóstolos. Isso nos faz um corpo e nos capacita a viver a vida do corpo. E então duas outras coisas seguem, colocando a verdade em prática. Uma é o partir do pão.
Sabe, hoje na cristandade, não se tem consideração elevada pelo partir do pão, a tão chamada de comunhão. Você descobre que a cristandade de hoje não honra isso como deveria. Alguns grupos talvez nunca tenham o partir do pão. Por exemplo, os quackers, eles não creem no partir do pão. Em alguns lugares encontramos os que têm a chamada comunhão talvez uma vez por mês. Talvez algumas pessoas tenham a comunhão duas vezes por ano, no natal e na páscoa.
Nós não entendemos. Nós consideramos apenas como um ritual ou uma cerimónia. Mas o partir do pão é uma expressão viva da vida do corpo. “Porque na noite em que foi traído nosso Senhor Jesus amou os seus tanto, que ele tomou o pão, ele o abençoou, ele o partiu. Ele deu aos seus discípulos, ele disse tomai em memória de mim. E depois disso ele tomou o cálice, ele o abençoou e ele disse bebei dele, esse é o sangue da nova aliança, fazei isso em memória de mim”.
Muitas pessoas pensam que estes dois termos são redundantes, que querem dizer a mesma coisa. Até querem, mas neste contexto têm importâncias distintas. A Comunhão dos santos está intrinsecamente ligada ao amor cristão, a ser família de Deus, a ser gerado de um mesmo pai, o “ Aba”, que nos fez um em Cristo. “Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu, em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste” (Jo. 17:21). E como Um, ou em Unidade, expressamos o amor com nossos atos, a Palavra de Deus nos ensina a amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos (Grande Mandamento), assim o próprio Cristo nos ensinou: “Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros” (Jo. 13:35). Porque é o Seu amor por nós e o nosso amor por Ele que devem iluminar e dar sentido a todos os nossos “outros amores”. Essa expressão de amor na comunhão dos santos é manifesta de várias formas: no cuidado de uns com os outros, no carregar o fardo de uns dos outros e no se importar realmente com o próximo. “Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram” (Rm. 12:15).
O partir do pão é a mais singela expressão de unidade, é aprender a ser uma comunidade, ser como uma família que compartilha da mesma vida, alegrias, sofrimentos e vitórias. Ao praticar com assiduidade o partir do pão eles viviam como se fossem um só coração e uma só alma. Imagine pessoas unidas por laços de sangue ou do Espírito tendo um momento de comunhão no partir do pão. Aí eu lhe pergunto: quem é que vai pôr na mesa da sua casa para comer consigo? O Senhor derramou de seu amor em nossos corações e nos faz agir com graça até nas coisas mais simples da vida como partir o pão. “E perseverando unânimes todos os dias no templo e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração” (At. 2:46). Tudo se reveste de esperança, porque tudo está envolvido no amor, comunhão com Deus e como sabemos e acreditamos quem morrer com Cristo, com Ele viverá.
Mas o partir do pão não é somente comer junto, é viver a comunhão. E aprender a repartir o “PÃO” que ele nos tem dado, é saber apoiar o irmão em tudo, porque às vezes é muito fácil ver pessoas no nosso meio que dizem: “O Senhor me chamou para pregar as boas novas”. Então, ele vai e prega, e o irmão que recebeu as boas novas, passa necessidades. Aí ele diz: Que Deus te abençoe. Amados, saibamos que Deus abençoa, e já nos abençoou em Cristo, e sempre nos dará condições e recursos para investirmos na obra e nos irmãos, segundo a sua vontade, e não somente em nós mesmos.
Amados, todo o reino tem um rei e todo o rei tem um trono, lugar onde o rei se assenta para exercer seu governo e autoridade, para julgar e deliberar. O trono é o símbolo de poder e soberania, da realeza, nobreza, autoridade e regência. À presença do rei, no trono, vão muitas pessoas: os amigos e até os inimigos.
Deus é Rei! E como tal se assenta no seu santo trono, alto e sublime, lugar de santidade, nobreza, temor, reverência e tremor. Diante do trono do Grande Rei devem estar todos os seus filhos (príncipes e princesas) e, um dia, também estarão todos os inimigos, para juízo.
Mas há um lugar muito especial onde nosso Deus se assenta, um lugar muito importante, para onde só vão os amigos e convidados especiais, porque é lugar de amizade e profunda comunhão. Este lugar é a mesa do Rei. Lugar onde o Rei parte o pão e Se revela aos Seus.
Ela é santa e só os santos se assentam nela. A mesa de Deus é o lugar que Ele reserva para estar com os seus, os que estão em aliança com Ele. Portanto, há uma mesa de banquete preparado para si, cheio de bênçãos abundantes de Deus, venha e tome o seu lugar. Só os amigos de Deus se assentam à mesa com Ele, porque nela os lugares já estão reservados e determinados por Ele para Seus amigos. Para cada amigo de Deus há um lugar específico na Sua mesa, que ficará vazio até que aquele amigo se assente.
a)    Jesus no partir do pão
No Evangelho de João dois capítulos são fundamentais para falar do partir do pão (Jo. 6:13). No capítulo 6, há duas dimensões do pão: uma dimensão do pão partilhado para uma multidão de famintos, por um milagre de Jesus na montanha (Jo. 6:3-15), e há outra dimensão do pão nos ensinamentos de Jesus (Jo. 6:35ss) quando Ele afirma ser o “pão da vida” e quem dele comer viverá eternamente (Jo. 6:58). Essas dimensões não se separam neste capítulo, antes se remetem. Destarte, no escrito joanino, associam-se estes três gestos:
O primeiro é o lavar os pés uns dos outros, sinal visível do serviço do Senhor Jesus como enviado de Deus para servir (Mt. 20:28). Esse lava-pés é central na reflexão teológica para mostrar quem é Jesus e como atuou na história.
No capítulo 13, antes da festa da páscoa, quando na ceia, Jesus se levanta, lava os pés dos discípulos e começa o seu discurso de adeus (Jo. 13:31). Há quem caracterize esse discurso como um testamento de despedida, legando aos discípulos em comunidade o gesto do partir do pão nas suas duas dimensões – pão compartilhado e pão simbólico - e o gesto do lava-pés, ambos inseparáveis remetendo-se um ao outro. E para deixar sua perpetuidade dá-lhes um novo mandamento, dizendo:
“Compreendeis o que vos fiz? Vós me chamais Mestre e Senhor e dizeis bem, pois eu o sou. Se, portanto, eu, o Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo para que, como eu vos fiz, também vós o façais. Em verdade, em verdade, vos digo: o servo não é maior do que o seu Senhor, nem o enviado maior do que quem o enviou. Se compreenderdes isso e o praticardes, felizes sereis. Dou-vos um mandamento novo: que vos ameis uns aos outros. Como eu vos amei, amai-vos também uns aos outros. Nisto reconhecerão todos que sois meus discípulos se tiverdes amor uns pelos outros” (Jo. 13:12b-16:34-35).
 O segundo é o partir do pão na mesa comum com os irmãos e se observa que não estavam excluídos os mais pobres. Aquela refeição compartilhada entre os mais pobres apresenta-se com maior probabilidade de ter sido a refeição escolhida por Jesus como forma de estabelecer o gesto da comunhão com os seus e como a última refeição estava na época da páscoa, assim, tenha havido um entrelaçamento de significados. Este partir do pão ganha um sentido sagrado na última ceia, quando Jesus pronuncia as palavras sobre o pão: “Isto é meu corpo” e sobre o cálice “Isto é meu sangue”.
O elemento da refeição compartilhada dá ênfase não somente no pão e no vinho, mas no partir do pão e no passar do cálice com o vinho entre participantes da comunidade. Assim, comia-se do mesmo pão e bebia-se do mesmo cálice. O pão é símbolo de unidade na Igreja tanto presente como no futuro: “Já que há um único pão, nós, embora muitos, nós somos um só corpo, visto que todos participamos desse único pão” (1 Co. 10:17) e é também presença da espera da consumação: “Todas as vezes, pois, que comeis desse pão e bebeis desse cálice, anunciais a morte do Senhor até que ele venha” (1 Co. 11:26). É castigo apocalíptico para quem não vive concretamente o significado do pão repartido. Mas é, sobretudo, consumação escatológica para quem experimenta o pão compartilhado na refeição: a Ceia do Senhor.
Desta forma, Jesus funda uma comunidade, a qual vive em torno do partir o pão em refeição comum. A Santa Ceia, a mesa do Senhor Jesus é o lugar onde Cristo, o hospedeiro, se encontra com os remidos, é a mesa onde os dons preciosíssimos são dados e recebidos. O texto bíblico joanino demonstra essa tradição com realidades comunitárias do partir do pão em família - e aqui se pode estender para comunidade maior – onde havia a conversa de instrução entre mestre e discípulo, entre o pai de família e seus filhos. O ensinamento aqui começa pelo gesto do partir o pão e do lavar os pés – trabalho do servo e torna-se símbolo do serviço – para depois oferecer o mandamento teorizado a partir do próprio gesto de Jesus.
b)    Pão símbolo da Vida Eterna
Jesus ensina sobre o Pão da Vida e quem dele comer ganhará a Vida Eterna. E este Pão é Ele mesmo (Jo 6:51). “Tomai e comei, isto é o meu corpo” (Mt. 26:26b). “Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória” (Lc. 22:19b). “E, depois de comer fez o mesmo com a taça, dizendo: Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc. 22:20). Ainda: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6:51).
Mediante estes textos, compreendem-se os gestos de Jesus ao dar-se em refeição simbólica aos seus seguidores, revelando-se ao mesmo tempo, Servo de Iahweh como está em Isaías, mostrando-se como doador de sua vida pelos outros de forma santa acentuando-se o amor do Deus Pai misericordioso. Jesus, mesmo sendo vítima do sistema sacrifical (Jo. 11:49-50), oferece-se e perdoa livremente até aos seus sacrificadores e algozes (Lc. 23:34). Com estes gestos, Jesus aniquila o sistema sacrifical definitivamente. Doa-se como cordeiro imolado pascal (Êx. 12:1-14), simbolizado no seu corpo e sangue, na refeição (Lc. 22:19-20) e na entrega do seu Espírito na cruz (Jo. 19:30). Uma nova imagem simbólica de Deus amor se revela no gesto do perdão de Jesus na cruz: “Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem” (Lc. 23:34).
A primeira característica é o gesto de Jesus em doar-se em pão para se comer, como está narrado nas quatro tradições da instituição da ceia e também em João quando diz: “Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá para sempre” (Jo. 6:51). Dar-se em pão, para Jesus, é doar a própria vida. Não se pode compreendê-lo se não for de forma simbólica. É semelhante ao gesto comportamental, típico dos profetas para denunciar infidelidade à Aliança e anunciar a mensagem salvadora. Podem-se recordar alguns: Ezequiel quando quer falar da dispersão do povo e por isso Deus vai puni-lo por causa da infidelidade, raspa a cabeça e joga os cabelos ao vento proclamando: “Isto é Jerusalém” (Ez. 5:5), por causa de seus pecados. O gesto profético não é simplesmente um evento, mas “sua ação antecipa o acontecimento e de certa forma o produz”. Observe-se o gesto de Jeremias ao pôr uma canga sobre seus ombros para significar a dominação e opressão estrangeira sobre Jerusalém (Jr. 27-28). Jeremias quer mostrar uma Jerusalém subjugada por Nabucodonosor por causa da infidelidade à Aliança, por isso se tornou igual ao animal de carga (Jr. 27:6-7). A expressão de Ezequiel: “Isto é Jerusalém” é análoga a “Isto é meu corpo” ou “Isto é meu sangue”. Assim, afirma-se: “Isto é Jesus Cristo”.
A segunda característica pela qual se pode compreender o gesto de Jesus de entrega de corpo e sangue para transformar-se em pão simbólico, é a situação dialogal. Retrata a correlação entre Jesus e o pão formando um só polo “Jesus-pão” e os discípulos formando outro polo do diálogo. Estabelece-se uma correlação mútua entre o locutor – Jesus-pão – e o interlocutor, os discípulos, a comunidade de crentes. Neste sentido, o método de correlação tem muito a auxiliar quando aplicado nesta correlação dialogal entre Jesus-pão e os discípulos. Entretanto, ainda falta uma reflexão para se compreender Jesus transformando-se em pão simbolicamente.
Assim, o pão é um significante, no qual se pode perceber uma realidade, além dele mesmo, de outra ordem, secreta, ou melhor, de forma transcendente e se manifesta de maneira real nele mesmo. Quando Jesus diz: “eu sou o pão da vida” (Jo. 6:35), “tomai e comei, isto é o meu corpo” (Mt. 26:26), este pão passa a ser mais que pão material, passa a conter o ser de Jesus em si mesmo de forma simbólica.
c)     O que é partir o pão?
Há duas passagens que usam a frase “partir o pão” (At. 2:42 e 20:7), e são quase universalmente consideradas como se referindo à “Ceia do Senhor”. Primeiro é uma lembrança do Senhor. Lembrar é recordar o passado. Nós lembramos como o Senhor nos amou, como Ele se sacrificou a Si mesmo por nós. Isso é lembrar. O partir do pão é também uma comunhão, em I Coríntios capítulo 10, nós estamos em comunhão com o Seu sangue, nós estamos em comunhão com o Seu corpo. Agora, comunhão é presente! Lembrança é recordar o passado.
A Comunhão é algo que está no presente, pela fé, quando nós tomamos o cálice nós estamos em comunhão com o sangue do Senhor Jesus Cristo. Nós experimentamos vividamente, o frescor da purificação dos nossos pecados.
E quando nós comemos o pão, nós estamos em comunhão com o corpo de Cristo. Pela fé nós vivemos pela Sua vida. Nós não vivemos a nossa própria vida, Ele é o pão da vida. Então nós vivemos pela Sua vida. E ao mesmo tempo, mesmo sendo muitos nós somos um pão, um corpo. Nós estamos em comunhão com todos os irmãos e irmãs.
O partir do pão é também uma antecipação, porque o Senhor disse que nós partimos esse pão até que Ele venha. Então quando partimos o pão estamos antecipando o seu retorno (ou em expectativa pelo seu retorno).
Sempre que nos lembrarmos dele nosso amor será renovado, nós seremos constrangidos pelo Seu amor, e nós vamos retornar para o nosso primeiro amor. Em comunhão com Ele a nossa fé aumenta. E esperando pelo seu retorno a nossa esperança cresce.
Então, na igreja primitiva eles partiam o pão em todas as refeições, porque o amor deles pelo Senhor era muito forte, e tinham uma tamanha fé nEle que eles estavam esperando o seu retorno.
Bem, mais tarde, eles não podem mais fazer “partir do pão” a toda a refeição. Então no primeiro dia da semana, eles se reuniam para partir o pão. Portanto, na história descobrimos que a igreja realiza o partir do pão através dos 20 séculos. Porque é uma expressão da nossa comunhão e do ensino do Senhor, Esperamos que dê mais atenção para o partir do pão, pois nós sabemos que isso é uma expressão da vida do corpo.
E essa é a razão por que é tão sério! Em I Coríntios capítulo 11 diz que se nós tomamos o pão e bebemos o cálice de modo indigno nós estamos bebendo a nossa própria condenação. Nós devemos discernir o corpo, isto é, quando nós partimos o pão nós devemos ver através disso o que é o corpo de Cristo.
Antes de partimos o pão, temos um único pão. Isso representa o corpo de Cristo e cada um de nós parte um pedaço. Ele morreu por cada um de nós. Depois que nós o tomamos (comemos), não vemos o pão no prato, porque você tem um pedaço e eu tenho outro. Mas quando Deus olha do céu, Ele vê o pão. Não apenas uns poucos que estão partindo, mas todos os que estão partindo o pão inclui todo o povo de Deus. Então, isso é uma expressão viva da vida do corpo.
d)    O partir o pão revela Jesus!
O partir o pão revela quem é Jesus e revela ainda toda uma prática de comunhão que ele pregava e ensinava aos discípulos, prática esta que veio perpassando toda história até, chegarmos aos tempos atuais.
Lucas diante de uma comunidade marcada pela desigualdade social, de uma cultura marxista e preconceituosa, escreve o Evangelho voltado principalmente para estes, para os excluídos de seu tempo, para todos os cristãos que viessem a ler, seus escritos a quem ele carinhosamente chama de Teófilo.
Numa sociedade desigual é evidente que muitas pessoas passam várias necessidades, principalmente de pão, comida. Por isso Lucas tem a sensibilidade de apresentar um Jesus que se deixa reconhecer ao partilhar o pão (Lc. 24).
Lucas nos apresenta um Jesus que está sempre a caminho, para sentar-se à mesa com os Seus. Partilhar o pouco que se tem, como no milagre da multiplicação dos pães, a ceia pascal, e a perícope dos discípulos de Emaús. Aliás, Lucas é o único dos evangelistas que trás a perícope, narrando uma das mais belas experiências feita com o ressuscitado da bíblia.
Esta experiência marcou profundamente a vida de um casal de discípulos, que voltavam de Jerusalém para Emaús. A tristeza era visível no rosto de cada um deles, tudo aquilo que eles acreditavam e sonhavam, foi-se por água abaixo. O libertador do povo ainda não chegou. É neste contexto que Jesus ressuscitado se aproxima e faz uma caminhada com eles. E num processo catequético, formativo, passando pela realidade dos discípulos e pela palavra de Deus vai tentando abrir os olhos deles. No entanto é no partir o pão, no gesto concreto que os discípulos o reconheceram.
O reconhecimento deve levar o discípulo à ação. “Eles se levantaram e voltaram para Jerusalém”. O voltar a Jerusalém significou um novo recomeço para eles. Foi ai que eles encontraram a comunidade reunida em torno de um mesmo acontecimento. “Realmente Ele ressuscitou”.
Embora que hoje, vivamos num contexto de desigualdade, a partilha e a comunhão de vida são elementos fundamentais para a comunidade cristã. A comunidade só tem fundamento seguro quando vive e celebra a Santa Ceia no seu dia-a-dia. Ela se torna capaz de superar as desigualdades e de promover a vida. Faz da comunidade uma comunidade mais humana e fraterna, onde o próprio Cristo se deixa reconhecer na partilha, na esperança do povo, no desejo de ser discípulo de Jesus, para que nele e por ele a vida se manifeste.
Enfim, Jesus nos convida para caminhar com Ele, partilhar as nossas experiências, aflições e conquistas. Quer se sentar à nossa mesa, - mesa da comunidade, mesa da esperança - para que no partir do pão ele possa ser reconhecido
Jesus Se revela a nós quando nos assentamos à sua mesa com Ele. A mesa do Senhor é lugar de separação para estarmos em comunhão com Ele e com os demais convidados dEle. Na mesa, o Senhor mesmo nos alimenta, enchendo-nos da revelação dEle, nutrindo-nos e mantendo-nos santos. A Igreja do primeiro século entendia perfeitamente o significado do partir o pão. Partir do pão não é a mesma coisa que repartir o pão. Repartir o pão é dividi-lo, partir do pão é participar da Ceia do Senhor com os corações agradecidos, cheios de amor, reconhecidos de nossas próprias fraquezas, mas purificados. Jesus, em Emaús, só Se revelou aos discípulos, aflitos, desanimados e desistidos, na hora do partir do pão: “E aconteceu que, quando estavam à mesa, tomando ele o pão, abençoou-o e, tendo-o partido, lhes deu; então, se lhes abriram os olhos, e o reconheceram; mas ele desapareceu da presença deles”(Lc. 24:30-31).
Na Ceia, no partir do pão, somos remetidos à obra maravilhosa que Jesus realizou na cruz do Calvário a nosso favor, resgatando-nos do império das trevas para o Seu Reino de luz. A Ceia do Senhor fala da Sua morte expiatória, a morte do Cordeiro de Deus pela nossa salvação. Em resumo, fala da morte de Jesus, o Perfeito, por nós, os pecadores.
Infelizmente, por falta de entendimento, nem todos usufruem de todos os benefícios advindos da obra expiatória do Cordeiro de Deus – Jesus Cristo. Precisamos de entender que na cruz Jesus levou cativo o pecado, a morte, as maldições, as doenças, venceu o inimigo e tudo o mais de ruim, que estava decretado e se cumprindo em nós, por cauda do nosso pecado. Assim, participar do partir do pão, da Ceia do Senhor, é selar e celebrar não só a vida eterna em Cristo, mas também tomar posse do perfeito e maravilhoso resultado espiritual, emocional e físico de tudo o que Ele fez e decretou a nosso respeito.
e)   O partir do pão é um memorial da Aliança que temos com Cristo.
Dependendo do nível de revelação que temos, de Cristo e da Sua obra, e de como participamos da Ceia do Senhor, podemos transformar o partir do pão em algo vazio, ritualístico e religioso, ou em algo extremamente virtuoso, carregado do poder de transformação, libertação e cura para as nossas vidas. Tudo isso porque assentar-se à mesa para o partir do pão é o momento em que nos encontramos com o Senhor Jesus pessoalmente.
A Igreja do primeiro século certamente tinha essa revelação e vivia nesse nível de relacionamento com Cristo e com os irmãos. O partir do pão para eles não era um ritual, nem uma obrigação enfadonha, mas a expressão sincera e prazerosa da revelação que eles tinham do Mestre e da Sua obra em favor deles. Era por isso que eles se moviam em altos níveis de fé, de forma sobrenatural, sendo partícipes dos milagres, sinais, prodígios e maravilhas de Deus.
Este é o Ano do Meu Milagre (e do seu também, é claro!). Por isso precisamos do partir do pão sempre e constantemente, muito mais do que jamais participamos, porém com a revelação de que tal prática nos consolida na verdade de que a revelação de Cristo nos liberta das cadeias e grilhões. Ele mesmo disse que conheceríamos a Verdade e a Verdade nos libertaria (Jo. 8:32). Cristo, a Verdade, é O nosso libertador e O promotor dos milagres de que tanto necessitamos. Decida nunca mais participar do partir do pão, sem a expectativa de entrar no sobrenatural de Deus e de que o seu milagre chegou! Assentar-se à mesa para o partir do pão é alimentar-se de Cristo, o nosso Perfeito Alimento. Cristo é o Verbo, a Palavra.
Pouco aproveita do partir do pão quem não se alimenta de Cristo, isto é: quem não medita nem ora a Palavra. Participar do partir do pão, desconhecendo o significado da obra completa que Jesus realizou por nós, é subnutrir-se da Verdade, é não desfrutar de todos os benefícios que temos, pelo direito de aliança com Deus.
f)      O partir do pão é a celebração da possa vitória!
O partir do pão (a Ceia do Senhor) é a celebração da nossa aliança com Deus, da nossa vitória. Somos vencedores e herdeiros de Deus e do Seu Reino agora! Quando o Senhor plantou o Seu Reino dentro de nós, ele colocou tudo dEle dentro de nós. Em aliança com Deus, Ele nos dá tudo o que Ele é e tem! Aleluia! Quando nos assentamos à mesa com Deus, Ele nos dá o que há de mais valioso – Jesus. Assim, no partir do pão, algumas realidades acontecem:
 a) A luz do Senhor revela as trevas que estão em nós.
 b) Passamos a ver com clareza a glória de Deus.
 c) Somos nutridos e nos fortalecemos em Cristo.
  d) Passamos a desejar fazer a vontade de Deus e não a nossa.
 e) Somos libertos e curados.
 f) Uma unção de conquista e vitória vem sobre nós.
No partir do pão, além da comunhão com o Senhor, apodere-se da revelação dEle e da Sua obra, a fim de que sua vida seja milagrosamente afetada. Diariamente, ao assentar-se à mesa do Senhor, na oração e meditação na Sua Palavra, decida tomar posse e viver a vida abundante que Ele lhe prometeu. Na mesa de Deus, no partir do pão, não há crise nem escassez, mas solução, provisão e milagres - o seu milagre!