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quarta-feira, 17 de maio de 2017

Da Caverna Para o Êxito!

(1 Samuel 22.1-2)

Introdução
Davi havia vivido um momento de glória, pois tinha sido ungido como rei escolhido por Deus, pelo profeta Samuel, sem o conhecimento de Saul. Ele estava de bem com o povo, e por estar de bem com povo, por ter caído nas graças do povo, por ter sua unção reconhecida e valorizada pelo povo, por todos adquirindo fama e confiança, principalmente, após derrotar o gigante Golias, levou as mulheres, em Israel, a cantarem, sem segredos: “Saul feriu os seus milhares, porém Davi os seus dez milhares” (I Sm. 18:7), o que despertou ciúmes, inveja e ódio em Saul, o rei escolhido pelo povo e que oficialmente reinava em Israel, mas que por desobedecer a Deus e lutar contra a Sua vontade (um sintoma evidente de um líder fracassado), estava em declínio, tendo começado a perseguir Davi, em ascensão, para o matar, pois sabia que ele seria o próximo rei de Israel.
Davi, o matador de gigantes, que na verdade era um líder naturalmente abençoado por Deus mas que só podia fugir de Saul, pois não o poderia matar por respeito ao ungido do Senhor, começa por se sentir, por causa das circunstâncias à sua volta, amedrontado e oprimido. Israel tinha um rei que perdera a unção e um líder que não podia reinar ainda. Nesse contexto Davi foge de Saul e se esconde na Caverna de Adulão, lugar bastante conhecido em Judá, a cerca de dezasseis quilómetros de Gate e vinte e quatro quilómetros de Belém, sua cidade natal.
Na verdade aquilo que era chamado de caverna de Adulão era um complexo de cavernas que ficava no vale de Elá. Segundo os arqueólogos e exploradores, existem partes desse complexo de cavernas que ainda não foram exploradas, e certamente caberia ali todo aquele exército que se ajuntou a Davi. Esse momento de fuga foi muito mais que a busca de um esconderijo, foi um momento especial e inesquecível na vida de Davi.
Foi nesse lugar que Davi ansiou por um pouco de água do poço em Belém e três de seus valentes passaram pelas linhas inimigas a fim de busca-la para seu líder (2 Sm. 23:13-17). Sabendo que aquela água havia custado muito aos três homens, que arriscaram a vida a fim de busca-la, Davi derramou-a como libação ao Senhor. Os grandes líderes não se esquecem do valor de seus seguidores nem tratam com descaso os sacrifícios que fazem além de seu dever.
Mas de repente ele ouve vozes e passos em direção à caverna. Eram os seus familiares que estavam preocupados com Davi. A sua família toda juntou-se a ele na caverna, o que significa que seus irmãos desertaram do exército de Saul e tornaram-se fugitivos como Davi. Eles ficaram felizes em saber que ele estava “bem” e começaram a abraçá-lo. Sabiam que Davi era o rei ungido de Deus, de modo que se ligaram ao futuro de sua nação.
Muitos outros, homens ameaçados de morte, homens que foram perseguidos, homens que um dia caíram no descrédito de muitas pessoas, homens amargurados por causa de dívidas, homens completamente alienadas da sociedade por problemas de caráter, homens que se encontravam em apertos e com problemas “psíquicos” (quem sabe!), homens descontentes com a forma de Saul governar Israel (ver 1 Sm. 14:29), que se sentindo ameaçados foram tomados de pavor, viram em Davi a única esperança de um reino bem-sucedido. No final Davi ficou com quatrocentos excelentes guerreiros, numero que posteriormente subiu para seiscentos. Alguns de seus valentes e seus líderes são relacionados em 2 Samuel 23:8-39 e em 1 Crónicas 11:10-41. Saul possuía um exército de três mil homens escolhidos (1 Sm. 26:2). A unção que estava sobre Davi falou mais alto do que a voz das circunstâncias à sua volta e diz o texto que “ele se fez chefe deles”.
Os verdadeiros líderes atraem as melhores pessoas, que veem neles as qualidades de carácter que mais admiram. As pessoas que cercaram Davi teriam passado despercebidas pela história se não se tivessem unido a ele, assim como os discípulos de Jesus teriam morrido no anonimato se não tivessem andado com Cristo. Deus não costuma chamar grandes e poderosos para serem seus servos, mas sim aqueles cujo coração está recetivo e se mostram ansiosos para obedecer à sua vontade (1 Co. 1:26-31).
Devemos observar que aqui, há uma correlação entre esta situação e o senhor Jesus e é algo que não devemos perder de vista. O senhor Jesus está chamando hoje um povo para levar o Seu nome, eles são os valentes de Deus.
Vivemos dias em que o Senhor Jesus é rejeitado, até o Seu próprio povo disse: “Eu não quero que este homem reine sobre nós”. Ele não tomou ainda sua posição no trono como Rei dos Reis e Senhor dos Senhores, Davi também foi um homem rejeitado, embora tenha sido ungido para ser rei em Israel quando Saul ainda reinava. Deus está chamando os seus valentes para servi-lo e fazerem a diferença, mas não se esqueça que é necessário sair da caverna, não importa quem seja você ou o que tenha feito no passado ou como está sua vida hoje.
Quem é que poderia crer ou imaginar que naquela caverna se encontrava o homem que havia sido escolhido para reinar sobre Israel, em quem um dia muitos encontrariam ajuda? Mesmo que Davi tenha começado de maneira tão humilde, esse era o caminho de Deus para ele, pois ele era o ungido do Senhor, o novo Rei de Israel. E apesar de não ter sido reconhecido como soberano quando se encontrava nessa situação, ele não deixou de sê-lo.
Veja como Jesus foi desprezado, cuspido, torturado e escarnecido quando se encontrava pendurado na cruz! Mas mesmo assim, o Rei nunca perde sua majestade, ele continuava sendo o homem da salvação, o verdadeiro Rei e o único refúgio para a humanidade perdida. Pedro testemunhou o seguinte aos fariseus incrédulos: “E não há salvação em nenhum outro; porque debaixo do céu não existe nenhum outro nome, dado entre os homens, pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4:12). Jesus é o verdadeiro Filho de Davi. E Ele é o verdadeiro soberano e Senhor do Céu e da terra e rei dos Reis, mesmo que na cruz não tenha sido reconhecido.
 Onde Estão os Lideres que Deus Quer Usar?
Deus está à procura de homens e mulheres que estejam dispostos a sair da caverna. A história mostra que o rei Davi cercou-se de homens valentes, no começo, ninguém dava nada por eles, porém, eles eram leais, arriscaram suas vidas pelo rei, tinham convicções e tornaram-se soldados de seu exército. Hoje em dia, Deus está procurando por homens e mulheres valentes que Ele quer usar para fazer parte do Seu poderoso Exército, essencial para o crescimento do Seu reino.
A importância da disponibilidade e da disposição de se trabalhar para Deus pode ser mais claramente vista nas exigências que Jesus colocou sobre um homem que ele chamara para segui-lo. “Permite-me ir primeiro sepultar meu pai. Mas Jesus insistiu: Deixa aos mortos o sepultar os seus próprios mortos” (Lc. 9.59-60). Para outro candidato que se oferecera seguir Jesus depois de despedir-se de sua família, Jesus disse: “Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás é apto para o reino de Deus” (vs. 61-62). Grandes recompensas estão reservadas para aqueles que deixam casas, famílias e campos para trabalhar para Deus (Mc. 10:29-30). Esse é o tipo de desprendimento que bons líderes necessitam. Quando olhamos o sucesso extraordinário que Jesus atingiu através de homens que ele escolhera, vemos a verdade nesta definição: “Um líder é uma pessoa comum com uma determinação extraordinária”.
É no meio das dificuldades que os valentes aparecem, eles dependem única e exclusivamente de Deus, e com certeza que eles não lutam com a força do seu braço, mas sim com a força que Ele dá.
É necessário colocar nossos olhos naquele que tudo pode, e, vencer será possível se deixarmos o nosso Deus ir diante de nós como poderoso gigante. Assumir a tarefa de conquistar com Sua ajuda e com o Seu poder às metas que estabelecemos, é estar preparado para tudo. Saiba que na batalha surgem imprevistos, mas também grandes vitórias.
Deus levanta lideranças nos lugares mais esquisitos. Onde ninguém imagina que possa se levantar uma liderança, ali Deus manifesta seu poder e levanta alguém para fazer uma diferença tremenda.
Não são os lugares e nem as circunstâncias que vão impedir Deus de levantar líderes. Não importam as adversidades. Deus olha para os seus ungidos e espera que eles se manifestem no tempo oportuno, expressando tudo aquilo que o Senhor os chamou para realizar. Não importa o tipo de caverna em que você se meteu, Deus pode arrancá-lo de lá e levá-lo a cumprir todo o Seu propósito em relação a você!
 Deus quer usar a todos os que nEle creem! Sobre cada santo de Deus há uma unção para atrair o poder do Senhor e arrancar das cavernas da vida todo aquele que está precisando ver a glória do Todo-Poderoso, inclusive os ungidos de Deus. O Senhor Jesus disse que coisas maiores que Ele fez nós faríamos. Aleluia!
Estamos debaixo de uma tremenda unção de conquista e liderança, capaz de levantar líderes valentes e ousados, mesmo nas cavernas mais escuras da vida. O Senhor nos plantou na Terra para exercermos influência do Reino de Deus sobre a vida das pessoas à nossa volta. Ele quer usar sua vida para arrancar das cavernas os que estão em aperto, os amargurados e os endividados, tanto material como espiritualmente. Creia que há muita gente esperando que você se levante para dar-lhe direção, para mostrar-lhe o caminho a seguir, arrancando-o das cavernas nas quais está se refugiando. Você é essa pessoa especial que Deus quer usar na Terra, para a glória do Seu nome.
 Faça como aqueles homens, saia da caverna, ficar lá dentro chorando, reclamando e procurando desculpas não vai ajudar em nada. Aqueles homens fizeram uma aliança com Davi, um ungido de Deus, e eles passaram de perseguidos a conquistadores. Hoje mesmo, aí onde você está, pode sair da caverna e fazer uma aliança não com um ungido de Deus, mas sim, com o próprio Deus, e com segurança, vai ver como será sua vida a partir de hoje.
Um líder é líder em todo o lugar e em qualquer situação. Líder sempre atrai multidões. Davi era um líder nato, mesmo fugindo de Saul ele liderou e cuidou de homens que precisavam de ajuda. Foi nesse lugar que Deus forjou um grande líder e um grande exército. Em Jesus encontramos esse refúgio quando estamos em aperto, porque quando achamos que chegamos no fundo do poço Ele nos tira de lá. Quando achamos que estamos endividados, Jesus já rasgou nosso escrito de dívida na cruz. E quando achamos que estamos amargurados de espírito devemos lembrar que o Espírito de Deus ungiu Jesus para derramar óleo de alegria sobre nossas vidas (Is. 60).
“Vinde a Mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt. 11:28-29).
1. Os Benefícios da Caverna de Adulão como Lugar de Refúgio e Segurança.
Deus que havia desistido de Saul devido à sua idiotice instruiu o profeta Samuel para ir a casa da família de Jessé, onde seria escolhido a dedo aquele que haveria de ser o herdeiro do trono do rei Saul sobre Israel. Esta escolha recaiu sobre Davi que era o menor da ninhada e em que nem mesmo seu pai o considerava um candidato ao trono, pois ele não conseguia ver o potencial do filho, mas Deus não.
Contudo, após se sentir praticamente rei de Israel, depois de triunfar sobre Golias, depois de ter a confirmação pela unção do profeta, Davi conheceu os porões do submundo. O ponto mais baixo da sua vida foi quando ele precisou de fugir da fúria de Saul, refugiando em Gate, e de lá, com medo de ser morto pelo rei desta cidade, afinal Davi matara o seu maior guerreiro, foi se esconder na caverna de Adulão. Davi fugiu para essa caverna como último recurso, onde ficou sozinho e totalmente perturbado.
Tais são os caminhos de Deus. Os caminhos pelos quais conhecemos a injustiça, vivemos a crise, passamos por isolamentos e as dúvidas crescem exponencialmente. Deus Se deleita em deixar que nos envolvamos em situações impossíveis, para que, quando Ele nos salve, fique bem claro que foi Ele que o fez.
Davi escreveu o salmo 142 para definir exatamente o que sentia nesse momento de sua vida. Derramo perante ele a minha queixa, à sua presença exponho a minha tribulação. Quando dentro de mim me esmorece o espírito, conheces a minha vereda. No caminho em que ando, me ocultam armadilha. Olha à minha direita e vê, pois não há quem me reconheça, nenhum lugar de refúgio, ninguém que por mim se interesse. Davi, em seus salmos, faz um retrato desolador de sua condição, e então prossegue descrevendo a maneira como Deus o resgata.
A libertação de Deus é mais do que temporal, mais do que apenas física; ela inclui a libertação da condenação eterna (Sl. 34:21-22; 56:13). É interessante que no Novo Testamento a palavra que muitas vezes é traduzida por salvo é usada com sentido muito mais amplo do que apenas salvação espiritual. É usada como cura física e outros atos de livramento. Em nosso texto, Deus salva a vida de Davi, mas, em seus salmos, ele informa aos leitores que esta salvação temporal é um protótipo da salvação eterna que Deus também realiza. O Deus que nos salva de nossas aflições e de nossos inimigos, é o mesmo Deus que nos salva de Sua ira eterna.
Vamos todos entrar na Caverna de Adulão em algum momento da nossa vida. A dúvida pode ser a tal caverna. A perseguição pode ser a tal caverna. A doença pode ser a tal caverna. Luto pode ser a tal caverna. Conflitos nos relacionamentos podem ser a tal caverna. No entanto, não há nenhuma caverna escura o suficiente para nos escondermos de Deus. Charles Swindoll descreve o papel que o isolamento da caverna fez na formação de um líder: Davi foi levado para o lugar onde Deus pode realmente começar a moldá-lo e a usá-lo. Quando o Deus Soberano nos leva ao nada, é para redirecionar as nossas vidas, e não para acabar definitivamente com elas.
É bem certo que alguns de nós vão entrar na caverna de isolamento pelos nossos próprios pecados. Alguns de nós vão entrar por causa do orgulho, da arrogância e da presunção. Mas ainda assim, Deus vai usar a caverna de isolamento para nos livrar da índole que nos levou a tomar decisões que nos levaram para a caverna de isolamento. Deus vai usar esse tempo para moldar as nossas vidas para que elas, nesse processo, tenham o efeito do chamado que ele tem para nós.
A caverna também é o lugar para processar a nossa dor e receber consolo de Deus para as nossas vidas e para o benefício de outros. Os resultados das experiências dos muitos dos servos de Deus que foram colocados na caverna são pérolas do pensamento cristão, como essas: Daniel 2:22 - Ele revela o profundo e o escondido. Ele sabe o que está em trevas, e a luz habita com ele. Isaias 45:3 - Eu te darei os tesouros das trevas e as riquezas escondidas em lugares secretos, para que saibais que eu, o Senhor, que te chama pelo nome. Eu sou o Deus de Israel. Jó 12:22 - Ele descobre coisas profundas das trevas, e traz à sombra da morte a luz.
A Caverna de Adulão foi aquele lugar especial que Deus colocou como um instrumento de solução para a hora difícil no meio da batalha. Davi fugiu e escapou para a caverna de Adulão. A caverna é um lugar de escape, é um lugar de refúgio e segurança que Deus concedeu no momento certo. Parece paradoxal a ideia de que um homem tão importante para Deus precisasse se esconder numa caverna. Porém, existem momentos que isso se faz necessário. O filho de Deus precisa se esconder nos braços poderosos do Pai. Existe uma diferença marcante entre a fuga psicológica dos problemas e a busca de um refúgio em Deus. Fuga psicológica é quando fugimos para não enfrentar nossos próprios medos e traumas. Fuga psicológica é fugir das próprias obrigações. Busca de um refúgio em Deus é quando precisamos de proteção e conforto do Pai celestial. Esta é uma realidade presente na vida de Davi. Como vemos no Salmo 131: “Senhor, o meu coração não é soberbo, nem os meus olhos são altivos; não me ocupo de assuntos grandes e maravilhosos demais para mim. Pelo contrário, tenho feito acalmar e sossegar a minha alma; qual desmamada sobre o seio de sua mãe, qual desmamada está a minha alma para comigo. Espera, ó Israel, no Senhor, desde agora e para sempre”. Como criança no colo da mãe ou o filho brincando com o pai. Deus oferece uma solução que é se refugiar sob as asas do Todo-poderoso. O Salmo 57 foi um cântico inspirado na Caverna de Adulão. “Compadece-te de mim, ó Deus, compadece-te de mim, pois em ti se refugia a minha alma; à sombra das tuas asas me refugiarei, até que passem as calamidades. Clamarei ao Deus altíssimo, ao Deus que por mim tudo executa. Ele do céu enviará seu auxílio, e me salvará, quando me ultrajar aquele que quer calçar-me aos pés. Deus enviará a sua misericórdia e a sua verdade. Estou deitado no meio de leões; tenho que deitar-me no meio daqueles que respiram chamas, filhos dos homens, cujos dentes são lanças e flechas, e cuja língua é espada afiada. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; seja a tua glória sobre toda a terra. Armaram um laço para os meus passos, a minha alma ficou abatida; cavaram uma cova diante de mim, mas foram eles que nela caíram. Resoluto está o meu coração, ó Deus, resoluto está o meu coração; cantarei, sim, cantarei louvores. Desperta, minha alma; despertai, alaúde e harpa; eu mesmo despertarei a aurora. Louvar-te-ei, Senhor, entre os povos; cantar-te-ei louvores entre as nações. Pois a tua benignidade é grande até os céus, e a tua verdade até as nuvens. Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e seja a tua glória sobre a terra”. Aqui pode-se ver como Davi louva a Deus pelo seu lugar de refúgio e segurança. Jesus também orientou aos seus discípulos para que buscassem um lugar de descanso. “Ao que ele lhes disse: Vinde vós, à parte, para um lugar deserto, e descansai um pouco. Porque eram muitos os que vinham e iam, e não tinham tempo nem para comer. Retiraram-se, pois, no barco para um lugar deserto, à parte” (Mc. 6:31-32). Eles não estavam fugindo dos problemas, mas estavam buscando um refúgio para refazer as forças.
Deus, em Sua misericórdia nos deu um meio de escape. Os meios de libertação de Deus não nos lisonjeiam, mas sempre glorificam a Ele. Ele enviou Seu Filho à terra como homem (o perfeito Deus-Homem), para viver uma vida perfeita e morrer como inocente como pagamento por nossos pecados. A cruz não foi um acontecimento para inflar o ego. Foi a morte horrível de nosso Senhor em favor de pecadores culpados. Mas Deus levantou Jesus da morte, glorificando-O e aqueles que, pela fé, estão Nele. É pela fé em Jesus Cristo que pecadores indignos são libertados da morte eterna, para a glória de Deus. Você já recebeu o perdão de seus pecados, este presente da justiça de Deus em Cristo? Tudo o que precisa fazer é reconhecer seu pecado e confiar em Jesus como único meio de Deus para sua libertação. Eu o incentivo a fazer isto hoje.
 2. Um Lugar de Restauração de Vidas
“Ajuntaram-se a ele todos os que se achavam em aperto, todos os endividados, e todos os amargurados de espírito; e ele se fez chefe deles; havia com ele cerca de quatrocentos homens”.
Um facto evidente é que a pregação do Evangelho nos nossos dias tem sido carregada de uma grande dose de positivismo. Para muitos crentes as pessoas que viveram na época bíblica não tinham problemas. Quando lemos a Escritura encontramos a realidade de pessoas que passam os mesmos problemas que todos nós. Para a caverna de Adulão também foram as pessoas que estavam em turbulência. Pessoas endividadas e amarguradas de espírito. Talvez na linguagem de hoje pudéssemos usar outras expressões, tais como pessoas deprimidas e sem esperança. Jesus sabia dessa realidade dura quando chamou a Ele todos: “vinde a mim, todos os que estai cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo e leve” (Mt. 11:28-13). Jesus pode ser comparado com esta caverna. Na caverna de Adulão há restauração das nossas vidas, há alivio para as enfermidades da nossa alma e salvação para a nossa alma. Temos que nos preocupar quando vemos a pregação do Evangelho sendo tão deturpada. Para muitos a fé cristã tem se tornado um jugo pesado demais para carregar e para outros uma vida sem compromisso nenhum com a ética e a verdade. Esse desequilíbrio gera uma confusão enorme nas pessoas e cria uma casta vacinada contra a verdadeira obra do Espírito Santo de Deus. Alguém disse que a Igreja de Jesus Cristo não é um museu de santos, mas um hospital de pecadores. Temos que buscar refúgio em Cristo para tratar nossas enfermidades e sarar nossas dores. Temos que fazer isso com humildade e sinceridade de coração. Não tenha medo de se esconder na caverna de Deus para ser totalmente restaurado pelo Poder de Deus. Outro detalhe importante que o texto revela é que houve também uma restauração na liderança e nos liderados. As pessoas que foram para a caverna desesperadas e enfermas encontraram um líder, Davi. E Davi encontrou força no grupo. Deus leva um líder ungido para a caverna e leva também pessoas sem referência e rumo. Deus restaura todos que foram para a caverna. Vejamos o que diz o escritor de Hebreus a respeito desses vitoriosos. Os verdadeiros heróis da fé. “Foram apedrejados e tentados; foram serrados ao meio; morreram ao fio da espada; andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, necessitados, aflitos e maltratados (homens dos quais o mundo não era digno), errantes pelos desertos e montes, e pelas covas e cavernas da terra” (He. 11:37-38). Deus nos leva para sua caverna para restaurar completamente as nossas vidas. Interessante é que cada um tem sua caverna. A caverna do profeta Jonas era um grande peixe.
3. Um Lugar de Reflexão Para Conhecer a Vontade de Deus.
“Dali passou Davi para Mizpe de Moabe; e disse ao rei de Moabe: Deixa, peço-te, que meu pai e minha mãe fiquem convosco, até que eu saiba o que Deus há de fazer de mim. E os deixou com o rei de Moabe; e ficaram com ele por todo o tempo que Davi esteve no lugar forte. Disse o profeta Gade a Davi: Não fiques no lugar forte; sai, e entra na terra de Judá. Então Davi saiu, e foi para o bosque de Herete”.
Este é outro benefício maravilhoso da caverna de Adulão na vida de Davi e na nossa vida. Deus nos leva para algum lugar seguro, para nos restaurar e nos mostrar a Sua soberana vontade. “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus” (Rm. 12:1-2). A maior bênção que um filho de Deus pode receber é ter certeza que está no centro da vontade de Deus. Davi tinha essa certeza. A presença na caverna era uma oportunidade de ouvir a voz do Senhor. Ele deixa sua família com o rei de Moabe “até que eu saiba o que Deus há de fazer de mim”. Mais tarde Deus falou através do profeta para que ele saísse da caverna. E ele saiu. Um exemplo clássico de alguém que se colocou na presença de Deus esperando uma resposta, foi Habacuque. No capítulo dois ele ora a Deus: “Sobre a minha torre de vigia me colocarei e sobre a fortaleza me apresentarei e vigiarei, para ver o que me dira, e o que eu responderei no tocante, a minha queixa. Então o Senhor me respondeu , e disse: Escreve a visão e torna-se bem legível sobre tabuas, para que a possa ler quem passa correndo. Pois a visão é ainda para o tempo determinado, e se apressa para o fim. Ainda que se demore, espera-o; porque certamente virá, não tardará. Eis o soberbo! A sua alma não é reta nele; mas o justo pela sua fé viverá” (Ha. 2:1-4). Depois dessa experiência magnífica ele recebe a revelação da doutrina mais importante da Bíblia. A salvação pela graça de Deus, mediante a fé. Outro momento importante em que vemos a direção de Deus é na segunda viagem missionária de Paulo. Foi um momento que eles não sabiam ao certo para onde ir e tiveram de fazer uma parada. “...e tendo chegado diante da Mísia, tentavam ir para Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lho permitiu. Então, passando pela Mísia, desceram a Trôade. De noite apareceu a Paulo esta visão: estava ali em pé um homem da Macedônia, que lhe rogava: Passa à Macedônia e ajuda-nos. E quando ele teve esta visão, procurávamos logo partir para a Macedônia, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciarmos o evangelho” (At. 16:7-10). Deus geralmente fala de maneira muito especial quando paramos para ouvir a Sua doce voz.
Conclusão:
Assim, a maior lição que tiramos desse importante facto bíblico é que em alguns momentos da nossa vida precisamos nos esconder em alguma caverna. Davi foi um rei especial para a história de Israel e para a vinda do Messias. Davi foi bem sucedido pois entendeu a importância desse momento. Com certeza no caminho de Davi para o palácio real estava a Caverna de Adulão. Para sermos vitoriosos precisamos aprender a passar pelos lugares de refúgio, de restauração e de reflexão para saber qual a vontade de Deus. Estar na caverna é esperar no Senhor e amadurecer na fé. Deus seja louvado!


sábado, 21 de janeiro de 2017

Mensagem: Santidade

Santidade!
"Desperta, desperta, veste-te da tua fortaleza, ó Sião; veste-te das tuas roupas formosas, ó Jerusalém, cidade santa, porque nunca mais entrará em ti nem incircunciso nem imundo." Isaías 52:1
O ambiente da igreja é uma maravilha: a palavra de Deus, o louvor, a oração. Sentimo-nos renovados na comunhão com o Senhor! Parece até que os problemas nem existem.
O importante é levar consigo a palavra pregada para enfrentar os desafios que surgem e vencê-los, em O Nome de Jesus! Acorde: o que ouviu é para ser colocado em prática e não para ser esquecido no momento em que sai do culto. Para que a palavra seja posta em prática, ela deve permanecer na nossa boca e no nosso coração!
No versículo acima citado Isaías nos dá um alerta, revelando os segredos para impedir a entrada do mal.
Vestir-se de fortaleza
Eu creio que o olhar de Deus sobre mim é tão profundo e especial quanto sobre cada um de nós, sem excepção. Cada um de nós é um alvo certo para onde os olhos do Deus Eterno se lançam e sobre quem o Seu coração se derrama. Que coisa tão maravilhosa, não é verdade? Até parece difícil, em tantos momentos, podermos compreender tamanho amor, misericórdia e graça. Deus é tremendo!
Chova ou faça sol, mudem as estações, essa é uma verdade de Deus, uma realidade viva e acessível para todo aquele que crê! Para mim e para si! É simplesmente fantástico este senso de valor poder ser restabelecido, restaurado e resgatado por Deus dentro de nós, de maneira tão poderosa e eficaz.
É em pessoas como nós que Deus está confiando a conquista e a consolidação, nEle, e para Ele, desta geração e desta cidade, de Portugal e das nações da terra... Homens e mulheres, de todas as idades, de toda a raça, povo, tribo, língua e nação, conquistando esse poderosíssimo exército de valentes adoradores, profetas e discípulos de Jesus para escrever a história da redenção e a cura de Portugal até os confins da terra. 
Porém, preste atenção: Não podemos fingir que isso é uma fantasia: Isto é real! Não podemos fingir que não é connosco: É connosco, sim! Não podemos adiar o processo de transformação, de cura e libertação em nós: O tempo para isso tudo é hoje! Não podemos atrasar o relógio de Deus para o cumprimento de Seu propósito: O tempo para isso tudo é hoje! Não podemos negar o chamado de Deus para nós nesta geração: Ouça! Deus está-nos chamando!
Por isso, em o Nome de Jesus, eu declaro: Não desista: vá, prossiga para o alvo, para o prémio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus! (Fp 3.14)
Mantenha a convicção no Eterno, não se dobrando frente aos problemas e nem se curvando perante a aparência do mal. Não tema a má notícia, pois o Mestre nos disse que no mundo teríamos aflições, mas Ele já as venceu por nós! Nossa força vem de Jesus (a palavra) e todas as vezes em que nos mantemos nEle, encontramos poder e vitória. Glória a Deus por isso!
Vestir-se de roupas formosas
Quando mantemos a nossa posição espiritual frente ao Rei Jesus, obtemos dEle os nossos pleitos e muito mais do que pedimos ou pensamos.
"Sacode-te do pó, levanta-te, e assenta-te, ó Jerusalém" Isaías 52:2ª
Não adianta chorar de desespero quando a crise chega.
Mardoqueu, primo da rainha Rute, deprimiu-se profundamente quando soube do édito real que decretava a morte dos judeus. "Quando Mardoqueu soube tudo quanto se havia passado, rasgou as suas vestes, e vestiu-se de saco e de cinza, e saiu pelo meio da cidade, e clamou com grande e amargo clamor" Ester 4:1
Mardoqueu até chegou diante da porta do rei, mas ele não pode entrar pelas portas do soberano naquele estado, vestido de saco e cinza. "E chegou até diante da porta do rei, porque ninguém vestido de saco podia entrar pelas portas do rei." Ester 4:2
É preciso sabedoria, descobrindo o tempo e o modo correcto de chegarmos junto ao rei. Ester seguiu o caminho correcto, pediu que seu povo jejuasse e se vestisse de trajes reais para se achegarem ao rei. "Sucedeu, pois, que ao terceiro dia Ester se vestiu com trajes reais, e se pôs no pátio interior da casa do rei, defronte do aposento do rei; e o rei estava assentado sobre o seu trono real, na casa real, defronte da porta do aposento." Ester 5:1
O Senhor atenta para nós quando estamos revestidos de fé e confiança em Seu mover. O desespero de nada adianta. A forma correcta de chamar a atenção de Deus sobre nós é orar e agir sobre a palavra, Deus se empenha em cumpri-la, pois é fiel.
Quando mantemos a nossa posição espiritual frente ao Rei Jesus, obtemos dEle os nossos pleitos e muito mais do que pedimos ou pensamos.
"E sucedeu que, vendo o rei a rainha Ester, que estava no pátio, alcançou graça aos seus olhos; e o rei estendeu para Ester o ceptro de ouro, que tinha na sua mão, e Ester chegou, e tocou a ponta do ceptro. Então o rei lhe disse: Que é que queres, rainha Ester, ou qual é a tua petição? Até metade do reino se te dará." Ester 5:2 e 3
Nas próximas aflições e crises não se desespere mais, edifique-se em confiança naquilo que já aprendeu do Seu Senhor na palavra e assuma-a com convicção e Ele lhe trará as respostas, maiores e melhores do que você possa esperar.
Lembre-se daquelas revelações da Palavra que fizeram o seu coração ferver! Aquelas que o fizeram chegar às lágrimas, tal foi a sua profundidade e a intensidade como vos marcou.
Algumas revelações da Palavra que me fazem pular de alegria são: A revelação de que Jesus Cristo vive para sempre! (Lucas 24:23). Não preciso ter medo, porque Deus está comigo: "Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça" (Isaías 41:10),
Não estou indefeso: É Deus quem guerreia as minhas guerras (2 Crónicas 32:8). Não sou mais escravo: Deus é o meu libertador (Salmos 18:2, 40:17 e 70:5). Não estou só: Jesus está comigo todos os dias até a consumação dos séculos (Mateus 28:20)
Quais são as revelações que falam alto ao seu coração? Todas as vezes que recordá-las sentirá a força de Deus renovar-se dentro de si! A palavra revelada nos trás novo ânimo de vida!
Santidade
O Senhor vos chama hoje, a despertar do sono espiritual no qual se encontram, manda que se vistam de vestes formosas, alvas, compradas com o precioso sangue de Jesus, que simboliza a pureza, sem a qual, não entraremos no céu (I João Cap. 1 v: 7 “mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado”). 
Você se cingiu de força, quando abraçou os caminhos do Senhor, e cheio da unção, lutou para fazer a obra. Mas por algum motivo, caiu e hoje se encontra disperso, achando que não é mais digno de perdão, mas eu lhe digo meu amado(a): o Senhor, está sempre de braços abertos, pronto para o perdoar, para o receber de volta e fazer de si de novo uma bênção em suas mãos (Isaías Cap. 43 v: 25 ”Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” e Cap. 51 vs: 12,15, 16 “Eu, eu sou aquele que vos consola; quem, pois, és tu, para teres medo dum homem, que é mortal, ou do filho do homem que se tornará como feno; Pois eu sou o Senhor teu Deus, que agita o mar, de modo que bramem as suas ondas. O Senhor dos exércitos é o seu nome. E pus as minhas palavras na tua boca, e te cubro com a sombra da minha mão; para plantar os céus, e para fundar a terra, e para dizer a Sião: Tu és o meu povo”). 
Ser tentado não significa pecar. As tentações vem para todos, mas não significa que tenha de aceitá-las, pois elas não são mais fortes que o Nosso Deus.
Expulse-as naquele mesmo momento em que surgem: "não adianta, eu estou morto para o pecado, fuja agora tentação, saia e não volte nunca mais, em Nome de Jesus!"
Minha oração é que guarde os tesouros que o Senhor derrama em sua vida através Sua Palavra em todos os lugares por onde você for! Porque esses são os seus trajes de santidade. Aleluia!
Que Deus o abençoe!
Pr. Manuel Rodrigues

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

Alegremo-nos na Esperança!


(Romanos 12:12)

O capítulo 19 do livro de Job é considerado um marco divisório entre a morte e a vida, entre o desespero e a esperança. O pobre sofredor está em extrema miséria física e moral, com seus amigos pressionando para confessar supostos pecados. Job se levanta e declara com muita fé que o seu redentor vive.

Quando uma pessoa é atingida por algum mal, logo coloca a culpa em Deus. Quando acha que tudo está perdido a fé fica abalada. Aparecem amigos consoladores que aumentam o sofrimento. As pessoas querem se promover à custa do sofrimento dos outros e de supostos pecados. Job mostra a sua fé apesar do que está sofrendo. Apesar da pressão dos amigos não desanima. Job diz a seus amigos: “Vocês não tem vergonha de me injuriar?” (v. 2) Se eu errei ou pequei, o erro fica comigo. O que vocês têm com isso? (v. 3) Job tinha fé e sabia que o seu Redentor viria e que iria parar de sofrer e de ser criticado.

Job sentia-se cercado por um muro (v. 8), se achava sem saída, todos os caminhos fechados. Para o passado não podia voltar. Todos o haviam abandonado. Para o futuro não tinha para onde ir, pois se considerava um morto vivo. Não havia solução. Até a sua honra havia sido destruída (v. 9). Mas Job tinha esperança de que o seu Redentor viria e faria com que ele sobrevivesse e tivesse vida em abundância (Job 10:10).

A vida de Job não tinha qualquer valor. Mas triunfou. Foi um vencedor. Seu desejo foi atendido. Ele sabia que havia um Deus supremo, julgador imparcial, que iria decidir o seu problema. Job afirma: “Porque eu sei que o meu redentor vive, e por fim se levantará sobre a terra” (v. 25; Sl. 46:1). Esta é uma afirmação de fé, de esperança e de triunfo. Que conforto! Que bênção maravilhosa sabermos que, se formos fiéis, com Ele reinaremos.

É reconfortante ler o livro de Job, especialmente porque, sabendo nós que Job sofreu e venceu, e estando nós neste mundo de tribulações e aflições, podemos consolar-nos com a certeza de que não estamos sós - o nosso Redentor, que morreu na cruz pela remissão dos nossos pecados, dando-nos a provisão da salvação e de todas as bênçãos decorrentes da salvação, e que ressuscitou no terceiro dia, dando-nos a esperança da vida eterna, vive e está por perto, para nos guiar pelos caminhos da verdade e da justiça, para nos dar ânimo nas batalhas do dia-a-dia, pondo na nossa boca as palavras que haveremos de dizer, defendendo-nos das astutas ciladas do inimigo das nossas almas, para nos levar a águas tranquilas e a pastos verdejantes até à nossa vitória completa. Ele disse em Mateus 28:20: “Eis que Eu estou convosco todos os dias até à consumação dos tempos”!

O nosso Deus é um Deus vivo e presente nas nossas vidas. Ele nunca se afasta e Seu amor e preocupação primeira é para connosco, com  o nosso bem-estar e o nosso andar no caminho da salvação.

Alegremo-nos na esperança, não na esperança de bens materiais, coisas corruptíveis, mas na esperança de que quando Cristo vier buscar a Sua igreja, também nós lá estaremos com Ele na glória de nosso Pai que está no Céu. A esperança descrita aqui nada tem a ver com bens materiais, mas sim na esperança da vida eterna, alegremo-nos nessa esperança e tenhamos fé, fé de que herdaremos o reino dos céus e obedeçamos os mandamentos de nosso Pai que está no Céu.

A esperança é um elemento essencial para aqueles que desejam um milagre, uma vitória. Não se pode perseverar, alegrar-se, acreditar e alcançar um milagre se não houver esperança. Ela age como uma espécie de combustível. Por ela e por causa dela, a luz não se apaga no fim do túnel.

Cristo é a nossa esperança. A Palavra diz que a esperança em Cristo nos enriquece e nos traz regozijo. Sem esperança, a nossa fé fica amortecida, calada. É a esperança que traz brilho à nossa fé. Crer e não esperar é, de certa forma, um paradoxo, pois subentende-se que quem crê espera. A esperança que flui da fé é santa, enche-nos de regozijo e firma-nos na caminhada espiritual. É por meio da fé e da esperança que vivemos a vida abundante que recebemos em Cristo Jesus.

Alegremo-nos no Senhor... cada dia que nasce é o anúncio de que Deus continua renovando suas promessas e, consequentemente,  nossa esperança. 

O texto nos exorta a nos regozijarmos na esperança. Porém o inimigo, que vem para roubar, matar e destruir, age com a intenção de nos tirar dos projetos de Deus, tocando na nossa fé e roubando nossa esperança. Mas há também outros “ladrões da esperança”, que não são demónios, mas crises, adversidades e debilidades da alma humana.

 O Texto nos dá Pistas de Alguns Ladrões da Esperança ou do Regozijo Nela.

1) As Tribulações

O Deus da Esperança quer conceder a todos nós, muita alegria, paz e transbordar o nosso ser de muita Esperança. As Escrituras revelam como Deus sempre foi fiel, no passado, ao seu povo. O Salmo 22, por exemplo, revela a luta de Davi numa situação pessoal crítica, que ameaça a sua vida. Todavia, ao meditar nos feitos de Deus no passado ele confiou que Deus o livraria: “Em ti confiaram nossos pais; confiaram, e tu os livraste” (22:4). O poder maravilhoso que o Deus Criador já manifestou em favor do seu povo está exemplificado no êxodo, na conquista de Canaã, nos milagres de Jesus e dos apóstolos, e em casos semelhantes, os quais edificam a nossa confiança no Senhor como nosso Ajudador. Por outro lado, aqueles que não conhecem a Deus não têm em que se firmar para terem esperança (Ef. 2:12; 1Ts. 4:13).

Talvez você esteja passando por período desagradável. O diabo quer derrubá-lo com seu sofrimento. O propósito de Satanás fica bem claro nos primeiros dois capítulos de Job. Ele vê o sofrimento como uma grande oportunidade para derrubar a fé dos servos de Deus. Ele aceitou o desafio de tentar destruir a fé de um dos homens mais idóneos do mundo. Depois, ele foi tão ousado que desafiou o próprio Jesus, usando todas as tentações imagináveis para o vencer (Mt. 4:1-11). O diabo entende muito sobre a natureza humana. Ele sabe que as pessoas que servem a Deus fielmente quando tudo vai bem na vida podem ser tentadas por meio de alguma calamidade pessoal, mas não desanime, o Senhor diz que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus (Rm. 8:28). O nosso Deus quer e está consigo, e esse período vai findar, pois em breve Jesus, o Deus da Esperança, voltará e vai acabar com toda essa onda de violência e injustiça. “Bendito o homem que confia no Senhor e cuja esperança é o Senhor” (Jr. 17:7).

Todavia, na hora das tribulações, muitos acabam se revoltando contra Deus, como se Deus os abandonasse e perdem a esperança ou deixam de regozijar-se nela, por isso, tais coisas acontecem em suas vidas. Não permita que as tribulações e dificuldades roubem a esperança de seu coração. A Palavra nos afirma que assim como é impossível que a mãe que amamenta se esqueça do filho do seu ventre, também é impossível que nosso Deus se esqueça de nós (Is. 49:15). Diz o Senhor Jesus que Ele está connosco todos os dias, até a consumação dos séculos (Mt. 28:20), pois Ele ama-nos, portanto, não desista, continue firme nos caminhos de Jesus, mantenha viva a Esperança de que em breve Cristo vai voltar, e tenha a certeza que sua vida vai mudar para toda eternidade. “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo o que Nele crê não pereça, mas tenha a Vida Eterna” (Jo. 3:16).

Quando, no caminho da vida, o fardo é pesado e temos dificuldades para continuar, convém recordar que também temos ao nosso lado um companheiro forte e vencedor: Jesus, o Filho de Deus. Ele pode tirar de nosso coração toda a carga, dor, frustração e fracasso… Ele nos alivia o peso da vida e nos enche de renovadas esperanças. Ninguém pode nos ajudar tanto como este Amigo!

Apesar das dificuldades, nosso Senhor nunca nos desamparará. Em cada tribulação, temos a oportunidade de aprofundar nosso relacionamento com o Senhor, conhecendo alguns aspectos de Deus que ainda não nos havia sido revelado.

A vida deve ser vida com a eternidade em perspectiva. Hoje, você pode não entender os planos de Deus na sua vida. As providências de Deus podem parecer carrancudas e assustadoras para si. Mas, no andar de cima, na sala de controle do universo, as coisas estão meticulosamente planeadas e determinadas. E Deus as levará a cabo para o seu bem, para a glória do seu próprio nome. Seus problemas podem parecer intrincados, difíceis e você pode pensar em dizer: “Não tem jeito!” Mas, olhe na perspectiva da eternidade e entenda que Deus quer transformar sua vida em algo extraordinário.

2) A Espera

Muitas vezes não acreditamos que o Senhor contempla nossas causas porque a resposta não chega no prazo que estipulamos. Para muitos, o Senhor é um criado, cuja obrigação é nos atender na hora em que O solicitamos. Qualquer demora na resposta de Deus significa que o Senhor não os ouviu, não está interessado em ministrar em seu favor. Mas a prática da espera é a arte de aguardar tranquilamente a hora de Deus, sem deixar de fazer o que é de nossa competência e sem fazer o que é da competência de Deus, deixando de lado toda a impaciência e todo o esmorecimento.

No meio das dificuldades, ao invés de ficar ‘desesperado’, aguarde um pouco mais. Logo tudo vai passar. Muitas batalhas são perdidas por precipitação, quando não somos pacientes. Muitos desistem quando já estão quase chegando. Mas quem persevera consegue alcançar a vitória. Precisamos ser pessoas que acreditam no poder de Deus, na intervenção de Deus, nos milagres de Deus. Temos que manter firme nossa esperança em Deus. A Esperança do cristão é a de que breve o Senhor colocará um fim em todos os sofrimentos, tragédias e maldades que existem neste mundo. Não podemos deixar de crer que Nosso Deus tem o controle de todas as coisas, e de que seu governo é real. Devemos esperar em Deus. Para tanto precisamos pôr em práticas alguns princípios Bíblicos.

Na prática da espera, Deus pode produzir em nós confiança, paciência e quietude. Assim poderemos fazer frente às atitudes inversas de dúvida, ansiedade e ativismo. Uma tentação é deixar de esperar, abandonar a esperança, cansar-se de uma espera que parece longa demais. Outra é intrometer-se, resolver a questão de qualquer modo, assumir a responsabilidade de providenciar o que estava nas mãos de Deus.

Existe o erro de esperar o que não é preciso, como aconteceu com a mulher samaritana que aguardava o Messias, sem saber que Ele próprio falava com ela (Jo. 4:25).

É preciso esperar numa atitude de confiança: “Esperei confiantemente pelo Senhor; ele se inclinou para mim e me ouviu quando clamei por socorro” (Sl. 40:1). É preciso esperar numa atitude de paciência: “Depois de esperar com paciência, obteve Abraão a promessa” (Hb. 6:15). É preciso esperar numa atitude de tranquilidade: “Vou esperar, tranquilo, o dia em que Deus castigará aqueles que nos atacam” (Hc. 3:16, BLH).

Esperança é esperar um pouco mais crendo. Ou seja, a esperança é a continuação da fé. Um fruto do Espírito é a longanimidade que é ter um ânimo longo (Gl. 5:22).

Precisamos entender que só o Senhor é soberano. Ele é o Senhor de todas as coisas, inclusive dos tempos. Nele há um tempo sobremodo excelente para todas as coisas. Os “silêncios” de Deus, na vida de Seus filhos, não refletem ausência ou omissão de Deus, mas devem servir para nos tratar, limpar, libertar, curar e, sobretudo, para nos adestrar em fé, esperança, submissão e obediência, jamais para nos desanimar ou nos tirar a fé, a esperança e o regozijo nela

Tire dos braços da sua fé o relógio da sua alma e ajuste-se aos tempos de Deus para si. Tome posse do relógio espiritual da fé e da esperança em Cristo e descanse na soberania do Senhor. O Senhor nunca está fora de tempo. Não há atrasos no relógio e nas operações de Deus.

3) As Lembranças Dolorosas

Para vivermos melhor hoje, para termos um futuro mais promissor, é preciso primeiro curarmos em nossos corações o passado. Lembranças dolorosas que criam o ambiente fértil para que raízes de amargura sejam geradas, com profundidade, nos corações das pessoas, mágoas que criaram raízes profundas, ao longo do tempo, assumindo parte ou totalidade do caráter e comportamento dessas pessoas, rancores, ressentimentos são pesos que podemos carregar por décadas, sugando as nossas energias, impedindo o equilíbrio e a serenidade, roubando a esperança.

Uma pessoa com a alma doente tem dificuldades para exercitar a sua fé, mostrando esperança e regozijando-se nela. As lembranças dolorosas levam muitos a decretarem o fim da esperança em muitas áreas de suas vidas. Por causa da lembrança dolorosa que têm do cônjuge ou dos filhos, já não conseguem esperar por mudanças no casamento ou na família.

Nosso coração é uma fonte e dependendo do que está nele, jorramos vida ou morte, esperança ou desesperança. O inimigo é especialista em encher o coração humano de lixo, dor e desistência. Ele sabe que se uma ferida não é devidamente tratada, gera amargura e pode roubar a esperança e o regozijo nela.

Uma pessoa assim, via de regra, torna-se seca, embrutecida, murcha, sem brilho. Por isso Satanás tenta constantemente nos consolidar na experiência dolorosa, levando-nos a decretar que “é impossível que haja mudança” ou “não dá mais para esperar algo diferente” em determinada situação. Feridas dolorosas na alma, quando não tratadas, geram pessoas sem esperança nem regozijo, desistidas, resistentes em obedecer à Palavra e à revelação da vontade de Deus para elas.

Precisamos obedecer à Palavra de Deus e, debaixo do poder e da direção do Espírito Santo, quebrantados aos pés da cruz do Senhor, perdoarmos e sermos perdoados e, assim, nos encontrarmos com a fé e a esperança, a libertação, a cura e a vitória. Não permita que uma ferida, por maior e mais cruel que pareça, roube de si a esperança de que, em Cristo, o melhor ainda poderá acontecer. Aleluia!

Porque estamos em Cristo, há esperança para nós! A Palavra nos diz que o nosso Deus e Pai é o Deus da esperança (Rm. 15:13). Em Cristo, nos tornamos filhos da Esperança! Você é filho da Esperança.

Em Cristo Jesus, segundo a Palavra de Deus, você pode todas as coisas, inclusive esperar pelas novidades de Deus e regozijar-se nesta esperança. Mantenha-se atento quanto à operação desses “ladrões da esperança”. Firme-se em Cristo e, com o escudo da fé, apague todos os dardos inflamados do inimigo que procuram roubar de si a esperança, a alegria e o regozijo. Em Jesus Cristo você pode, sim, regozijar-se e esperar pelo cumprimento de cada uma das promessas e decretos do Pai a seu respeito. Mantenha abertos os olhos da fé e da esperança, celebre, regozije-se e prepare-se para a visitação do sobrenatural de Deus, em nome de Jesus.


segunda-feira, 31 de outubro de 2016

A Cruz de Cristo: A Maior Expressão da nossa Vitória!


(Colossenses 2:13-15)

Se a morte de Cristo na cruz é o verdadeiro significado de sua encarnação, então não existe evangelho sem a cruz. O nascimento de Cristo, por si mesmo, não é a essência do evangelho. Mesmo a ressurreição, embora seja importante no plano geral da salvação, não é o cerne do evangelho. As boas-novas não consistem apenas no facto de que Deus se tornou homem, ou de que Ele falou com o propósito de revelar-nos o caminho da vida, ou de que a morte, o grande inimigo, foi vencida. As boas-novas estão no facto de que Deus lidou com nosso pecado (do que a ressurreição é uma prova); que Jesus sofreu o castigo como nosso Representante, de modo que nunca mais tenhamos de sofrê-lo; e que, por isso mesmo, todos os que crêem podem antegozar o céu. Gloriar-se na Pessoa e nos ensinos de Cristo somente é possível para aqueles que entram em um novo relacionamento com Deus, por meio da fé em Jesus como seu Substituto. A ressurreição não é apenas uma vitória sobre a morte, mas também uma prova de que a expiação foi satisfatória aos olhos do Pai (Rm. 4:25) e de que a morte, o resultado do pecado, foi abolida por causa desta satisfação.

Somos, por natureza, pecadores e estamos absolutamente sujeitos ao julgamento e juízo de Deus. Nada podemos fazer a esse respeito. No entanto, numa demonstração de amor sem precedentes, Deus toma a iniciativa de mudar nossa história, apesar de toda a nossa rebeldia contra Ele. Um bebé nasce em Belém da Judeia, um menino destinado a virar o mundo de cabeça para baixo. Ali, a eternidade entra no tempo. O céu desce à terra. Deus se esvazia de sua glória e se faz homem. Um homem obstinadamente decidido a morrer para livrar o homem da morte. Morte eterna; morte física, espiritual e moral.

A maior declaração de amor da história não saiu da pena de um poeta, nem foi envolvida com notas de suave melodia. A maior declaração de amor da história foi pavimentada com sofrimento e abandono; foi provada com dor e sacrifício; foi selada com sangue na cruz: “Mas Deus prova o seu próprio amor para connosco pelo facto de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm. 5.8). Ele ama-nos, mas não escreveu isso em letras de fogo nas nuvens. Ele revelou esse amor na cruz do seu Filho. Ela é a mais eloquente expressão de seu amor por nós. Ele mesmo disse: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigénito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo. 3.16). Isaías descreve essa expressão de amor ao profetizar a respeito do sofrimento do Cristo (Is. 53.1-12).

Sua morte não foi determinada por factores circunstanciais. Jesus não foi morto porque Judas o traiu, porque os sacerdotes o prenderam, porque Pilatos o entregou ou porque os soldados o pregaram na cruz. Judas o traiu, por ganância; Pilatos o sentenciou por covardia e os soldados o pregaram na cruz por crueldade. O Filho foi à cruz porque o Pai o entregou por amor de nós. “O Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós” (Is 53.6b). Ele não foi obrigado. Antes, em amor se entregou voluntariamente: “Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si” (53:4).

Seu amor é constrangedor. Nos deu tudo, sem nos pedir nada. Amor sacrificial. “Ele foi trespassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados” (53:5). Foi moído por nossas transgressões e morreu pelos nossos pecados; na cruz, recebeu o cálice da ira de Deus e a espada da lei caiu sobre ele. Foi humilhado. Seu corpo, rasgado. Seu rosto, desfigurado. Seu corpo, ferido. Seus punhos, trespassados.

Os açoites eram nossos. A Cruz era nossa. A vergonha e dor pertencia-nos. Mas, em silêncio, Ele tomou o nosso lugar “e como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca” (53:7). Tudo por causa de seu grande amor por nós.

Este amor, provado com sacrifício e dor, não é vão. Seu sangue nos comprou a liberdade. Fez-nos livres do pecado para viver em vitória para Deus; livres das trevas, do poder de Satanás, da condenação eterna. Isaías diz ainda: “Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si. Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte…” (53:11-12). Somos o alvo e a recompensa de seu grande amor expresso na cruz. Não somos mais escravos. Somos filhos! E como filhos, somos, juntamente com Cristo, herdeiros da glória de Deus. Ele suportou tudo e nos libertou para seu louvor. Nosso arrependimento é a sua conquista. Nosso retorno a Ele em gratidão e submissão é a sua glória. Nós somos a sua recompensa. Entendamos o que Deus realizou na cruz, de modo que nos gloriemos tão-somente na cruz de Cristo.

A cruz de Cristo foi onde o mundo, a carne e o diabo foram vencidos (e continuam sendo). A cruz é a base da nossa salvação, o que inclui a santificação, a justificação, a redenção e a regeneração do pecador que recebeu e creu na mensagem que Cristo pregou através dela. Nela está também a nossa libertação a nossa cura e a nossa vitória.

Uma das passagens mais inquietantes, e até mesmo que provoca calafrios, é o relato no evangelho de Marcos sobre a exclamação do Messias ao estar na Cruz romana. Ele exclamou: Eloí, Eloí, lamá sabactâni? que, traduzido, é: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste (Mc. 15:34)?

À luz do que sabemos sobre a natureza impecável do Filho de Deus e de sua perfeita comunhão com o Pai, é difícil entender as palavras de Cristo, porém ainda assim encontramos expostas nelas o significado da Cruz, e encontramos a razão pela qual Cristo morreu. Para obter a salvação de Seu povo, Cristo não somente sofreu o terrível desamparo de Deus, mas Ele tomou a amarga copa da ira de Deus e teve uma morte sangrenta em lugar de Sua gente. Só então a justiça divina podia ser satisfeita, apaziguar a ira de Deus, e fazer possível a reconciliação.

Contemplamos aqui o Salvador submerso nas profundezas de Suas agonias e dores. Nenhum outro lugar como o Calvário mostra melhor as angústias de Cristo, e nenhum outro momento do Calvário está tão saturado de agonia como quando esse clamor rasga o ar: Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste”? A debilidade física que lhe sobreveio naquele momento pelo jejum e pelos açoites se somou a aguda tortura mental que experimentou por causa da vergonha e da ignomínia que teve que suportar. Como culminante da dor, sofreu uma agonia espiritual inexprimível devido ao desamparo do qual foi objecto por parte de Seu Pai. Essa foi a negridão e a escuridão de Seu horror. Foi então quando penetrou nas profundezas das cavernas do sofrimento.

A cruz de Cristo é motivo de glória. O Sangue ali derramado faz com que estejamos aqui livres. Ele morreu, mas ressuscitou. Ele está vivo. A cruz nos trouxe vitória, vida, prosperidade,  saúde, liberdade no Cristo que ressuscitou. É importante que a igreja de Jesus acredite na vitória do Sangue na cruz e também acredite no poder da palavra do testemunho. Porque quando damos testemunho daquilo que Jesus fez por nós, daquilo que o Sangue fez em nossa vida, sobrenaturalmente, é libertado um poder espiritual superior a qualquer poder que destrói o adversário. O nosso testemunho tem um poder sobrenatural, porque a Bíblia diz que nós vencemos por causa do testemunho.

Naquelas palavras de nosso Salvador existe algo que tem sempre o propósito de nos beneficiar. A contemplação dos sofrimentos dos homens nos afligem e nos horroriza, mas os sofrimentos de nosso Salvador, ainda que nos movam ao pesar, estão revestidos de algo doce e cheio de consolação. Aqui, inclusive, nesse negro local de dor, enquanto contemplamos a cruz, encontramos nosso céu. Esse espectáculo que poderia ser considerado horroroso, torna o cristão alegre e feliz. Se bem lamenta a causa, se alegra devido às consequências.

A maior e mais importante mensagem que jamais se ouviu, o “está consumado”, foi pregada por Cristo, no púlpito mais significativo do Universo, a sua cruz! É por isso, que não se pode conceber o verdadeiro cristianismo sem a cruz de Cristo. Realmente, a centralidade do Evangelho e a nossa vitória está na cruz de Cristo.

 Os Benefícios Advindos do Triunfo da Cruz de Cristo.

Deus, ao manifestar a sua graça comum para com os incrédulos através dos efeitos colaterais da cruz de Cristo, tinha em vista o bem dos seus eleitos, aqueles que seriam os beneficiários da salvação. Todas as bênçãos dispensadas sobre os réprobos contribuem para que a Igreja seja mantida segura na sua missão de testemunhar acerca de Cristo.

A ignorância a respeito dos nossos direitos como salvos por Cristo tem levado muitos a uma vida de derrotas e fracassos. A obra realizada por Cristo na cruz do Calvário foi perfeita, completa e suficiente para nos levar a outra dimensão, tanto espiritual como fisicamente. Por meio dela recebemos a vida abundante que Cristo nos promete como está em João 10.10: “O ladrão vem somente para roubar, matar e destruir; eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.

Na cruz de Cristo, temos os maiores benefícios para nossa vida.
“Somente conhecemos a Cristo, na medida em que conhecemos os benefícios de sua obra da cruz”. Se entendermos o que Jesus fez por nós, encontraremos mudança em nossa vida. Há provisões abençoadoras na cruz de Cristo. Rios de bênçãos fluem da obra de Cristo na cruz.

Além dos benefícios concedidos da salvação e da vitória na batalha espiritual, o cristão recebe também mais três benefícios tremendos: o perdão, a mudança do caráter e a nova identidade. Estes três benefícios nem sempre são reconhecidos e, às vezes, não são recebidos por muitos cristãos, o que os torna pessoas abaixo daquilo que Cristo projetou para suas vidas.

 a) Perdão:

Quando nós nos voltamos para Deus pela fé em Jesus Cristo, recebendo Jesus como nosso novo Senhor, Mestre e Comandante e Salvador de nossas vidas, então Deus nos concede um perdão, nos perdoando de todos os pecados e erros que já cometemos. E isso é maravilhoso, mas há algo ainda maior do que isso. O perdão que nós recebemos de Deus não é conquistado. Nós não temos que primeiro demonstrar que nos endireitamos antes que Deus nos conceda Seu perdão. A Bíblia diz em Efésios 2:5 que Deus: “estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo”.

Porém, para que a cura divina se realize em nós, se faz necessário que usemos do nosso livre arbítrio para nos arrependermos de alguns embaraços (pecados não confessados) e nos apropriemos com fé das promessas bíblicas dirigidas a nós cristãos.

A raiz do perdão divino está na cruz de Cristo. Nenhuma outra religião oferece perdão. Só Deus, em Cristo, oferece o perdão para os nossos pecados. Ao derramar o Seu sangue na cruz do Calvário, Jesus Cristo tomou o nosso lugar de pecador e pagou o preço da nossa condenação. A base do perdão está no sangue de Cristo derramado na cruz do Calvário. Fora da cruz, Deus não nos pode perdoar! O perdão que recebemos por graça divina, não foi barato, pois custou a Deus tudo o que Ele é e tudo o que Ele tem – o preço do perdão foi o sacrifício do Seu Filho, Jesus!

Por que é importante a revelação do perdão? O recebimento do perdão pelo cristão é fundamental para a vitória contra Satanás, que é também chamado de “o acusador de nossos irmãos” (Ap. 12:10). Porque muitos cristãos não recebem o perdão de Deus, vivem recebendo a acusação de Satanás, o que torna suas vidas um inferno.

O alvo do diabo é impedir que recebamos a plenitude da obra que Cristo consumou na cruz do Calvário, o que nos faz viver abaixo das expectativas do Senhor. O inimigo sabe que ao nos vermos debaixo da culpa, ficamos inibidos no uso da nossa autoridade espiritual e perdemos ou entregamos territórios valiosos para ele. Receber o perdão de Deus, conquistado para nós por Cristo na cruz do Calvário, é uma garantia espiritual, com reflexos no plano físico, de que nenhuma acusação há para nós e que, portanto, o acusador tem seus direitos quebrados em nossas vidas.

Outra vitória recebida através do perdão é a libertação e a cura para a nossa alma, que, sem a revelação do perdão de Deus, se fragiliza pela culpa e se torna uma lixeira para receber todo o lixo emocional que o diabo puder lançar nela, como falsa culpa, autopunição, rejeição e outros traumas e feridas. A cruz de Cristo, por causa do perdão libertado, torna-se a base da libertação e da cura da alma do cristão, permitindo, assim, que ele viva a vida abundante que vem pela salvação.

b) Mudança do Carácter

O carácter de Cristo em nós é formado pela Cruz. O caminho para o carácter de Cristo é o caminho da operação da cruz em nós. Não há outra maneira das marcas do carácter de Cristo serem formadas, a não ser pela cruz. É através da lei da cruz (Mt. 16:24) que somos formados em nosso carácter. Esta lei opera em nós, moldando-nos e ensinando-nos a vida do Espírito. A cruz é que opera em nós a beleza do Senhor. A cruz é o instrumento de Deus para moldar-nos à semelhança de Cristo. A cruz é que nos capacita para termos o carácter que suporta o poder de Deus.

Na cruz de Cristo o pior de nós foi trocado pelo melhor de Deus! Dá para imaginar uma troca como esta? Só Deus mesmo para realizá-la. Ao processar a nossa salvação, na cruz do Calvário, Jesus tomou o nosso lugar, fazendo-Se pecador por nós e tornando-nos justos, santos, redimidos e regenerados perante Deus.

Ali, na cruz, a nossa carne foi vencida, o Senhor tomou para Ele a nossa vida de pecado e derramou em nós a Sua vida, perfeita para Deus. Na cruz o Senhor trocou as nossas velhas características pelas características dEle, trocou o nosso caráter pelo caráter dEle. Aleluia!

 Assim, a partir da salvação, quando Cristo passou a viver em nós, o caráter dEle também passou a fazer parte de nós. Se temos Cristo em nós, temos também o Seu caráter em nós. Nascemos de novo em Cristo, tornando-nos Sua expressão na Terra, portanto, temos o dever de manifestar o Seu caráter que está em nós. O que efetivamente precisamos fazer é decidir viver a novidade de vida que temos em Cristo e não mais a velha criatura do pecado, que fomos antes dEle nos salvar.

 O arrependimento é uma mudança radical de interesses, afectos, vontades e prioridades. É uma transformação tão radical do coração que a Bíblia fala de conversão – somos mudados noutra coisa. Um novo nascimento (Jo. 3:3). Uma nova criação de Deus (2 Co. 5:17). Este tipo de arrependimento e tal transformação só podem vir de Deus (Jo. 1:13).

Esta mudança produz um impacto tão grande nos nossos corações e nas nossas mentes que os lábios que antes protestavam: “Não há Deus!” (Sl. 53:1)  agora alegremente confessam e proclamam que “Jesus Cristo é o Senhor, para glória de Deus Pai” (Fip. 2:11).

c) Nova Identidade

Nosso Deus por nos amar muito e desejar a nossa salvação, nos chama para um novo estilo de vida, onde estaremos pelo poder transformador da graça de Deus vivendo livres da escravidão do pecado. Nos chama para um novo estilo de vida no qual Ele possa reinar de forma absoluta e completa em nosso coração. Os cristãos que serão salvos, serão aqueles que alcançarão essa experiência com Cristo e que também estarão pelo poder de Deus renovando diariamente essa experiência com nosso Salvador. Não há vida sem Jesus. Somos susceptíveis ao pecado e, a qualquer momento que nos afastamos do Senhor, estaremos vivendo como escravos do pecado. 

Aos que receberem Cristo, que crerem em seu nome, dá-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne, nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus. A obra da cruz, a salvação do pecador, fez-nos nascer de novo, isto é: fomos regenerados. Na velha natureza, tínhamos a identidade de pecadores, afastados de Deus, deformados pelo pecado e influenciados pela carne, pelo mundo e pelo diabo. Cristo, na cruz, tomou para Ele essa velha natureza, ou seja, essa velha identidade, a identidade de pecadores e, fez-nos nascer de novo, pelo Espírito e pela Palavra, gerando em nós a nova identidade, a identidade de filhos e filhas de Deus.

A obra de Cristo no coração não destrói as faculdades humanas. Cristo dirige, fortalece, enobrece e santifica as faculdades da alma. Por meio da obra da cruz o Senhor trocou a nossa identidade, tornando-nos filhos do Deus Altíssimo, irmãos de Cristo e co-herdeiros com Ele, como está escrito em Romanos 8:16-17: “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. Ora, se somos filhos, somos também herdeiros, herdeiros de Deus e co- herdeiros com Cristo”. Se nascemos de novo em Cristo, também em Cristo recebemos uma nova identidade, deixamos de ser criaturas governadas pelo pecado e nos tornamos família de Deus, sendo chamados pelo Seu nome.

Precisamos, portanto, compreender que pele fé em Cristo é nosso privilégio ser participante da natureza divina e livrar-nos da corrupção das paixões que há no mundo. Então somos purificados de todo pecado, de todos os defeitos de caráter.

Com a marca da salvação (o sangue de Jesus), passamos a ser identificados no Reino espiritual como príncipes e princesas do Deus Eterno, fomos revestidos de nobreza celestial, tornamo-nos autoridades espirituais no planeta, embaixadores do Reino de Deus na Terra! Deixamos de ser conduzidos pela carne e mentoriados pela mente maligna, para sermos dirigidos pelo Espírito, conforme a Palavra de Deus e conduzidos pela mente de Cristo que habita em nós! Nos tornamos factores de mudança onde estivermos e uma ameaça para o diabo e seus projetos.

A nova identidade nos habilita a sermos os verdadeiros embaixadores do Reino de Deus na Terra e a reproduzirmos o ministério de Cristo entre os homens. Nenhum cristão precisa mais de andar com a velha identidade, porque o cristão se tornou novidade de Deus na Terra. Por causa da velha identidade, herdamos a maldição e a derrota, mas com a nova identidade nos tornamos descendentes de Abraão, benditos na Terra e herdeiros conforme a promessa que ele recebeu (Gl. 3:29: “E, se sois de Cristo, também sois descendentes de Abraão e herdeiros segundo a promessa”).

Ele nos chama “directamente para a herança espiritual e para as boas coisas celestiais, e designa para nós um reino” (cf. Lc. 22:29). Agora os crentes são “chamados eminente e enfaticamente filhos de Deus” (1 Jo. 3:2), como Isaías tinha profetizado (Is. 56:4,5), e o Espírito Santo testifica com os seus espíritos que é isso mesmo (Rm. 8:15-16). Deus é conscientemente Seu Pai pessoal, e este nome, “Pai, passa a ser o nome de Deus em relação à nova aliança, representado a família pactual à qual Ele Se obriga em favor dos Seus filhos, de modo que agora eles têm liberdade para clamar, “Abba, Pai” (Gl. 4:6).

Agora que estamos em Cristo, não temos o Espírito de escravidão, mas temos a certeza dada pelo Espírito Santo de que somos filhos de Deus e de que podemos aproximar-nos dEle confiadamente. O mesmo Espírito Santo, que habita em nós, também dá gemidos antecipatórios em nossa alma (ansiando) pelo estado de ressurreição e glória, que é a meta que Deus designou para nós”.

Qual a importância disso? Espiritualmente, a identidade aponta para um destino. Com a velha identidade estávamos destinados à morte eterna e ao inferno, com a nova identidade, fomos direccionados para a vida eterna e para as mansões celestiais!